Entrevista a:Vitor Rosalem [brifando]
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 | Qual é sua especialidade? Criatividade, contato, investigação...? É criatividade, contato. Quando escolhi publicidade para a vida já sabia que escolheria algo pra sempre. Pode parecer piegas, mas a publicidade está na vida de todos desde muito pequenos. E não é a toa que lembramos de muitas delas até hoje. Uma vez, no colégio, era pra se criar um cartão de Natal com qq material que quisesse. Lembro que além do material normal que todos usavam, eu ilustrei uma vela com cera de verdade, com os pingos da cera. Uma amiga chegou e disse: " Vitor, como você é inteligente, criativo" Fiquei com aquilo na cabeça e não parei mais. Mas claro, acredito que muita gente é criativa, mas não sabe. O contato com as pessoas é algo fascinante que também as pessoas disperdiçam. Não sabem que isso as faz melhores, mais visadas, mais atentas, mais felizes até. Aprendi isso cedo. |
 | Algumas marcas/clientes para os que você trabalhou ao longo de sua carreira Ufscar
USP
Isca Faculdades
Shopping Piracicaba
UNIP
Visconti
AVR Engenharia
Dedini
Unimep
Tânagra
Oz Produtora
EDG |
 | Você tem um blog ou página web? |
 | O que seus clientes valorizam: a estratégia, a criatividade, o design, ou o ROI? Sem dúvida a estratégia, só funciona bem quando a criatividade é boa. De nada adianta você ter uma ótima estratégia, se teu público não gostar do que foi criado. O ROI também é importante, mas não refuta um futuro para a propaganda. Se for bom, o cliente analisa melhor, mas não deixa de aprovar o job. |
 | A palavra criatividade é protagonista na linguagem dos publicitários, mas a maioria dos anúncios são medíocres. Por quê? É aquela coisa que todo mundo um dia já ouviu: " A pior coisa que pode acontecer á um produto ruim é uma boa publicidade". Do briefing até o resultado final é um enome caminho que passa por cliente, criação, prazo, aprovação, volta ao cliente e no fim das contas e por pensar nas contas, quem decide acaba sendo o cliente sempre. Quem faz a campanha muitas vezes é ele. Hoje vemos grandes marcas com grandes agências fazendo coisas horríveis e a agência sabe disso. E infelizmente só ela sabe. Cliente acha lindo. Todo atendimento, toda agencia ja passou por isso. Criatividade, prazo, mídia, veículo, agência, atendimento e cliente. Se um deles não andar na linha, o resultado final nunca é perfeito. |
 | É possível que uma má campanha publicitária venda muito? Claro! Só são más campanhas pra alguns e pra outros é fantástica. Principalmente se a marca ja estiver posicionada da mente dos consumidores. Atualmente na TV, estamos vendo uma campanha de um plano de uma operadora de telefonia fixa, horrivelmente péssima. No entanto, pesquisando sobre isso no fim de semana, as vendas aumentaram. Os atores são ruins, a dinâmica também, mas a mensagem está lá. Conseguiram passar. O produto é bom, conhecido, a campanha serviu pra lembrar consumidores que ainda estão lá, só. A diferença está no que poderiam melhorar. Acho que não quiseram ir além. |
 | Que agencias, publicitários ou diretores você acha que são os melhores neste momento? A Fala! me surpreende no Expertise dela em relacionar atendimento pós agência. Fazem um trabalho de acampamento no cliente, treinam os funcionários de seus clientes e com isso podem desenvolver a fundo o que eles vendem por exemplo.
Nizan Guanaes e Celso Loduca são bem interessantes, alguns projetos sociais que desenvolveram me fizeram lembra-los. |
 | O que você responde ao clássico "adoro a idéia, mas não é o momento"? " Porque não? "
Fácil convence-lo depois da resposta.
(levando em conta um briefing perfeito). |
 | O que lhe satisfaz mais: quando quem gosta do seu anuncio é seu chefe, seu cliente, seus amigos ou sua mãe? Minha mãe e meu chefe. Explico: minha mãe é crítica, ja houve muitos jobs que mostrei e ela simplesmente disse que eu sabia fazer melhor que aquilo. Ou seja, apesar de mãe sempre ser mãe ela é sincera, fala mesmo. E o chefe aprovando, ele me ajuda a fazer o cliente gostar. Une seus bons argumentos aos meus. |
 | Como você vê a transição entre a publicidade tradicional e a publicidade online? A on-line acompanha a era. Seria cômico não acompanhá-la. Está onde um publico exigente, antenado, plugado está. E só existe porque a tradicional sempre existiu. E digo mais: sempre vai existir. Assim como a publicidade on-line acompanhou seu target, a tradicional não vai deixar de fazer o mesmo. Os hábitos mudam, os tempos também, as peças mudam quando sao pro meio on-line ou não, mas há espaço para todos. Gosto para todos e meio para muitos. |
 | Os publicitários estão bem pagos demais? Depende. Estão bem pagos e demais é forte pra dizer que sim. Estão sendo pagos. Tem mil cabeças brilhantes por ai ganhando pra pagar aluguel, e outros tantos comprando apartamento. É relativo. A exigência de ganhar sempre mais vem de dentro. Se tem uma idéia minha na tv, no outdoor, na maior revista do país, é claro que vou achar que eu recebi menos do que deveria. É saudável pensar assim, sinal de ego, de auto-estima. |
 | A publicidade é spam? É pra quem não quer recebe-la. Publicidade é spam quando uma campanha começa na TV e você não pode mudar de canal. Isso é spam. |
