Entrevista a:Gonzalo [gonzalobr]
CRIATIVIDADE
 | Como uma pessoa como você começa a ser criativa e por quê? Observando as necessidades, separando o que pode ser útil, ou aglomerando o que pode ser bonito. Na verdade nada se cria, tudo se copia, criatividade é ver algo que falta, ou algo que existe mas pode ser melhorado. É observando isso que colocamos em prova a criatividade. |
DIREITO
 | Como se vende a um cliente a estratégia que você ideou para seu litígio? Não se vende. Um operador do direito não comercializa resultados. Não é o advogado que decide a estratégia, salvo que esta seja única. O correto é mostrar os caminhos, e explicar o entendimento juresprudencial atual para os que percorrem aquele caminho. Pelo correto, o cliente mostra o problema, deseja a solução que lhe satisfaz, e o operador do direito tenta atingir essa "justiça", medida com a régua do cliente. Não é o advogado, criando uma estratégia que ainda careça de convencimento do cliente, que vai fazer justiça, pois o entendimento do justo, é pessoal de cada um. |
 | Que razões você tem tido para não pegar um caso? E como o justificou? O bom advogado não advoga qualquer coisa. Explico. Não se pode ser ótimo em todos os campos jurídicos. A empresa e o cidadão precisam um advogado de confiança. Um. E a obrigação moral deste não é defender, nem muito menos ganhar todos os casos do seu cliente. Seu papel é dizer quando pode e quando não pode ser um bom representante; e quando não, é ele que indica e acompanha, traduzindo em palavras claras, as reuniões e audiências realizadas pelo profissional especializado no tema que o vai representar oficialmente.
"Pegar" um caso é dar àquele que te consulta a maior chance possivel de sucesso, advogar é entender o problema, mas também entender como se encontra a solução. Se você não encontra um especialista a quem possa respaldar para seu cliente, não se assume, mas também não se abandona. Se providencia uma lista de escritórios especializados que atuam na região e se fornece ao seu cliente para que estude uma. |
 | A análise de DNA está revelando graves erros judiciais do passado. Isso não é suficiente argumento para abolir a pena de morte? Abolir a pena de morte em que país? No Brasil a pena de morte não existe (bem, ela existe disfarçada numa Lei de Abate Aéreo). Os erros não devem desfazer a necessidade de uma pena efetiva que amedronte o agressor. Mas de nada adianta se o nosso sistema permite que um réu seja confesso de assassinato e entre num tribunal e saia dele, mesmo sendo confesso, porque as "normas permitem". É como dizer que por causa das trocas de crianças nas maternidades deveriamos abolir a enfermagem. |
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