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Entrevista a:

roberto pereira de souza [bobydesouza] 


JORNALISMO
Qual é sua especialidade? De que assuntos você trata?
consultor de mídia estratégica e cubro assuntos políticos.
Em que meios você trabalhou?
Estado de SPaulo (16 anos), Abril , CBS-USA, TVN-USA, Globo e faço frilas de investigaçao para quem precisar.
Um endereço web onde possamos ver algo sobre você?
interessante: meu acervo está no Estadão (pretendo recolher parte para fazer um livro, cobri esportes pelo mundo a fora). tenho um blog. e uso o tt diariamente, como vc já descobriu. blogspot.com/rxsouza o blog está destualizado pq tenho tuitado diariamente. enfim, podem checar alguns textos meus, por lá.
O que é noticia?
Notícia é um fato (novo ou velho) que pode interessar a um ou mais grupos de pessoas. Falei de novo ou velho pq o jornal de hoje cedo já foi lido onttem à noite por quem se antecipa e se conecta o dia todo. (meu caso, por exemplo).
O que é para você a objetividade?
Objetividade é um conceito necessário e discutível de se abordar um tema. De maneira objetiva, posso dizer que uma matéria é de boa qualidade jornalística se não induzir o leitor a ter a opiniào de quem a escreve. A reportagem objetiva ouve mais de uma fonte, não trai o entrevistado, n usa adjetivos (ou controla seu uso rigorosamente) e trata apenas de informar: quem/o quê, quando, onde e como aconteceu o fato narrado.
Qual é a melhor manchete que você leu?
Tenho tempo na estrada de leitura de jornais pelo mundo. Me lembro de uma do Jornal de Notícias ( o nome já é curioso). Estava investigando uma história em Portugal no aniversário da Revoluçao dos Cravos, em 88. O arquivo da PIde, polícia secreta de Salazar, permaneciam fechados. Havia muita discussão sobre se os arquivos seriam abertos no dia do aniversário da RC. Fui ao jornal para saber: Em páginas centrais, o DN publicou: Arquivos da Pide permanecem fechados até serem abertos Adorei e até hoje me lembro. Gostei da manchete do Extra, dividida ao meio. A veja tentou copiar o Extra e dividiu sua capa esta semana tb.
Qual é a manchete que você gostaria de ver algum dia nos jornais?
Brasil é elogiado na ONU por acabar com analfabetismo
Que jornal você compra aos domingos? Onde você o lê?
Leio 3 ou 4 jornais diariamente. Assino pela internet: Globo, Folha, Estado de SPaulo, NYTimes, Washington Post
A liberdade de expressão acaba onde começa a linha editorial da mídia?
Não acho que a liberdade de expressão deva terminar sob nenhuma hipótese ou circunstância. Precisamos ter jornalistas mais preparados para o exercício da profissão. Acho que os meios de comunicação podem e devem ter editoriais que representem os interesses dos grupos. Não acho legal que esse alinhamento se estenda às reportagens. Reportagem é terra livre de contamina çao política e deve ser absolutamente responsável do ponto de vista social. O editorial pode ser um pensata. A reportagem, jamais.
O jornalismo de analise e investigação está se perdendo?
Sou jornalista investigativo. Tenho um prêmio Esso por isso e respeito esse trabalho como nada neste universo profissional. Cito um exemplo: Paulo Preto foi encontado ou ele encontrou o jornal Folha de S.Paulo. Dá no mesmo: a matéria teve uma grande repercussão por seu forte conteúdo. Onde estão dois ou três jornalistas é onde n está a notícia, a grande matéria do dia. A prática diária deveria formar vários jornalistas investigativos. Mas uma questão de DNA profissional e pessoal talvez determine que: como os cachorros, alguns homens farejam mais que outros. Outros, alem do faro, tem um GPS de busca que encurta os caminhos. Daí pq uma grande matéria investigativa só poder ser concluída por quem sabe investigar como segunda natureza e alma. É um ato canino de fareja e olhar o mundo.
Com uma câmera em cada telefone, cada cidadão se transforma em um correspondente?
Em tese, sim. Mas na prática vc terá que checar o conteúdo apurado com lupa. Uma imagem falsa pode ser captada e ser vendida como verdadeira por quem n é jornalista. Câmera no telefone é mídia. N é conteúdo. Esse é o erro de boa parte do jornalismo online. Pouca estrada, muita rapidez, conteúdo frágil.
Como você explica o auge do jornalismo dedicado ao show business?
O mundo parece saborear celebridades todos os segundos. Pode ser uma bolha, como a dos empréstimos imobiliários norte-americanos, mas ela está aí. Jornalismo é também um negócio e como tal deve (sem comprometer seu core business) atender à demanda dos leitores interessados no show business. Leio sobre tudo e só guardo aquilo que me interessa. Se há leitores para um tema, bom que haja um jornalista para atendê-los.
Qual é sua posição sobre o direito dos famosos a sua intimidade?
Intimidade é coisa séria. Ser famoso também. Todo cidadão tem direito a preservar sua intimidade. Mas aqui há uma luz tênue entre o homem público, que tem fama, (político ou não) e o homem comum. A amante do presidente pode interessar sob reservas e depois de horas de reflexão. Isso vale para todo mundo que é notícia. Famoso ou não todo mundo tem direito a preservar sua intimidade. Em algum momento, isso tudo pode virar notícia: aí, entra o profissional com dentiçao completa para discutir o tema na redação e ver se o caso vai e como deveria ser publicado. Privacidade é tema livros, filmes, processos de corrupçao...Tema muito saboroso, por sinal.
