Entrevista a:antonio dos santos [antoniointelect]
ESCREVER
 | Como você começou a escrever? Quem lia para você ao principio? Eu comecei a aprender a ler numa escola estadual do Ceará, o ensino era muito franco e só aprendi a ler algumas palavras, com muito sacrifício cheguei à quarta série - eu tinha 10 anos de idade. Em 1995 cheguei no Distrito Federal e o que eu aprendi em Fortaleza mal serviu para a Primeira Série aqui, com muita luta de minha mãe ela conseguiu me matricular na primeira série, sofria muito nos primeiros dias, mas com o passar do tempo consegui acompanhar os meus colegas com a ajuda de maravilhosas professoras, foi a insistência de minhas professoras que eu comecei a ler sozinho e lia muitos livros. Meus pais não tiveram a oportunidade de estudar, meu pai mal sabe ler e a minha mãe sabe ler razoavelmente bem, mas eles sempre me disseram que a leitura poderia me levar a conhecer lugares que eu nunca estive, e eles estavam com a razão. |
 | Qual é seu gênero favorito? Algum link onde possamos ver ou ler algo sobre sua obra recente? Eu gosto de todos os tipos de livros, sejam de ficção científica ou religiosa, se o livro é bom não tem porque deixar de lê-los. Eu fico revoltado com todas as pessoas que não gostam de ler, eu sinto profundamente envergonhado por conhecer pessoas que odeiam a leitura. Este blog é o meu pequeno trabalho na escrita, eu estou revisando o meu livro e espero que possa publicá-lo o mais rápido possível. http://antoniointelectus.zip.net/ |
 | Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever? Eu coloco as músicas do Raul Seixas ou Legião Urbana e espero alguns minutos até que o meu cérebro seja invadido pela fonte doce da imaginação, escrevo sem parar e já cheguei a passar noites inteiras sem parar e mal percebi o tempo passar. Eu também leio outros livros excelentes e isso também a me ajudar a escrever. |
 | Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever? Eu não tenho nenhum preconceito quanto aos livros, estou sempre lendo livros de escritores brasileiros e internacionais, procuro sempre diversificar os livros para que eu possa compreender as culturas de outras nações, não fico apenas lendo livros nacionais ou só livros estrangeiros. |
 | Quais são para você os ingredientes básicos de uma historia? Para a história chamar a minha atenção ou a escrever, ela tem de ser questionadora, que nos leva a pensar e ser curioso na história, a buscar elementos além do livro. |
 | Em que sapatos você se encontra mais cômodo: primeira pessoa ou terceira pessoa? Quando a história do livro é boa, não importa se é narrado na primeira ou terceira pessoa. |
 | Que escritores conhecidos são os que você mais admira? Graciliano Ramos, Manuel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, Gilberto Freyre, Paulo Freira, Karl Marx, Engels, Florestan Fernandes, João de de Cabral Melo Neto, Orígenes Lessa, Adonias Filho, Érico Veríssimo, Dinah Silveira de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Herberto Sales, Rubem Fonseca, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Nélida Pinõn, Osman Lins, Moacir Scliar, Raul Bopp, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Mário Quintana, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima, Ferreira Gullar, Cecília Meireles, Augusto de Campos, Haroldo de Campos...
Rückert Rückert, Oscar Wilde, Moliere, Humberto Maturana, Gustave Flaubert, Fontenelle, Bernard Shaw, Bernard Shaw, Alexandre Dumas, Proudhon, Henry Thoreau, Bakunin Rückert, Petrarca, La Rochefoucauld, Horácio, Camões, Goethe, Byron, Pedro Juan Gutiérrez, José Maria de Heredia, Gertrudis Gomez Avellaneda, José Julian Martí e Julián del Casal, Alejo Carpentier, José Lezama Lima, Alexander Pushkin, Leo Tolstoi, Fiodor Dostoievski e entre outros. |
 | O que torna um personagem crível? Como você cria os seus? O que torna um personagem incrível é o seu poder de emocionar o leitor e de fazer o leitor se interessar pela história até o final. A criação de meus personagens são todos baseados em pessoas reais, que de alguma forma fizeram com que a minha vida torna-se melhor. |
 | Você é igualmente hábil contando historias oralmente? Não sou bom contando histórias oralmente, eu nem gosto de falar, só gostar de falar com os meus alunos, por isso eu que escolhi ser um escritor e não um político. |
 | Profundamente em sua motivação, para quem você escreve? Eu escrevo para mim e para os meus leitores, escrever é como se fosse uma terapia, ao escrever eu me esqueço do mundo e das pessoas, parece que não existe ninguém no mundo e realmente me sinto de alguma forma importante. |
 | Escreve como terapia pessoal? Os conflitos internos são uma força criadora? Quando eu escrevo estou fazendo uma terapia, as minhas angústias e os meus sofrimentos internos me mantém com a criatividade e tudo o que sinto eu coloco no papel. |
 | O feedback dos leitores serve pra você? Sim. É por meio dos leitores futuros que eu estou escrevendo, sem eles para ler o que escrevo, não adianta escrever, portanto os leitores são o auge de qualquer escritor, quanto mais leitores, mais o escritor se convence de que é importante e de que a missão está sendo cumprida no mundo. |
 | Você se apresenta para concursos? Você recebeu prêmios? Não. Eu escrevo para os outros e não para a promoção pessoal. |
