Entrevista a:Guacira Maciel [guaci]
ESCREVER
 | Como você começou a escrever? Quem lia para você ao principio? Comecei, timidamente, na adolescência. Eu era retraída e essa se me afigurou como a melhor forma expressão, sem me expor.
Meus grandes inspiradores foram meus pais. A minha mãe era uma grande leitora; tinha o hábito de ler na cama todas as manhãs até as dez horas; antes disso, depois que crescemos (6 filhos), a casa permanecia na quietude noturna até que ela se sentisse satisfeita.
Meu pai era um poeta!...não costumava comprar cartões de aniversário, de Natal, de Dia das Mães; ele mesmo escrevia lindos poemas. Era também exímio pianista, assobiador e contador de histórias. Tinha o hábito de nos reunir na sua cama (que embora de casal, era pequena para ele mesmo e mais 6 filhos)e contar filmes e "causos" da mágica região onde nascera, a Chapada Diamantina (história que inspirou meu próximo livro, ja iniciado). |
 | Qual é seu gênero favorito? Algum link onde possamos ver ou ler algo sobre sua obra recente? Gosto de escrever poemas, crônicas, releituras de qualquer coisa que leia e venha a despertar aquela comichão que me deixa indignada e/ou com necessidade de dizer o que penso e sinto, como histórias bíblicas, romances, situações do cotidiano...
Tenho um blogue de poesia: www.blig.com.br/gpoetica e outro onde publico releituras: www.gpoetica.blogspot.com
Lancei o meu primeiro livro de poemas na IX Bienal Internacional da Bahia, "Poesia em Verso e Prosa"; tenho trabalho selecionado e publicado pela SAVE THE CHILDREN - Suécia, "Educação para a América Latina nos Futuros Cenários"; já publiquei em vários espaços literários em Portugal e no Brasil, mas me afastei por falta de tempo. Atualmente estou revisando um livro de releituras e análises que lançarei em breve: "Eterno Transitório". |
 | Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever? Meu processo criativo é muito caótico; quase nunca me sento com esta finalidade. Muitas vezes já acordei no meio da noite com um trabalho na cabeça; inclusive, uma vez compus um poema dormindo e quando acordei pela manhã, o escrevi todinho e depois de vê-lo no papel achei que já o havia visto e que poderia ser plágio (risos). Pelo sim, pelo não, tenho sempre caneta e papel na cabeceira... |
 | Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever? Qualquer coisa que me afete profundamente; em relação aos poemas, principalmente, as minhas questões íntimas, como o amor... |
 | Você é igualmente hábil contando historias oralmente? Sim! tenho amigos que me pedem para ler/declamar o que escrevo; dizem que me transformo quando o faço, deixando-os mais emocionados do que quando eles mesmos leem, porque eu conheço a emoção que me levou escrever o texto. Até sugeriram que ao próximo livro junte um CD. |
 | Você se apresenta para concursos? Você recebeu prêmios? Não mais. Ter sua emoção julgada de forma impessoal é injusto. Mesmo já tendo obtido dois primeiros lugares, e três classificações, não participaria mais, não. Imaginem que quando tinha ilusões sobre isso, concorri com, nada menos que um secretário de estado...já imaginaram quem venceu?
Fui agraciada com o título de "Doctor Honoris Causa" pela Universidade Corporativa das Américas com apoio especial da Fundação Iberoamericana (Escritório Central do Brasil). |
EMPREENDEDOR
 | Em que idéia de negócio você está trabalhando agora? Como você teve a idéia? Além do meu trabalho com Educação e estar finalizando o meu livro "Eterno Transitório", presto consultoria a qualquer tipo de empresa nas áreas descritas lá no Gdocumenta.