O que você pode nos ensinar sobre a arte da entrevista?
Sem pretensão de ensinar ninguém, penso que a entrevista seja o momento dos nascimento e morte do repórter. A vida dele como profissional pode demorar alguns segundos, se ele errar a abordagem. Saber perguntar é mais difícil que fazer piada ou escrever sobre humor. Perguntas devem ser fruto de pesquisa prévia. O conhecimento prévio do entrevistado determinará a qualidade da pergunta. O tom de voz também deve ser amigo e pouco inquisidor. Na verdade, o jogo é de sutiliza e objetividade. Por simpatia ou ncessidade um entrevistado pode lhe dar o mapa da mina. (Exemplo: Paulo Preto na Folha e Roberto Jefferson - mensalão). Entrevista para TV é totalmente diferente da entrevista para meio escrito (impresso ou digital). A primeira exige clareza e perguntas chave: vc matou sua mulher? vc enviou dinheiro ilegal para o Exterior? o senhor mentiu para a opinião pública? O meio impresso tem mais tempo (menos a cada dia, reconheço) mas a objetivade e o respeito devem ser mantidos em qualquer caso. Em uma entrevista, a credibilidade do repórter pode ser checada n os primeiros dez segundos. Tudo está à prova. Jogo de adrenalina, simpatia, credibilidade e distanciamento.
Pessoas famosas que você entrevistou
Trabalhei muito anos com esportes/política para o Estadã. Entrevistei Pelé (2 vezes), Mike Tyson (2 vezes) Carl Lewis (uma vez), Emerson Fittipaldi, Emerson Piquet, Ayrton Senna, Silvio Santos, José Serra e mais de uma dezena de pessoas ligadas a temas que eu investigava: traficantes, delegados, agentes da Cia, DEA, ministros acusados de crimes de colarinho branco. Investiguei o caso da Escola Base em 94 e ganhei um Prêmio Esso. As seis pessoas envolvidas me trataram muito bem para que pudesse invadir a dor delas e contar parte do drama de cada uma.
O jornalismo blog está revolucionando a profissão?
Absolutamente, sim. O blog é mais aquecido que qualquer meio de comunicação. Aqui, o q conta é a credibilidade de quem escreve. quanto maior a credibilidade do blogueiro, maior será sua penetração. Claro, há bloqueiro que, tudo indica, ainda estão na luta por 100 mil seguidores. É uma questão de tempo. O blog é uma ferramenter altamente especializada. No meu caso, só leito quem sabe escrever.
O jornalismo de papel desaparecerá?
Está diminuindo a cada dia o número de leitores dos impressos. Vivemos essa transição. Não creio que vá desaparecer. Antes, creio que vai se alterar completamente. Com uma paisagem mais atraente aos olhos.Quem sabe o jornal n se transforme em uma ediçao temática semanal. Uma história mais sólida e detalhada que não pode ser contada na internet, certamente poderia ser publicada por um jorna ou revista. Cabe ao jornalistas dos impressos descobrir meios para deixar o produto indispensável. Uma boa matéria transforma jornais diários em centenários. Acho difícil um jornal com boas matérias desaparecer.
O que você pensa de imprensa gratuita que se distribui nas cidades?
Gosto disso também. O problema é saber se realmente o conteúdo distribuído atende socialmente. Posso publicar dez páginas por dia sem dizer nada que interesse. É grátis, pego na calçada mas....não me informa. Aí, acho uma bobagem. Se for bom para a comunidade envolvida, acho bom o projeto pq amplia a base de leitores e chama agências de publicidade. N tenho muita informaçao sobre isso, mas arriso a dizer que o projeto pode ser sustentável, sim.
Qual é o livro que você gostaria de escrever?
Sobre João Havellange. Estou escrevendo, na verdade. Outro sobre um homem que acorda e descobre que está na terceira idade. A descida está logo ali.
Algum lema ou principio ético esclarece suas decisões em momentos de confusão?
Sempre sigo a ética para definir minha vida pessoal e profissional. Entrevistei traficante de armas que trabalhava no Irã. Marquei a entrevista por telefone internacional. Embarquei e nos encontramos em MIami. Nunca tínhamos nos visto. O q eu disse a ele: eu não prendo e não solto ninguém. Só conto histórias. Sob nenhuma circunstância eu distorcerei o que vc me disser. Aceitou. Na confusão, sigo o caminho mais ético e simples.
Que conselho você dá a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão?
Jornalismo, médico, piloto de avião, taxista e cozinheiro tem uma coisa em comum: quando erram, alguém se machuca fisica ou emocionalmente. Algumas lesões ficarão para sempre, com o ocorreu no caso da Escola Base. O jornalista não é dono da verdade nem da vida das pessoas. O iniciante precisa de um mantra diário para completar sua dentiçao e produzir crebilidade. O iniciante deve ler até rótulo de detergente, n ter preguiça de pesquisar a fundo os mais variados e difíceis temas; o iniciante n deve acreditar no entrevistado sem cruzar informações delicadas, mais de uma vez. Contar uma história é fazer uma declaraçao de amor. O contador tem que ter ritmo e brilho nos olhos.
 

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© roberto pereira de souza
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