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Entrevista a:

Dé. [andrebetinardi] 


ESCREVER
Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever?
Geralmente uma fagulha de ideia que aparece de algum lugar desconhecido do metafísico, eu desenvolvo como que involuntariamente, depois, reviso, revolvo, revoluciono, até que julgo ter conseguido expressar aquilo que de início era de intuito. E muitas coisas mais, variados os processos, cada situação, pode gerar algo dierente de maneira diferente.
Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever?
Artística, poética, historiográfica, geralmente...
Quais são para você os ingredientes básicos de uma historia?
O afastamento do lugar comum, a instigação de ideias do leitor. Tudo muito mastigado perde o gosto.
Você compartilha os rascunhos de suas escrituras com alguém de confiança para ter sua opinião?
Às vezes, porém sempre desconfio.
MUSICA
O que você faz? Qual é sua especialidade musical?
Compositor, vocalista, violonista, tecladista, baixista e baterista. Ressalto atualmente a dedicação ao canto e composições.
Você trabalha individualmente ou em grupo? Sendo assim, quem mais são?
Atualmente sozinho, porém já tive experiências com vários músicos, bares, festivais etc. Pelo fato de estar trabalhando e estudando, projetos estão "adormecidos" até o final do ano, porém, sem impecilhos para mudança de planos e volta à atividades caso apareça algo interessante.
Algum endereço de internet onde possamos ouvir, ver ou ler algo sobre seu trabalho?
Ainda não tive oportunidade de entrar em estúdio e preparar material bem trabalhado, mas uma pequena demonstração no blog. http://blogpetroleodofuturo.blogspot.com/ na canção Potion Oberon.
Prêmios, concursos, e outros reconhecimentos que você queira mencionar?
Nada tão relevante, "melhor vocalista" em festival de segunda importância.
Como você começou a fazer música? Quem o introduziu?
Aos nove anos, estudando teclado. Eu me inseri!
Qual foi sua formação musical?
Informal.
Quando você se deu conta de que a música poderia ser um meio de vida para você?
Desde criança. Desde que pude ver a possibilidade de criar coisas novas.
Como é seu processo criativo?
Ele é um tanto introspectivo. Não há uma fórmula certa, me considero mais letrista que músico na verdade, mas digamos que a poesia X sonoridade, nesta ordem de composição ou vice-versa.
Quando você tem seus momentos mais lúcidos, pela manha ou pela noite?
Pela noite, geralmente à noite.
Você alguma vez acordou com uma melodia fabricada em sonhos?
Melodia não, mas letra sim, ideias inspiradas em sonhos também. Um tanto curioso isso.
Como você sabe quando uma musica já está bem e não precisa de mais mudanças?
As minhas canções estão sempre em constante mudança, sempre acho que há o que melhorar, é como a história, nada definitivo, claro, até o momento de gravação.
Como você foi descobrindo seu território criativo? Como o descreveria?
Por meio da poesia, transposta à melodia. Eu descreveria-o como vasto, coerente, intenso e original.
Que parte de seu trabalho é a que você menos gosta?
A ausência monetária.
Com que freqüência você ensaia?
Praticamente todos os dias (vocal), instrumentos mais, atualmente com pouca frequência (nos ultimos meses).
Como você se sente nos momentos prévios a sair ao cenário?
Empolgado, empolgado, empolgado.
Que músicos ou bandas foram inspiradores em sua carreira?
Blues, Rock'n'roll, Samba, MPB, Rock brasileiro...
Três canções chave em sua vida
"A Day In The Life" - The Beatles "Summer 68" - Pink Floyd "Cálice" - Chico Buarque
O que deveria ser feito para deter a pirataria?
Acredito que a criação de programas nas universidades nos cursos ligados ao desenvolvimento de tecnologias, patrocinados por empresas interessadas (gravadoras) para o desenvolvimento de mídias não corrompíveis seria uma tentativa válida. Porém acima disso acredito na questão educacional. Os aritstas devem pressionar mais seus públicos com argumentos fortes, promover a formação (além da escola formal) do senso de consumo cultural e da consiência de responsabilidade e cidadania na sociedade capitalista. A segunda deve ser um tentativa sem descanso nem desistência.
Que classe de música você detesta?
Não detesto classe de músicas. Detesto certas músicas por simplesmente não adicionarem nada na vida ou nas ideias dos ouvintes. Algumas além de não incitar ao pensamento e reflexão, ao contrário alienam: música ruim.
A que horas você acordou hoje?
Acordei as 06:30. Sou proletário e estudante de História.
Você abriria o show de que banda sem duvidar?
Qualquer uma que eu não considerasse fútil.
EDUCAÇÃO
Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem?
História. Alunos de quinta (sexto ano) do Ensino Fundamental aos do terceiro ano no Ensino Médio.
Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora?
A própria experiência de aluno insatisfeito me despertou a vontade de tentar trazer aulas não-tradicionais aos alunos, interagindo com eles, sem aquela posição autoritária e ultrapassada do professor que apenas "joga o conhecimento em cima" do aluno.
Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê?
Professora Adriana Chochevis, lecionava Artes, sempre achei sua aula a mais democrática de todas!
Como você definiria sua filosofia docente?
Liberal Progressista / Nova História - Marxista.
Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você?
O desafio de fazer com que os alunos se sintam capazem de promover mudanças na história. Se sintam sujeitos agentes da história.
Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as?
Baseada em pressupostos: respeito, atenção, tolerância, compreensão e amizade.
Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento?
Apresentar propostas inovadoras, levar o violão para a sala de aula, teatros, grupos de discussão, filmes, estudo do patrimônio histórico local, relações com a vida cotidiana etc. númeras atividades, umas podem dar mais certo que as outras, mas no curso das tentativas, vão se apresentando as mais eficientes para despertar o interesse e o gosto pelo conhecimento por parte dos alunos.
É possível ensinar/aprender criatividade? Como?
É possível, fazendo da situação ensino-aprendizagem escapar da "decoreba". Fazer os alunos pensar criticamente, de acordo com suas capacidades cognitivas.
Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina?
A sobreposição do tom de voz no sentido de lembrar quem é a autoridade na sala. Questionar o problema com o aluno em particular, com uma receptividade amigável.
Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula?
A ajuda particular pode ser realizada na própria sala de aula, as explicações podem ser desdobradas até que se chegue a um nível cognitivo adequado ao aluno com dificuldades por exemplo, com certeza, sempre visando um processo histórico no qual o aluno deverá efetuar o exercício do raciocínio e compreensão da conjuntura histórica.
O que você espera de seus supervisores? Que qualidades você valoriza na pessoa que dirige o centro?
Compreensão e apoio. Valorizo a capacidade de compreender as situaçãoes das idades próprias dos alunos e para com os professores, apoio e suporte para a realização de atividades extra-tradicionais.
Que assuntos a debate sobre ensino são de maior interesse para você?
Realidade social X ensino escolar.
Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos?
Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função de exercer a profissão básica e essencial no desenvolvimento e na construção de um país mais cidadão e justo, com indivíduos críticos e conscientes de seu papel não passivo, mas ativo na sociedade. Educação é tudo. O quanto o prefoessor recebe pela sua responsabilidade é definitivamente desproporcional.
Além de mais recursos, que falta nas escolas de nosso tempo?
Mais tolerãncia e compreensão.
Como é a tecnologia que você utiliza habitualmente nas aulas?
Retro-projetor, DVD, som, Instrumento musical, televisão.
Em frente às novas tecnologias, há que reinventar a escola, seus métodos e objetivos?
Métodos talvez, acredito que quanto aos objetivos ligados às novas tecnologias, é interessante a abordagem crítica do que e como procurar/usar essas novas tecnologias.
Se você pudesse criar uma escola ideal, como seria?
Eu posso criar uma escola ideal, começando agora, com trabalho e equipe dos colegas, da família e da sociedade, não é impossível. A escola ideal seria a escola da compreensão, da paz, da valorização do "eu" no coletivo sem competitividade extrema e dependência da auto-capacidade extrema. A escola ideal seria a escola onde a todos que a frequentam, não fosse um "saco" estar se dirigindo a ela e sim, um prazer.
Como você imagina que será uma escola daqui a 20 anos?
Cheia de brasileirinhos sabidos e corajosos.
Quais são suas metas pessoais? O que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos?
Estar, paralelo ao ensino, formando-me no mestrado e trabalhando com música.
Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino?
Como já dizia Paulo Freyre, é preciso "gostar de gente" em todas suas imperfeições, caso contrário, arurme um emprego.
 

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Dé.
Serafina Corrêa / Passo Fundo - RS


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