Entrevista a:Juliane de Oliveira [julianejor]
JORNALISMO
 | Qual é sua especialidade? De que assuntos você trata? Atualmente, tenho me dedicado bastante à comunicação de terceiro setor, ou seja, de entidades sem fins lucrativos (ONG's, sindicatos, etc.). Faço assessoria de comunicação para uma entidade política (UNEGRO/PR). |
 | Em que meios você trabalhou? Já trabalhei no rádio e na web. Na faculdade desempenho atividade para os mais diversos meios de comunicação. No trabalho, sou multimídia também. |
 | Um endereço web onde possamos ver algo sobre você? Tenho duas possibilidades:
http://twitter.com/juliane_jor
http://laragazzadiparole.wordpress.com/ |
 | O que é noticia? É o que o público quer e necessita ver. Desde que respeitados todos os critérios éticos necessários para uma comunicação eficiente e digna. É uma estória contada por meio da relato de alguém que viveu o fato e/ou entende sobre ele. Estória contada com a expressão, o rosto das personagens e um enredo. |
 | O que é para você a objetividade? Meu conceito de Objetividade consiste em contar uma estória oferecendo o maior número de subsídios possiveis ao espectador, sem que isso torne a história confusa, ambigua ou ininteligível. E isso não quer dizer que a narrativa deva ser seca, ao contrário, deve ter direção e falar de forma agradável ao receptor. |
 | Qual é a melhor manchete que você leu? Consigo me lembrar apenas da criativa manchete do Jornal de Santa Catarina, de Blumenau/SC, do dia 02 de julho deste ano. Entitulado "Vai Brasil!", o texto trazia a torcida pela seleção canarinha no jogo pelas quartas de finais da Copa do Mundo contra a Holanda. A foto estampava um espremedor de laranja. Mas há outras manchetes... |
 | Qual é a manchete que você gostaria de ver algum dia nos jornais? Parece utopia, mas gostaria de ler o título "Brasil é o primeiro em Educação" acompanhado do texto: "Na corrida pela educação pública e de qualidade, o Brasil é o primeiro do ranking. Nos ultimos anos, ultrapassou a barreira da distancia e das fronteiras e, hoje, tem como troféu o menor índice de analfabetismo do mundo, que também avançou na luta pela democratização do ensino." (pág. x) |
 | Que jornal você compra aos domingos? Onde você o lê? Não costumo comprar jornais. Onde moro, tenho acesso diário à dois jornais locais e um estadual. Na faculdade, tenho acesso às maiores publicações do país. Quando não num destes lugares, posso acessar praticamente todos pelo meu computador. Em casa, meus pais costumam comprar Gazeta do Povo todos os finais de semana. Não tenho um lugar para ler jornal: posso ler no meu quarto, na sala, no banco da praça, no café, etc. |
 | A liberdade de expressão acaba onde começa a linha editorial da mídia? Não. A liberdade de expresão breca apenas quando esta expressão agride os direitos de outrem. A linha editorial que segue um determinado veículo/rede de comunicação não deve interferir na liberdade expressiva dos cidadãos. |
 | O jornalismo de analise e investigação está se perdendo? Vivemos numa era de revolução informacional. Com o avanço tecnológico e a aceleração das rotinas humanas, as pessoas querem e precisam do maximo de informações o mais rápido possível para organizarem suas vidas e suas opiniões. Em parte, cabe ao jornalismo a organização do caos. Por outro lado, não se pode (nem deve) abrir mão de um jornalismo em profundidade, com investigação e interpretação de fatos. E, por mais que se tenha grande demanda pelo mais rápido e sintético, sempre haverá espaço para um jornalismo analítico e de qualidade informacional. |
 | Com uma câmera em cada telefone, cada cidadão se transforma em um correspondente? Sim, e isso torna o processo produtivo em jornalismo mais dinâmico e democrático. Ao mesmo tempo que exige um trabalho de apuração e investigação muito mais responsável e criterioso por parte dos jornalistas. |
 | Como você explica o auge do jornalismo dedicado ao show business? Tem sido criada, cada vez mais, uma demanda popular pelos chamados show business. As pessoas têm curiosidade de saber o que acontece na vida de quem destaque na mídia. Esta implanta, inconscientemente, uma importância exagerada sobre estas personagens. O jornalismo, como produto midiático, tem se utilizado deste público para chamar algumas audiências.
No entando há que se saber que, se o show business tem a consciência alterada, o jornalismo deve ser o esforço de manter a cabeça no lugar. O que não ocorre sempre. |
 | Qual é sua posição sobre o direito dos famosos a sua intimidade? Acredito que não é da minha conta saber se o Ronaldo Lazário manteve relações sexuais com travestis em determinada noite. Mas é da minha conta saber se a filha de determinado deputado brasileiro fez uma viagem custeada em milhões de reais com dinheiro público. Neste caso, não só é do meu interesse particular, como é (ou deveria ser) de toda população brasileira (é uma informação de interesse público e do público). Já a primeira situação é invasiva e constrange uma determinada pessoa na sua particularidade. |
 | O que você pode nos ensinar sobre a arte da entrevista? Na dúvida, pergunte! (Observe, preste atenção, respire e pergunte.) Não existem perguntas idiotas! Existem perguntas mal elaboradas, elabore-as bem! |
 | Pessoas famosas que você entrevistou Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, Leci Brandão, Marina Silva, Eloi Araújo, Sandra de Sá, MV Bill e Negra Li. |
 | O jornalismo blog está revolucionando a profissão? Não só a profissão. Este suporte está revolucionando a comunicação como um todo. Democratizando os espaços de opinião, antes restrito às linhas editoriais dos veículos/redes, e abrindo novas possibilidades aos cidadãos e aos jornalistas em geral. |
 | O jornalismo de papel desaparecerá? Não, este é um pensamento apocalíptico que vem desde finais do século XIX e início do século XX, quando do surgimento do rádio. O mesmo ocorreu com o próprio rádio quando surgiu a TV. No entanto, com o surgimento das mais novas mídias, estes espaços informativos tenderam à fortalecer-se. Acredito, sim, que, com a web e a convergência midiática cada vez maior, possa até dimunir o fluxo e as tiragens, mas sempre haverá espaço para o papel, para a notícia que você literalmente pega com as mãos. |
 | O que você pensa de imprensa gratuita que se distribui nas cidades? Acredito que sejam importantes, pois a maioria das pessoas não assinam jornais e, na correria das grandes cidades, sequer param frente uma banca para adquirir seu informativo ou "bisbilhotar" o que ocorreu/vai ocorrer à sua volta. Esta "imprensa" distribuída gratuitamente pode fazer com que, em determinada hora do dia, o cidadão possa ter acesso à alguma noticia. Não podemos descartar os panfletos informativos de organizações/empresas/políticos como "imprensa gratuita nas grandes cidades". Apesar da poluição visual que causam, são boas estratégias de promoção/divulgação. |
 | Qual é o livro que você gostaria de escrever? "Hobbin Hood, o outro lado do tráfico de drogas". Já tenho o projeto idealizado. Assim que terminar a universidade, pretendo escrevê-lo. |
 | Algum lema ou principio ético esclarece suas decisões em momentos de confusão? "O Jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter". Assim, a verdade, transparência, coerência, honestidade, novidade e o interesse público devem estar permanentemente direcionando nossas decisões. |
 | Que conselho você dá a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão? Seja o melhor que você puder ser! |
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