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Entrevista a:

João Luís de Almeida Machado [joaoluis28] 


EDUCAÇÃO
Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem?
Atuo como professor há mais de 20 anos e, neste tempo, as disciplinas principais com as quais trabalho têm sido história e filosofia. Mas também já dei aulas de inglês, pesquisa, projetos, geografia, sociologia, ciência e tecnologia... Além disto ainda sou responsável por projetos de formação de professores com ênfase no uso de tecnologias em educação, cinema na escola, criatividade...
Algum link onde possamos ver que você faz ou o centro onde você trabalha?
Sim, é possível ver meu trabalho no Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br) e nos meus blogs Escolhendo a Pílula Vermelha (www.escolhendoapilulavermelha.com.br), Cinema de Primeira (http://cinemadeprimeira.wordpress.com) e Academia gastronômica (http://academiagastronomica.wordpress.com). Há também entrevistas e depoimentos, além de alguns vídeos no Youtube. Posso ser encontrado ainda no Twitter (joaoluis28).
Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora?
Quando comecei a estudar história pensava inicialmente em ser pesquisador, o que acabou acontecendo, e não em lecionar. Mas depois que entrei em uma sala de aula, acabei me apaixonando pela profissão e pelas possibilidades da mesma, e não tive mais qualquer intenção de abandonar a área. Com a educação podemos salvar vidas, ajudar as pessoas, dar sentido, criar norte na existência alheia, ter contato com outras pessoas e aprender com elas...
Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê?
Tive grandes mestres como a professora Maria Januária Vilela Santos, que acabou sendo a pessoa que me influenciou a estudar história, os professores Cláudio Bertolli e Hélio e, depois, no mestrado e doutorado, o privilégio de estudar com grandes pensadores como Fernando José de Almeida, Ivani Fazenda, Carlos Guilherme Motta, Arnaldo Contier...
Como você definiria sua filosofia docente?
Adoto uma linha de trabalho sócio-construtivista sem levá-la ao extremo, ou seja, sem purismos. Com isto quero dizer que este fio condutor não me limita ou estrangula, é pedra angular, mas não delimita e impede o uso de estratégias que a princípio não estão previstas em sua ação e teoria.
Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você?
Modificar os padrões vigentes na educação brasileira há mais de 100 anos é um grande desafio, principalmente a idéia de que nas escolas devemos apenas prover conteúdos, desprezando conhecimentos e idéias trazidas pelos alunos a partir de suas experiências prévias para a escola.
Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as?
Digo sempre a eles que é preciso criar elos fortes, que vão além das matérias e conteúdos, pois ensinamos muito mais do que isto, lidamos com a vida de todos eles, passamos a fazer parte de suas existências. Neste sentido é de vital importância estabelecer vínculos que posteriormente se consolidem como amizade, respeito, consideração, estima... Em ambos os sentidos, do professor com os alunos e dos alunos com o professor.
Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento?
Provocar, estimular, não dar respostas prontas, mas fazer com que os alunos construam seus saberes a partir de nossa orientação é fator decisivo para que isto aconteça.
Qual é seu critério a respeito de pôr tarefas para a casa e sobre pontuação?
Seria fantástico se pudéssemos abrir mão deste sistema, mas ainda esbarramos nele que está consolidado culturalmente e que, para ser superado dependeria de uma grande revolução nos hábitos e costumes, tão grande que supera a esfera da escola. Neste sentido creio que ambos os temas (tarefas e notas) são ainda muito necessários.
É possível ensinar/aprender criatividade? Como?
Sim, é possível. Para isto é preciso praticar criatividade antes de tentar ensinar. E isto depreende ações que não se limitem a atividade profissional e sim a toda a existência. Não é possível ensinar alguém a dirigir se não sei dirigir...
Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina?
Não erguer jamais o tom de voz, se tiver algum problema é preciso resolver com diálogo, se a questão for individual é necessário conversar a sós com o aluno. Gosto muito dos caminhos de Gandhi, Martin Luther King e outros grandes líderes pacifistas, além disto creio que ao usar elementos culturais, como o cinema e a literatura, podemos motivar e dar exemplos fantásticos também para uma melhor relação entre as pessoas.
Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula?
Ao adotar uma postura sócio-construtivista apostamos na interação e procuramos trabalhar com grupos que sejam heterogêneos, ou seja, com alunos que tenham maior, média e menor facilidade. Isto para que uns ajudem aos outros e construam o conhecimento juntos. Integrar e motivar é o caminho.
Que significa para você aprendizado colaborativo? Como o põe em prática?
A sociedade em que vivemos trabalha muito a competição e pouco a colaboração e a cooperação. A adoção de estratégias de trabalho interativo dentro do sócio-construtivismo procura motivar os alunos a, desde o mais cedo possível, entender a correlação de forças e as possibilidades (maiores e melhores) que surgem deste tipo de ação.
O que você espera de seus supervisores? Que qualidades você valoriza na pessoa que dirige o centro?
Espero mais do que qualquer coisa que seja coerente, honesta, ética e profissional.
Que assuntos a debate sobre ensino são de maior interesse para você?
Todos aqueles que lidam com a própria existência e que tem sentido para as pessoas envolvidas nos debates.
Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos?
Sim, as medidas de incentivo que compõem aquilo que chamamos de meritocracia tem mostrado que este incentivo é bemvindo, valoriza as ações e o profissional, estimula o professorado na busca por novas soluções em sua área de atuação, dinamiza as aulas e promove uma maior qualidade na educação.
Além de mais recursos, que falta nas escolas de nosso tempo?
Falta trabalhar mais a parte emocional e interacional.
Como é a tecnologia que você utiliza habitualmente nas aulas?
Procuro usar desde os mais modernos recursos e ferramentas da tecnologia até lápis, papel, cartolina, cola, tesoura, lápis de cor... O recurso mais importante em minha opinião é o livro, a leitura, a possibilidade de nos atualizarmos por este caminho.
Em frente às novas tecnologias, há que reinventar a escola, seus métodos e objetivos?
Sim, é necessário readequar a escola, não é possível continuar como antes.
Se você pudesse criar uma escola ideal, como seria?
Penso que teria tanto a teoria quanto a prática, os espaços de reflexão e também os de contato com a natureza e ação física, a cultura seria elemento importante com teatro, dança, música, cinema... A tecnologia estaria presente e seria aliada importante. Teríamos esportes, livros e natureza.
Como você imagina que será uma escola daqui a 20 anos?
Espero que seja eficiente, creio que estará impregnada de tecnologia por todos os lados, gostaria que se tornasse um local onde os alunos sentissem prazer em estar, desejaria que fosse muito humana e que buscasse a felicidade de todos.
Quais são suas metas pessoais? O que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos?
Lecionando, escrevendo, dando cursos e palestras.
Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino?
Paciência, perseverança, ética, responsabilidade pessoal e social, dignidade e honestidade. Gostar de ler, estudar e de se aperfeiçoar. Saber ouvir. Dedicar-se ao próximo.
 

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João Luís de Almeida Machado
São José dos Campos, SP - Brasil


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© João Luís de Almeida Machado
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