Entrevista a:Aliz Lambiazzi [aliz]
JORNALISMO
 | Qual é sua especialidade? De que assuntos você trata? Desde que me formei trabalho com jornalismo institucional voltado à Educação. Gosto muito dessa área e acho que há muito a se explorar nela profissionalmente. Fora do trabalho procuro fazer coisas diferentes, matérias mais gerais. Acho que jornalista não pode escolher pauta e tem de saber fazer de tudo, escrever sobre assuntos variados. Eu procuro me envolver com um pouco de cada coisa que envolve a comunicação social, pena que não tenho muito tempo disponível para mje lançar mais nessa variedade da profissão. |
 | Em que meios você trabalhou? Assessoria de imprensa, webjornalismo, comunicação interna, jornalismo institucional (que abrange a produção de revistas, materiais de propagandas, comunicados e rotinas de cobertura de eventos, fotografia, entrevistas etc.). |
 | Um endereço web onde possamos ver algo sobre você? |
 | O que é noticia? Notícia é todo fato que interesse à sociedade e que, de alguma forma, acrescente conteúdo a ela como boa forma de prestação de serviços, como deve ser o jornalismo. |
 | O que é para você a objetividade? Objetividade é relatar um fato da forma mais sucinta possível, sem deixar, no entanto, de fazê-lo da forma mais completa. Uma notícia, por mais objetiva que seja, deve responder questões básicas para cumprir seu papel de informar. |
 | Que jornal você compra aos domingos? Onde você o lê? Costumo ler jornais pela internet apenas. Leio a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Também gosto de ler notícias no Terra e UOL. |
 | A liberdade de expressão acaba onde começa a linha editorial da mídia? Infelizmente, sim. |
 | O jornalismo de analise e investigação está se perdendo? Não. Isso depende muito de cada jornalista e do meio de comunicação onde se trabalha. Geralmente, o que vem acabando com a análise e a investigação é a pressa, a urgência em noticiar. Mas cabe ao jornalista, na hora de escrever e compor sua matéria, cuidar para que esses detalhes tão importantes não sejam atropelados pela correria do deadline. Da mesma forma, depende do jornalista não ser influenciado por fatos escandalosos a ponto de noticiar apenas o que lhe convém, ignorando a necessidade de apurar todos os lados da informação. |
 | Com uma câmera em cada telefone, cada cidadão se transforma em um correspondente? Mais ou menos. Quando o cidadão cede imagens ou informações sobre um fato que presenciou, ele está colaborando com o notíciário, e isso se chama Jornalismo Cidadão. Pode até ser considerado um tipo de correspondente, mas não um jornalista, uma vez que este último organiza as informações, traduz da melhor forma e direciona para uma exposição adequada, analisando todas as consequências. |
 | Como você explica o auge do jornalismo dedicado ao show business? Sensacionalismo, pão e circo, audiência fácil e barata. |
 | Qual é sua posição sobre o direito dos famosos a sua intimidade? Tudo tem um limite. Os famosos, assim como qualquer outra pessoa, têm o direito de verem esses limites respeitados. Creio que muitas notícias sobre famosos são dispensáveis, não acrescentam nada a ninguém. Seria bem mais inteligente tirar deles o que realmente interessa no sentido público, e não no pessoal. As invasões de privacidade são desrespeitosas e burras. |
 | O que você pode nos ensinar sobre a arte da entrevista? Entrevistar não é fácil, exige treino, preparo, mas principalmente sensibilidade. Depende muito também do entrevistado, mas é básico saber: entrevistas devem fluir como uma conversa. Por isso é importante que o jornalista esteja à vontade e deixe o entrevistado mais à vontade ainda, assim, ele diz mais do que pretendia dizer, e isso transforma a matéria, leva além.