Bem...muitos gestores não teem um profissional para organizar a Documentação, nem gerir o conhecimento dentro de uma empresa, que além do seu objeto empresarial específico, poderia pensar em agregar outras perspectivas em relação a ele. |
 | Você tem um website, blog, ou perfil social onde possamos ver algo sobre você ou seu projeto? |
 | Qual foi sua trajetória profissional até agora? Que você estava fazendo antes? A minha trajetória profissional sempre foi conhecimento/educação/arte. Trabalho em educação pública (análises/pareceres sobre políticas públicas sistêmicas); trabalhei na UNESCO (Projetos e capacitação de educadores) e em um Centro de Pesquisas, com Documentação. |
 | Descreva seu plano de negócio da forma mais breve e simples que possa fazê-lo. A minha empresa presta consultoria. Eu faço a captação dos parceiros e contrato os profissionais, de acordo com a necessidade, embora eu mesma faça grande parte do trabalho sobre Educação: análise e elaboração de proposta pedagógica; proposta curricular interdisciplinar, palestras e capacitação de professores e coordenadores, e Proposta de inclusão dos conhecimentos da Cultura Africana e de Afrodescendentes no currículo da educação básica. |
EDUCAÇÃO
 | Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem? Formamelmente, não estou mais em sala de aula; minha atividade docente acontece através de capacitação aos professores, coordenadores e gestores das redes municipal e estadual, e particular. Dou cursos sobre Proposta Pedagógica e Currícular; Projetos Documentais, de Educação, de Cultura e Arte;Interdisciplinaridade e Contextualização Curricular; Proposta de Inclusão dos Conhecimentos da Cultura Africana e de Afrodescendentes no Currículo (Representei a Secretaria do Estado no Grupo de Elaboração de Políticas Públicas para a Inclusão Étnica; Coordenei Seminários Estaduais e um Nacional em parceria com o MEC/SECAD- para discussão sobre a referida inclusão). |
 | Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê? Meu grande mestre é Erasmo de Roterdã. O que hoje os iluminados pensam que estão trazendo como novidade, ele já pensava, e disse; basta ler "De Pueris". Por exemplo, quando dizemos como grande novidade, que é preciso valorizar o conhecimento prévio do estudante (não, o aluno= sem luz), Erasmo já se referiu como "fazer sair pelo trato...". Ele também nos fala "de como os animais repassam aprendizagem", entre outras coisas. Fantástico educador! Embora seja mais conhecido pelo "Elogio da Loucura" (não menos genial). |
 | Como você definiria sua filosofia docente? Aquela em que se estimula a construção/fortalecimento da identidade dos jovens, tendo como princípio fundamental a diversidade (ampla). A juventude é um fenômeno complexo, e lidar com ela, paradoxalmente, pode começar com o acolhimento. |
 | É possível ensinar/aprender criatividade? Como? Não se ensina criatividade; estimula-se o jovem a criar, a descobrir o que sua alma já carrega em estado de latência. Já citei o que nos ensina Erasmo de Roterdã acerca de como lidar com o conhecimento prévio (aquele construído fora da escola): "fazer sair pelo trato"; com a sensibilidade, a criatividade é a mesma coisa...cabe ao professor encantar a criança/o jovem, mostrar-lhe que é capaz. |
 | Que assuntos a debate sobre ensino são de maior interesse para você? A gestão do conhecimento. Me deixa angustiada a riqueza de conhecimento natimorto (neste caso sai o hífen? ainda tenho dúvidas) gerada nos espaços escolares. Estamos vivendo a sociedade do conhecimento e ele se constitui um capital intangível (quanto mais se o aplicamos mais cresce), mas que não é aplicado para gerar qualidade de vida, e mais aprendizagem...Hoje, o trabalho é um princípio educativo; os jovens precisam adquirir conhecimento e aprender a trabalhar! Então, para que é que eles aprendem?? A escola tem uma economia interna que não é "explorada"; o conhecimento é construído e não é aproveitado para gerar trabalho para a juventude. E não se exclui aí a escola pública! nada, nenhuma lei a impede de fazer isso, desde que os lucros tenham objetivos educativos e possam inserir o jovem no mercado de trabalho, seja formal ou não. Quantos jovens talentos temos em nossas escolas? se eles forem da escola pública, então, por falta de oportunidades murcham!...
E mais, a gestão do conhecimento em regiões pobres ajuda a estimular o desenvolvimento regional local e afetar positivamente os sujeitos sociais das comunidades. Muitos exemplos são vistos a partir de pequenos grupos que formam associações e se lançam até nos mercados mais amplos.
Há um discurso sobre autodidatismo, e empreendedorismo juvenil, mas a escola não descobriu ainda, que ambos se iniciam nos seus espaços. |
 | Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos? De jeito nenhum! o professor deve ser muito bem pago; receber apoio para continuar estudando e ter acesso ao conhecimento que se vai ampliando e ao qual se vão incorporando novas visões e tecnologias, etc. mas ter incentivos dessa forma, só iria fazer a escola perder mais ainda a qualidade, comprometendo o ensino e a aprendizagem... |
 | Quais são suas metas pessoais? O que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos? Metas pessoais? casar pela terceira vez (risos); criar um espaço educativo em que se possa estimular a Arte como possibilidade cognitiva e escrever muito mais... |
 | Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino? Amor. |
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