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Entrevista a:

Biattrix [biattrix] 


CRIATIVIDADE
Como uma pessoa como você começa a ser criativa e por quê?
São várias as respostas: desde pequena minha família me estimula a dar diferentes respostas a uma pergunta. Ainda na infância, tive acesso a uma vasta biblioteca. Comecei rabiscando revistinhas da Turma da Mônica, Tio Patinhas, Mickey... brincava de recortar as HQs e montar a minha própria história. Acho que assim, a minha curiosidade foi muito bem alimentada... Cresci interessada no outro, nas vivências, no ser humano, pensei até em fazer psicologia. Com isso, aprendi que cada um tem filtros únicos, o que torna a realidade pessoal e intransferível. É lógico que a cultura, a educação, as generalizações acabam por pasteurizar, ou tentar igualar, os filtros pessoais. Mas isso é outra longa história... Às vezes acho que a tal criatividade é um ato de rebeldia. A gente não se conforma com as coisas do jeito que são/estão - daí faz diferente.
Você poderia se apaixonar por uma idéia ruim só porque é sua? Como você evita isso?
É mais fácil se apaixonar por uma ideia boa, mas com pouco potencial de realização (e por isso ela acaba sendo ruim, por não resolver o proposto) do que por uma de todo ruim. Mas, sim, em algum momento a gente se apaixona por uma ideia qualquer, só porque é nossa filha. Aí, é só chamar o bom senso de volta e focar no objetivo.
Com que critério você seleciona alguém com quem formar equipe criativa?
Procuro trabalhar com quem eu gosto. Porque a gente acaba passando mais tempo com essa pessoa do que com a família, filhos, amigos, namorado... Então, tem que ter afinidade, sintonia. Melhor quando o outro é diferente: tem outro ponto de vista, expertise, técnica. Procuro escolher quem possa potencializar o todo, o conjunto.
Você trabalha bem sob pressão?
A gente aprende a trabalhar sob pressão - é algo que o mercado nos impõe. Se é necessário, tenho minhas dúvidas. Mas, ninguém entrega o seu melhor sob pressão. É o preço que se paga.
Que cidade do mundo o atrai por seu ambiente criativo?
Toda cidade tem suas particularidades também no quesito ambiente criativo. O Rio de Janeiro é criativo ao extremo! Seja na arquitetura dos “puxadinhos”, na forma de uma imensa população ganhar a vida, na lábia do malandro, na moda, nas gírias... Como minha mãe dizia, retire os antolhos, amplie seu olhar. Aí você vai ver. Existe criatividade em todo o lugar.
Você é tão boa como sua última idéia. Você não gostaria de ter um trabalho mais seguro?
O que é segurança, afinal? Se é a certeza de um salário no final do mês, sim, por um lado seria ótimo ter esta certeza. Mas, até o emprego com carteira assinada, com todas as regras da CLT, é inseguro, incerto. Tudo mudou. Até a forma como a mudança acontece! Antes, levava um tempo até atingir uma massa crítica, o ponto de alavancagem - aí as coisas mudavam. Mais um tempo para a poeira se assentar e as pessoas fazerem do novo modo, até “aquilo” se tornar o comum... Hoje, a fórmula é a mesma, mas o tempo de resposta diminuiu muito: tudo-acontece-ao-mesmo-tempo-agora. E se você busca segurança no comum, esqueça: isso é ilusão!
ESCREVER
Como você começou a escrever? Quem lia para você ao principio?
Lembro da minha mãe incluir nas compras semanais revistinhas do jornaleiro que ficava na entrada do hortomercado. Era o jeito dela de incentivar a leitura, embora isso tenha começado muito antes d’eu saber ler! Ela lia para mim e eu usava as figuras para inventar minhas próprias histórias. Sempre fiz isso. Lembro de brincar de fazer livros para as minhas bonecas! Outra coisa que lembro é do meu pai sempre lendo algo: jornal, revistas, livros grossos. Sempre.
Qual é seu gênero favorito? Algum link onde possamos ver ou ler algo sobre sua obra recente?
Leio de um tudo! Até bula de remédio. Adoro as obras fantásticas. Alice no País das Maravilhas, Admirável Mundo Novo, O Senhor dos Anéis... e por falar nele, só descobri Tolkien com 21 anos. Durante a Páscoa, passei muito mal mesmo. Melodramática, pensei no pior dos diagnósticos. No fim, a mais branda hepatite me deixou um mês de repouso. Ao sair do consultório, parei em uma livraria e pedi o livro mais grosso que tivesse. O cara veio com três volumes enormes do Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Todos em português de Portugal, disse ele. Saí da loja com quase 2 mil páginas e uma nova paixão. Agora, gosto é de livro que me prende do início ao fim. Aquele que você não consegue deixar de lado. Ainda não me aventurei a escrever um romance. Só contos, crônicas e poesias livres, que publico em biattrix.com.br.
Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever?
Costumava brincar que eu não escrevia, psicografava. Até levar uma bronca da analista. Ela dizia que eu desmerecia meu processo criativo. Então tá, né?! Não tenho uma fórmula para escrever. Nem um ritual. Muitas vezes um texto surge inspirado em algo que vi ou li em um lugar qualquer. Às vezes, uma palavra dita de determinada maneira desencadeia o pensamento e, pronto: tá lá o texto. Quando é algo encomendado [o que acontece muito, porque sou redatora!], procuro associar palavras, sensações, coisas... tipo ligar os pontos. Pesquiso o que outros já falaram sobre o tema, que no meu mercado tem nome bacanudo: benchmark. O que vai dar a direção é o briefing do cliente - o que quer atingir, o público, o veículo. Tudo é variável que influencia a criação.
Escreve como terapia pessoal? Os conflitos internos são uma força criadora?
Escrever, para mim, é a melhor terapia que existe. E todos deveriam praticar. Tenho um ritual que aprendi em um curso de criatividade: escolho um caderno que me agrade, bonito mesmo. Procuro uma caneta macia e uso sempre o mesmo horário e canto da casa (minha cama!) para escrever. Normalmente à noite, para “fechar” o dia. E escrevo umas quatro folhas do caderno sem julgar ou pensar ou analisar ou criticar ou corrigir e sem tirar a caneta do papel, quase em um único fôlego. Outra coisa: não leio nada na hora, só depois de um ou dois meses. Esse é o meu escrever terapêutico. Sobre os conflitos internos, bem, eu acredito que tudo o que vivi - de bom ou de ruim - me trouxeram até aqui: ao agora. É como todas as experiências formassem um acervo para consultas futuras. O que não vivi, eu invento.
O feedback dos leitores serve pra você?
Sim. Todo feedback é interessante. Procuro ouvir as críticas com muito mais atenção, porque receber elogio é fácil, não?
Você acredita ter encontrado "sua voz" ou isso é algo eternamente buscado?
Acho que sempre vou buscar essa voz... embora alguns amigos digam que escrevo de um jeito muito particular, ainda não identifico como a “minha voz”. Ou melhor, mesmo que seja, procuro sempre evoluir.
Você escreve na tela, imprime com freqüência, corrige em papel...? Como é seu processo?
É engraçado esse processo: papel, hidrocor e notebook. Faço mapas mentais e estou sempre rabiscando alguma coisa. Algumas vezes, esse rabiscar é só na minha imaginação. Quando encontro a linha condutora, passo para o notebook. Por princípio, raramente imprimo algo para corrigir. É [quase] tudo na tela.
 

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