 | Você compartilha os rascunhos de suas escrituras com alguém de confiança para ter sua opinião? Não. O que eu escrevo em meu livro eu não mostro para ninguém, quanto a isso eu sou bastante egoísta. Eu não gosto que os outros critiquem o meu livro antes de ser publicado, eu espero a resposta dos meus livros após de as minhas ideias terem sido publicadas. |
 | Você acredita ter encontrado "sua voz" ou isso é algo eternamente buscado? A escrita é a minha voz neste mundo, é por meio da escrita que eu me sinto importante no mundo e que a minha missão é escrever, nada mais. Eu também estou procurando outras formas de ser importante. |
 | Que disciplina você se impõe para horários, metas, etc.? O meu objeito é escrever pelos menos 3 páginas por dia. A criatividade não tem hora. |
 | De que você se rodeia em seu escritório para favorecer sua concentração? Caderno, caneta, computador e músicas. |
 | Você escreve na tela, imprime com freqüência, corrige em papel...? Como é seu processo? Eu escrevo primeiro no papel, reviso várias vezes os erros de ortografia e depois degito, impriso e reviso eventuais erros. |
 | Que sites você freqüenta online para compartilhar experiências ou informação? Eu só compartilhar experiências e informaçõs quando o meu primeiro livro for publicado por alguma editora ou publicado gratuitamente na internete. |
 | Como foi sua experiência com editoras? Eu ainda não procurei nenhuma editora, espero procurar alguma em breve. |
 | Em que projeto você está trabalhando agora? Eu estou tentando terminar o meu livro, falta corrigir alguns erros e registrá-lo no escritório de direito autoral. |
 | O que você me recomenda fazer com todos esses textos que venho escrevendo há anos mas nunca os mostrei a ninguém? Eu recomendo que você procure alguma editora que queira publicá-los, se ninguém quiser, espero que vocês os publiquem na Internet. |
EDUCAÇÃO
 | Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem? História. Alunos que não valorizam a História do Brasil, mas que idolatram a História dos USA. |
 | Algum link onde possamos ver que você faz ou o centro onde você trabalha? O meu trabalho de atuação é somente com os meus alunos. |
 | Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora? Eu sempre cresci querendo estudar e ensinar os outros, pois via meus colegas desmotivados e sem interesses pela educação. Lutei muito, batalhei e estudei muito para chegar aonde eu estou, com os meus conhecimentos tento levá-los para aqueles que não conhecem ou que não querem ter conhecimento. Estou sempre disposto a contribuir com o desenvolvimento intelelectual das pessoas, sejam elas quem forem. |
 | Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê? Paulo Freire é o meu mestre porque em seus livros eu descobri o valor da Educação Libertadora. |
 | Como você definiria sua filosofia docente? Libertadora e Consciente. |
 | Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você? Convencer os meus alunos de que a educação é tudo e que a diversão não é tudo. Percebo que os meus alunos não valorizam a educação, eles acreditam que estudar é perda de tempo e que as baladas e as festas são tão importantes para encontrar a felicidade. Em sala de aula tento convencê-los de que existe um mundo inexplorado fora da diversão. |
 | Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as? Questionadora, libertadora e incentivo à leitura e à escrita. Nas minhas aulas estou sempre desafiando os meus alunos a pensarem além do que está escrito, tento fazê-los compreender a relação do texto ou da leitura com o mundo. Estou sempre desafiando os meus alunos a pensar, a querer estudar e a buscar conhecimento. |
 | Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento? Mostrar aos alunos que o conhecimento liberta as mentes medíocres. Mostro aos meus alunos a diferença que existe entre aqueles que não se preocupam com o conhecimento e aqueles que são sucessos porque estudaram e não tiveram medo do desafio de estudar. Confesso que isso é uma tarefa árdua, mas que vale a pena quando se alcança os resultados e o reconhecimento. |
 | Qual é seu critério a respeito de pôr tarefas para a casa e sobre pontuação? O meu critério é que os alunos possam escrever sobre os temas da atualidade e que escrevam de forma mais consciente e crítico. Os exercícios dos livros didáticos auxiliam na aprendizagem e eu não costumo dá muitos pontos nos exercícios. |
 | É possível ensinar/aprender criatividade? Como? É possível sim, porém não é algo certo. Eu incentivo os meus alunos a lerem e escreverem pelos menos duas vezes por semana. Eu confesso que muitos melhoraram a sua escrita, a criatividade e a ortografia. Também reconheço que esta missão do educador é muito difícil, pois muitos alunos não nos valorizam e nem querem saber de estudar, mas os que mudam de atitude e assume uma postura intelectual reconhece-me como um dos melhores professores que eles já tiveram em suas vidas e isso é um enorme prazer e sinto vontade de continuar numa profissão pouca valorizada pelo governo, sociedade e alunos. |
 | Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina? Eu digo a eles quem é que manda e quem é o comandado, eu respeito quem me respeita e respeito eles. Quando há falta de disciplina eu dialogo, se não resolver a direção que deve tomar as providências. |
 | Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula? Eu ensino os conteúdos e depois divido os alunos em vários grupos, unindo os que sabem mais com aqueles que sabem menos, com isso os que sabem mais ensinam quem sabem menos. |
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