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Entrevista a:

Alexandre Protasio [arprotasio] 


EDUCAÇÃO
Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem?
História e Sociologia. Alunos de 7ª do Ensino Fundamental até 3ª série do Ensino Médio.
Algum link onde possamos ver que você faz ou o centro onde você trabalha?
www.bomjesus.br (Rede Bom Jesus). O Cristo Rei não tem site. Estou licenciado da escola pública. Estou atuando no sindicato como Conselheiro Estadual do CPERS/Sindicato.
Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora?
Tive um bom professor de história que determinou a escolha pela profissão. Mas sempre gostei da matéria. Além disso, o envolvimento político foi deixando claro que a educação é uma das saídas para o que vivemos.
Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê?
Tive professores muito bons, outros péssimos. Vários são responsáveis pelo respeito que adquiri pela profissão. Citar nomes complica, pois ainda são colegas e podemos esquecer alguém.
Como você definiria sua filosofia docente?
Humanista e ética. Respeitando os avanços da humanidade, principalmente os direitos humanos, culturais e ambientais. E respeitando preceitos éticos e valorativos como forma de estabelecer parâmetros para as relações humanas.
Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você?
A avaliação. Ela é sempre injusta de alguma forma.
Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as?
Não posso dizer que sou "amigo", no sentido exato da palavra. Sou cordial e respeitoso com os alunos, mas não abro mão de repreender quando o comportamento é antiético. Minha amizade se manifesta de forma diferente. Ter boas relações em sala de aula passa pelo fato de cada um saber qual é o seu papel no processo educativo. Mesmo assim, não impede que os alunos coloquem apelidos carinhosos como "Xandão". O carinho vem através do respeito ao mestre.
Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento?
Espaços para pesquisa e criatividade. O que demanda modificar a escola fisicamente e o ensino de forma geral, começando pela qualificação dos professores.
Qual é seu critério a respeito de pôr tarefas para a casa e sobre pontuação?
Tem que ter tarefa para casa. E se o professor não exige, os alunos devem ter a compreensão que estudar não é algo que se faz somente em sala de aula. A pontuação sempre será injusta, mesmo quando é conceito (A, B, C, D e E). Talvez apenas expressões "aprovado" e "reprovado" sejam menos injustas, mesmo assim são terminais.
É possível ensinar/aprender criatividade? Como?
Alunos criativos se consegue através de dois fatores: a) liberdade para criação, para o erro e o acerto; b) estímulo através de bons equipamentos escolares e de professores comprometidos com ambientes democráticos e qualificados. Ambos os fatores são complexos e exigem esforços diferentes, daí a dificuldade para criar ambientes propícios para a criatividade.
Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina?
Não costumo ter problemas de disciplinas muito graves. Apenas coisas cotidianas. Minhas posturas não dão margem para abuso. E ainda sim tenho boa relação com os alunos.
Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula?
É complicado. A individualização do ensino em salas de aula com 40 alunos é um discurso antigo, mas de difícil execução. O ensino atual é massificado e inevitavelmente as individualidades se perdem diante da necessidade de ensinar tudo para todos ao mesmo tempo.
Que significa para você aprendizado colaborativo? Como o põe em prática?
As redes sociais possibilitam a aprendizagem colaborativa. Tenho trabalhado com blogs na organização de atividades curriculares. Mas ainda falta aprofundar essa experiência.
O que você espera de seus supervisores? Que qualidades você valoriza na pessoa que dirige o centro?
Liderança. Capacidade de diálogo. Organização. Flexibilidade. Auto-crítica.
Que assuntos a debate sobre ensino são de maior interesse para você?
Preconceitos de forma geral. Sistema econômicos e alternativas. Movimentos sociais. Lutas por direitos civis e econômicos. Desenvolvimento sustentável.
Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos?
Não. Nenhum professor deve ganhar mais do que outro por cumprir sua funções. E ensinar bem é sua função. Aprovação é consequência desse trabalho bem feito. Existem os que não ensinam bem? Sim. Mas esses devem ser avaliados através de instrumentos imparciais e objetivos, podendo ser demitidos sim. Mas antes disso tudo é preciso criar as estruturas necessárias, resgatar os salários e oferecer condições adequadas de trabalho. Profissionais mal pagos, stressados e desrespeitados não podem "pagar o pato" por um sistema injusto e desorganizado.
Além de mais recursos, que falta nas escolas de nosso tempo?
Compromisso dos educadores, gestores e autoridades públicas. Educação é mais do que dinheiro, prédio e material didático. Com mais recursos e organização resolvemos boa parte dos problemas estruturais. Mas e a motivação e a qualidade do que é feito em sala de aula e na escola como um todo? Esse será o novo desafio: investir no profissional da educação.
Como é a tecnologia que você utiliza habitualmente nas aulas?
Vídeos. Os computadores do laboratório de informática. Google Docs. Blogs. Aparelho multimídia.
Em frente às novas tecnologias, há que reinventar a escola, seus métodos e objetivos?
Sim, a tecnologia permite infinitas combinações e formas de aprender. Contudo, os professores precisam ser qualificados. Não basta ter internet e projetor multimídia se o professor continua ensinando da mesma forma, só que dessa vez projetado numa tela.
Se você pudesse criar uma escola ideal, como seria?
Aberta, mas segura. Onde os alunos escolhem o que querem estudar, mas com responsabilidade e organização. Onde as famílias comparecem e contribuem com a educação dos filhos. Uma escola que privilegia a autonomia e a criatividade. É pedir muito? Na atual conjuntura ainda é uma utopia.
Como você imagina que será uma escola daqui a 20 anos?
Com maior presença da tecnologia. Mas também com sérios problemas do ponto de vista das relações e dos valores se não fizermos nada agora.
Quais são suas metas pessoais? O que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos?
Estar encerrando o doutorado.
Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino?
Tenha paciência. E, acima de tudo, se qualifique para desempenhar a função, pois a história da "vocação" é papo furado. Ninguém é vocacionado o suficiente para desempenhar uma profissão sem qualificação e formação rigorosa. Mesmo o melhor "comunicador" (que aparentemente pode parecer um bom professor) perde a "moral" diante de um aluno questionador e bem informado. E perde a moral também quando diz coisas que somente reproduzem o senso comum, os preconceitos e estereótipos. Docência é forma e conteúdo, ambas passíveis de serem aprendidas.
 

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Alexandre Protasio
Rio Grande - Brasil


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© Alexandre Protasio
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