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Entrevista a:

Maria Bernadete Silva Albino [berninha] 



EDUCAÇÃO
Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem?
Eu ensino as matérias de Ensino Religioso, Português e Arte em uma Escola Pública de minha cidade. Meus alunos são do ensino fundamental, na faixa-etária dos 11 aos 15 anos.
Algum link onde possamos ver que você faz ou o centro onde você trabalha?
Como a matéria de Ensino Religioso não conta com material didático e a maioria dos professores não tem subsídios para organizar suas aulas, eu me propus a criar o blog do Ensino Religioso e aos pouquinhos ir inserindo algum material que tenha dado certo nas minhas aulas e que possa motivar e dar idéias a outros professores que acabam assumindo essa disciplina só para completar a carga horária. Muitos ficam perdidos porque não tiveram a mínima formação para ensinar essa matéria. O meu blog é www.ensinoreligiosoemfoco.blogspot.com
Aos poucos estou conseguindo enriquecê-lo. Graças a Deus!
Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora?
Acho que a vocação de educadora nasceu na infância. A admiração pelas professoras, a participação nas atividades eclesiais como catequista, animadora de grupos, coordenadora de estudos bíblicos,...tudo isso levou a direcionar meus estudos para área da educação: Escola Normal, Curso de letras, Capacitações diversificadas e assim por diante.
Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê?
Não houve um mestre ou mestra mais influente do que outro. Sempre procurei ver o melhor de cada um que passou em minha vida escolar, acadêmica. Eu seria injusta com os demais se citasse o nome só de um ou de outro.
Como você definiria sua filosofia docente?
A minha filosofia docente, acho que seria o seguinte:
Dê o melhor de si em tudo o que fizer. Não despreze o conhecimento das outas pessoas. Elas tem muito a contribuir com o seu. E ,acima de tudo, respeite a pessoa humana em toda sua plenitude.
Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você?
Acho que o maior desafio para qualquer profissional é trabalhar com as diferenças e lidar com conflitos. Não é fácil, porém, altamente enriquecedor. Quando se consegue um ponto de equilíbrio em alguma situação, todos saem fortalecidos. E essa recompensa é ótima!
Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as?
Procuro estabelecer uma relação de respeito, diálogo e amizade.
Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento?
Recentemente, eu vi uma reportagem exibida na tv globo,não lembro bem em qual programa, dizendo que muitas pessoas não seguem seus estudos por absoluta falta de interesse. E isso é assustador para um país que quer se desenvolver. Fico preocupada e é perceptível nas escolas, principalmente em reunões de conselho de classe, quando os professores dizem a uma só voz sobre a falta de interesse e curiosidade de nossos alunos. Quanto ao segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento eu não sei. Porém enquanto educadora, acredito que não posso deixar de acreditar nos alunos. Faço o melhor que posso ,mesmo não sendo o melhor que existe. Para infundir curiosidade eu utilizo alguns maneiras aprendidas através das leituras que tenho feito. Devolver a pergunta ao aluno, pedir para pesquisar e apresentar o fruto de sua pesquisa, promover debates em torno de um tema polêmico, etc. Quando vocês tiverem o segredo, não deixem de me contar, tá?
Qual é seu critério a respeito de pôr tarefas para a casa e sobre pontuação?
Acredito que a tarefa de casa tem sido uma maneira de forçar uma rotina de estudo para o aluno. As tarefas de casa, dependendo da faixa-etária, são um tormento para as crianças e pais. Acho que é importante sim, mas tem que ser significativa para o aluno. Uma tarefa não deveria ser algo difícil de realizar, mas desafiante. Muitas vezes, quem faz a tarefa não é o aluno e sim, a mãe, a tia, um primo. Acho que deve ser uma variação do que foi visto em sala de aula, com o acréscimo desafiador. Sobre a pontuação nos textos, a conversa pode ser individual com o aluno. Pedir pra reescrever o texto, melhorando nos pontos grifados em grafite pela professora. Reserva-se uma aula para revisar algumas regras gramaticais se for o caso de ser um problema com a turma toda.
É possível ensinar/aprender criatividade? Como?
Acho que sim, através da observação e interação. Todo mundo tem criatividade. O precisa ser feito é abrir-se à emoção, ao sentimento. Deixar a mente aberta ao novo tando para receber quanto para oferecer.
Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina?
Atualmente,eu me faço respeitar pelo silêncio! (por que antes eu gritava pedindo silêncio, não vou mentir). Mas depois de ter lido alguns livros de Augusto Cury eu mudei. Se eu chego na sala (na maioria das vezes é assim) a turma está muito barulhenta, simplesmente páro e fico olhando para cada um deles, em pé, braços cruzados e espero que se acalmem. Não respondo a nenhuma pergunta. Com gestos peço que sentem. Quando eles se acalmam eu digo o quanto de tempo que perdemos. Conto uma históra, que geralmente é uma lição de vida e prossigo com a aula. Fazendo assim fico menos estressada e poupo minha voz.
Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula?
Acho que a melhor maneira de lidar com diferentes níveis dos estudantes é com traballho em grupos. Grupos de dois, três ou mais alunos podem interagir muito bem. Também não deixo de ver o trabalho individual. Na hora da avaliação isso conta. Tem estudante que trabalha melhor sozinho e outros trabalham melhor em grupo. Gosto de promover situações em que eles tenham que expressar-se oralmente. Muitos não gostam no início, mas depois melhoram.
Que significa para você aprendizado colaborativo? Como o põe em prática?
Acho que o aprendizado colaborativo é o que realmente enriquece o nosso conhecimento. Acredito muito que a interação entre estudantes, professores, e todo o segmento escolar é o link para o desenvolvimento da cidadania. Faz nos sentir parte do todo entende? Como ponho em prática? Promovendo abertura do diálogo, ouvindo as opiniões dos alunos. Solicitando trabalhos que exijam a participação de família, de outros professores parceiros, pessoal de apoio, comunidade escolar como entrevistas, aula-passeio, pesquisas com roteiro pré-elaborado, etc
O que você espera de seus supervisores? Que qualidades você valoriza na pessoa que dirige o centro?
Dos supervisores eu espero parceria. Nos dirigentes eu valorizo a maneira de tratar as pessoas, o respeito.
Que assuntos a debate sobre ensino são de maior interesse para você?
Acho que avaliação, projetos pedagógicos, aprendizagem significativa, auto-estima são os que mais me atraem.
Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos?
Isso é polêmico. Se eu tenho uma turma pré-selecionada, com alunos bons, claro que os resultados serão bons também. Mas se a turma já é defasada, com histórico socio-econômico baixo, desestimulada, a situação complica. E o resultado pode não ser o almejado. No final das contas o fracasso escolar, estatisticamente recai nos professores, como se a estrutura familiar, social, econômica, religiosa não interferisse também no desempenho do aluno. Eu, pessoalmente não concordo isso. Quem tem o melhor vai ter sempre mais. Acho que o incentivo econômico para uns e outros não, gera competição, individualismo.
Além de mais recursos, que falta nas escolas de nosso tempo?
Acho que a família está desvencilhando-se de sua obrigação e querendo que a escola faça tudo por ela: Dê comida, material, fardamento,remédio, banho, ensine não só ler e escrever mas ensine a ser gente, ter responsabilidade, amar, respeitar. Foi-se o tempo em que todos diziam que "a Escola é a continuação da família". Os valores morais não estão sendo mais cultivados pelas famílias, muito menos respeitados. Então a Escola quer também fazer o papel dos pais mas não pode porque o trabalho da família na formação da criança, na minha opinião,é insubstituível. Acaba que a Escola não cumpre nem o dela nem o seu.
Como é a tecnologia que você utiliza habitualmente nas aulas?
Depende do que se entenda por tecnologia. Para mim tecnologia é tudo o que pode facilitar a vida das pessoas, não necessariamente o computador, pen-drive,mps da vida. Na minha sala de aula uso textos, quadro branco, tiras, material lúdico, visitas ao laboratória de informatica, recursos do Windons como paint, word, retroprojetor,cartazes, som, tv, dvd.
Em frente às novas tecnologias, há que reinventar a escola, seus métodos e objetivos?
Quando eu percebi que o que meus alunos conversavam, eu não estava entendendo, percebi que estava ficando pra trás. Era uma analfabeta digital. Então resolvi correr atrás do prejuízo: curso de informática, especialização em tecnologias da educação, aquisição de computador, pen-drive, criação de blogs, trabalhos via e-mails, participação em projetos que envolvem tecnologia aplicada a educação....etc Acredito que todo professor,pelo menos até os da minha época, têm que correr atrás, porque os novos já nascem inseridos no mundo digital.
Se você pudesse criar uma escola ideal, como seria?
Acho que a escola ideal descrita por Augusto Cury é perfeita. Onde o diálogo e a colaboração e o respeito de todos é a chave para tudo. Onde todos se sintam felizes e sedentos de conhecimento. Onde professor é valorizado, aluno é valorizado, a família cumpre o seu papel.
Como você imagina que será uma escola daqui a 20 anos?
Imagino uma escola em que cada aluno tem seu laptop para pesquisa. Em que as escolas sejam em tempo integral, aproveitando um turno para atividades esportivas e artisticas. Professores mais valorizados financeiramente. E mais felizes também.
Quais são suas metas pessoais? O que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos?
Gostaria de estar fazendo mestrado a distância, além de continuar a curtir minha família e meus amigos.
Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino?
A pessoa que quer se dedicar ao ensino deve ser uma pessoa altruísta, perseverante, humilde, dedicada , paciente e só pensar em dinheiro por último.
 

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