Mas para que o jornalista fique à vontade, é importante que ele se prepare bem antes de partir para a entrevista, estudando bem a pessoa com quem irá conversar, saber de sua história, sua trajetória, os fatos mais marcantes. Além disso, é imprescindível ter claro na mente o que se quer revelar desta personalidade, tirar dela o que as pessoas querem realmente saber. Quando se faz isso com transparência e honestidade, fica fácil e prazeroso. |
 | Pessoas famosas que você entrevistou Políticos e atores militantes do tempo em que trabalhei na Secretaria de Imprensa da CUT nacional e Doutores de diversas áreas do conhecimento. Também já entrevistei alguns jornalistas famosos, astrólogas e outros. Para enumerá-los eu precisaria de mais tempo, não me lembro de todos. |
 | O jornalismo blog está revolucionando a profissão? Sim, bastante. O blog tem se tornado um espaço valioso na web hoje, principalmente para destacar a vivência profissional e o seu papel também fora do local de trabalho - que as vezes difere bastante. Além disso, todas as possibilidades de interação que o blog oferece para o profissional com o seu leitor tem enriquecido muito o conhecimento na análise de público e da realidade de cada um. É uma aproximação interessante essa e muito necessária. |
 | O jornalismo de papel desaparecerá? Estou com sérias desconfianças de que essa previsão é verdadeira. No entanto, creio em uma transformação, uma readaptação para o jornalismo de papel. É diferente analisar as diversas mídias que temos hoje, e o papel ainda é indispensável em muitos casos. Usando o exemplo de duas mídias principais hoje, o jornal e a revista, já notamos a diferença. A receita dos jornais têm caído drasticamente, já as revistas, cada vez mais segmentadas, não param de ser lançadas e vêm conseguindo se sustentar.
A verdade é que não apenas no papel, o joralismo está precisando mesmo ser redesenhado para atender à nova realidade, o novo público, a novo padrão de exigência que vem crescendo. Não dá mais para continuar com essa idéia de que o nosso público é composto por meros engulidores de verdades alheias. Hoje o público é participativo, está mais crítico e grita por mais respeito. |
 | O que você pensa de imprensa gratuita que se distribui nas cidades? É um meio. Se pensar bem, informação é um direito de todos, e há um tempo vem sendo feito esse debate sobre a legitimidade da cobrança por informação. O ideal do jornalismo, em sua assência, é que se repasse a notícia da forma mais fiel possível e o que deve sutentar o meio é a publicidade, como uma troca. No entanto, os jornais e outros meios se tornaram reféns da publicidade, o que interefere perigosamente na qualidade da notícia veiculada, e isso não é certo. Por causa disso já é discutido um jornalismo sustentado exclusivamente por seu público, de modo a reproduzir o que realmente é de seu interesse: a verdade. Pensando por esse lado, até compensaria a todos pagar pela notícia, mas creio que no Brasil as pessoas ainda não estão dispostas a ver dessa maneira, o que desvaloriza o exercício da profissão. |
 | Qual é o livro que você gostaria de escrever? Gostaria muito de escrever um livro sobre como o próprio jornalismo está se empurrando para o buraco. Da forma como é feito hoje, o jornalismo está cansando as pessoas, esgotando elas, e isso as afasta cada vez mais das mídias. Além disso, também gostaria de escrever sobre as diversas possibilidades de trabalho para um jornalista, em um redesenho da profissão mais do que urgente. |
 | Algum lema ou principio ético esclarece suas decisões em momentos de confusão? Sempre. A ética deve ser colocada em primeiro lugar. E ser ético é se colocar no lugar das pessoas envolvidas, tanto fontes quanto leitores. Mas a ética também é muito relativa, impalpável, e nisso se justificam muitas confusões. |
 | Que conselho você dá a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão? Ame esta profissão, porque ela só vale a pena para quem realmente tem paixão por ela. E não fique escolhendo muito. Assim que chegar ao mercado de trabalho, aproveite a oportunidade que aparecer, porque é assim que se cresce e se aprende. E mais: não tenha preconceitos, jornalista tem que escrever sobre tudo. |
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[aliz] Aliz Lambiazzi São Paulo - Brasil
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