 | Você mesmo se sentiu enganado pela publicidade? Pela boa publicidade nunca. Propaganda tem que levantar o produto, não tira-lo do pedestal. Acha mesmo que um cliente paga milhões para ver seu produto rotulado na mídia? Claro que não. Haja visto o próprio cigarro. Quando ainda era veiculado, encontrávamos na revista os prós de entrar "no mundo de Marlboro" e depois no próprio produto os males de seu uso. Quando o produto não é vício para o consumidor, ele tem mesmo que mostrar o que tem de melhor, e só. |
 | O que você mais gosta de trabalhar em publicidade, e o que você menos gosta? Da anti-rotina que existe. De idéias novas, da necessidade disso todo o tempo. O que atrapalha um pouco é o início de todo estudante. Que se mata dentro de uma agência, ganha-se e pouco, deixa pais e familia em outras cidades pra ser alguém melhor la na frente. Mas também faz parte, tem que fazer. É aprendizado. |
 | Os festivais publicitários ajudam a melhorar a indústria, ou são só uma elite fazendo homenagens? É um fusão dos dois, uma troca bem interessante aliás. Por um lado mostram seus trabalhos, expoe seus clientes, marcas e se estão lá é porque de alguma forma foram bons. Só há espaço na elite, pra quem é bom. Isso convenhamos, é verdade. Vemos isso. |
 | Quando você seleciona um bolsista para trabalhar em publicidade, qual é a qualidade que você mais valoriza? A comunicação, o sorriso, entonação de voz e olhar. É isso que eu preciso pra contrata-lo. O resto eu já sei pelo curriculum. |
 | As marcas como geradoras de conteúdo poucas vezes triunfaram. O mundo online é diferente nesse sentido? Interatividade é a chave. Vemos isso hoje e não importa muito onde a comunicação vai. Tem que fazer com que seu target (já que é seu), fazer parte de você. Pode ser dificil, trabalhoso, mas é necessário. O mundo on line hoje usou a interação como ferramente até porque já a tinha. O que é preciso são as marcas se adequarem a isso. Só tem a ganhar. |
 | As pessoas compram a imagem do produto tanto como ou mais que o próprio produto? A imagem é o impacto primeiro. O "feio mas é bom" deixou de existir. Se é bom, o mínimo que o produto precisa ter é sua imagem. É a mesma coisa quando você pensa em contratar um profissional de atendimento. O cara pode ser O CARA, mas se aparecer na tua sala de bermuda e havainas você deixa de compra-lo (mesmo que a conta seja sua). Não compram mais que o produto, mas certamente compram primeiro a imagem. |
 | Sua experiência com a investigação qualitativa lhe serviu para descobrir caminhos ou mais para matar boas idéias? Andam juntas. Mas a qualidade tem sempre que falar mais alto. Guardar ideias para um depois, nunca foi motivo de vergonha. E descobrir caminhos é o que há na profissão, em qualquer uma. |
 | Impacto! Esse é o principal barema para julgar o trabalho de um publicitário? É ! Qualquer pessoa leva apenas segundos para entender tudo. E se entende, dá resultado. |
 | Quais são os erros mais comuns que os clientes cometem ao julgar a criatividade? Sem dúvida, são conceitos pessoais. Principalmente em empresas tradicionais, que começaram com uma propaganda boca a boca, onde muitas vezes o cliente usa isso como argumento (!). Mas cabe a agência sem dúvida, fazer com que o cliente acredite em você nessa hora. Quando isso se inverte, há algo errado. |
 | Um publicitário pode se comunicar bem com pessoas de outras gerações ou culturas que não são a sua? Um publicitario, um advogado, um morador de rua. Qualquer um pode. O segredo está na comunicação. Se ele é inteligente, estuda e se interessa, ele vai parar em Roma e vira Papa. |
 | Em publicidade, o que é mais eficaz: insistir ou surpreender? Surpreender. É um dos papéis da publicidade. Quando você acha que já acabou, ainda temos de ter um monte de estratégias no bolso. Insistir é consequência. |
 | Um candidato político é o mesmo que um produto? Retomo o que disse no início: " A pior coisa que pode acontecer a um produto ruim, é uma boa publicidade". Ele é um produto sim. O que muda é o SAC, que nunca funciona. |
 | Como você explica que algumas marcas como ZARA tenham podido se expandir tanto e tão rápido sem publicidade? As leis do marketing estão mudando? É um conjunto: atendimento, aceitação, propaganda e etc. A logística da ZARA é impressionante, consegue ser uma das melhores no mundo no prazo. E coisas assim o cliente nunca esquece. Aliás, o cliente sempre vai lembrar daquilo que ele não esperava que você fizesse. Ele volta para tua loja, fala para os outros, usa a tua loja onde quer que for. E paga fortunas se precisar. Acredito que os consumidores mudem, entendem as leis do marketing.se adequam a isso. São mais exigentes e com isso todos ganham: consumidores, clientes, agências, até a cultura ganha. |
 | Que conselhos você daria a alguém que quer ser publicitário? Leia, leia, leia e leia ! Um bom publicitário, precisa saber da vida, do mundo e sobre você mesmo. Leia sobre tudo: moda, comportamento, crimes, saúde, cultura, cinema, televisão, história, geografia, religiões, arquitetura. Leia o que não gosta também ou o que acha que nunca vai usar na vida. Pode não virar um hobby mas certamente vai te ajudar no mundo. |
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[brifando] Vitor Rosalem São Paulo
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