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Entrevista a:

Cátia Sousa [katitajesus4] 


EDUCAÇÃO
Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem?
Todas as matérias estão interligadas, como em uma teia. Atualmente trabalho com educação infantil e meus alunos tem entre 6 meses e 3 anos de idade, mas já lecionei com crianças do ensino fundamental. Quanto a "tipo" acho este termo meio estranho para se falar de seres humanos, já que não temos tipos, apenas diferenças.
Algum link onde possamos ver que você faz ou o centro onde você trabalha?
Tenho alguns blogs, onde divulgo meu trabalho. Um blog de vendas, no qual divulgo materiais que eu mesma desenvolvo para professores: http://www.educainfantil.zip.net E um blog com algumas atividades que desenvolvo com meus alunos: http://www.atividadenacreche.blogspot.com Trabalho em um CEI, (Centro de Educação Infantil) da Prefeitura de São Paulo.
Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora?
Não costumo dizer que tenho vocação e sim que caí de gaiato na educação, quando em meados de 2000 prestei um concurso para ADI (assistente de desenvolvimento infantil). Eu imaginava que o trabalho era em escolas, mas que as funções fossem fora da sala de aula, já que não tinha formação nenhuma para trabalhar com crianças na época. Fui chamada em 2002 para trabalhar e logo de cara peguei duas turmas de uma professora que ficou doente. Foi um horror à primeira vista! Então, a prefeitura local ofereceu um curso de magistério gratuito e eu embarquei nesta aventura, mesmo grávida. Comecei a me apaixonar pela educação dentro do magistério e aos poucos já na sala de aula. Prestei outros concursos, comecei a fazer faculdade de Pedagogia e logo estava dando aula de verdade, com uma sala só minha. Depois de um tempo fiquei doente, com problemas psicológicos e passei a desenvolver materiais educativos em casa, enquanto era obrigada a ficar afastada do ofício. Ainda estou afastada, mas continuo trabalhando e amando educação.
Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê?
A professora Regina Helena. Ela foi minha inspiração, a pessoa que me despertou o gosto pela leitura, que acredito eu, seja a ferramenta mais importante para meu trabalho hoje, tanto a sala de aula, quanto ao material que vendo e disponibilizo na internet.
Como você definiria sua filosofia docente?
Amo o que faço e esta é minha única filosofia, por isso meu trabalho é bem feito e sou recompensada com a gratidão de muitos professores que me mandam e-mails lindos.
Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você?
O maior desafio acredito que seja conseguir uma parceria com os pais. Muitos não tem tempo, não comparecem, não participam do que acontece na escola.
Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as?
Sempre tive uma relação de amizade com meus alunos, mas procuro ser profissional também. Gosto de conversar com eles e ouvi-los sempre.
Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento?
Ter sempre uma carta na manga! Tem que ser mágica o tempo todo, ter novidades, mesmo que sua novidade seja apenas a entonação diferente na voz. Relacionar o aprendizado ao que eles vivem também é importante.
Qual é seu critério a respeito de pôr tarefas para a casa e sobre pontuação?
Tarefas pra casa são úteis se forem feitas realmente, o que não acontece com a maioria dos alunos. Não acho legal encher os alunos com tarefas para castigá-los e lhes tirar o fim de semana ou um feriado, isso seria punição e não trabalho desta forma. Prefiro que façam uma pesquisa de campo no lugar da tarefa e que desta forma tragam algo inusitado para as aulas. Quanto a pontuação ela é apenas um critério para aprovação do aluno, mas muito mais importante que pontos é a observação que o professor faz no dia a dia e os registros, é claro. Também gosto que os alunos se auto avaliem e avaliem os trabalhos uns dos outros.
É possível ensinar/aprender criatividade? Como?
Aprendemos não somente na escola, mas com a vida... Criar é algo que faz parte da natureza do ser humano, só precisa ser incentivado, despertado em algumas pessoas. Não temos aptidões iguais e isso também não seria bom. Cada pessoa é capaz de criar um tipo, ou vários tipos, de coisas. Tem gente que cria sorrisos por aí, outros criam com sucata lindos objetos, outros mais criam com palavras, escritas ou faladas... Como incentivar? Bom, oferecendo subsídios para as pessoas colocarem suas aptidões em prática ou simplesmente, descobri-las.
Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina?
Respeito se adquire com respeito. Se você, como professor, respeita seus alunos, terá o respeito deles também. É legal trabalhar isso em conjunto com a turma e não chegar impondo o que você pensa e quer pra sala. É importante saber o que eles querem e pensam também, para isso existem os combinados. Fazer as regras para um bom convívio em sala de aula junto com a turma é essencial. Certas coisas você pode abrir mão, outras não e muitas delas podemos discutir e chegar a um consenso. Também é bom enfatizar e ter argumentos válidos para as regras, pois elas vazias, não valem nada e não serão usadas por ninguém. Respeitar as próprias regras e não usar a máxima: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!
Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula?
É preciso ter um plano de aula bem diversificado e conhecer as dificuldades dos alunos. Isso se faz com diagnóstico, com avaliações logo no início do ano e no decorrer dos meses. Vale lembrar que as crianças podem superar as dificuldades em poucas semanas, por isso é tão importante ter sempre um diagnóstico atualizado. Confesso que é complicado ter atividades para cada tipo de dificuldade. Tem aqueles que fazem tudo rapidinho e outros que demoram um pouco mais, tem os que entendem com mais facilidade e outros que precisam de um pouco mais de explicação, até mesmo que você explique várias vezes... Mas nestas horas vale muito usar exemplos práticos, que fazem parte da vida cotidiana dos alunos, assim fica mais fácil de todos entenderem, ou pelo menos, quase todos. Os que terminam rápido, se os enchermos de atividades podem ficar desmotivados ou sentirem-se injustiçados, então, sugiro uma leitura individual ou algo mais prazeroso ao final das atividades, assim os que demoram mais sentem-se mais motivados porque também querem particpar daquele momento. Mas é sempre bom, principalmente na alfabetização ter atividades variadas e agrupar as crianças. Agrupe, por exemplo crinças silábicas sem valor sonoro com crianças pré-silábicas e crianças silábicas com valor sonoro com alfabéticas... e assim sucessivamente. Um aprende vendo o outro fazer e com a intervenção do professor na hora certa, fica muito mais fácil criar soluções diversas para os conflitos de escrita e leitura que vão surgindo.
Que significa para você aprendizado colaborativo? Como o põe em prática?
Significa um aprender com o outro. Este outro pode ser um professor aprendendo com os alunos, os alunos aprendendo com os próprios alunos e alunos aprendendo com os professores... ah, também professores que aprendem com outros professores. Coloco em prática ouvindo meus alunos. Ouvir é tudo! Saber escutar é muito importante para um bom aprendizado. Tem pessoas que não gostam de ouvir, apenas de falar, falar e falar sem parar... são estas que se acham as donas da verdade! Com os professores, aprendo trocando experiências e ouvindo também. Aluno com aluno: é só você agrupá-los, deixá-los trocar experiências e discutirem as atividades e como fazê-las. Eles descobrem que há inúmeras maneiras de realizar as atividades e que as que eles conhecem não são as únicas que existem.
O que você espera de seus supervisores? Que qualidades você valoriza na pessoa que dirige o centro?
Espero que um dia eles se interessem de verdade pelo que acontece dentro da sala de aula e não apenas com a parte burocrática da escola. Que vejam todo o trabalho, que nós professores, realizamos, toda a dedicação que temos para com nossos alunos e nosso comprometimento de fazer semrpe um bom trabalho. Seria bom, mesmo que fosse algumas poucas vezes, ter seu trabalho reconhecido pelo diretor, coordenador... isso motiva, incentiva, não para mostrar "eu sou o melhor" ou "olha a quantidade de coisas que faço" mas para ter motivação mesmo e auxílio quando necessitamos.
Que assuntos a debate sobre ensino são de maior interesse para você?
Gosto de debates sobre educação infantil e sua importância na formação social do ser humano. Gosto também de debates sobre soluções para a violência nas escolas e sobre a saúde do profissional da educação e como melhorar a qualidade de vida destes.
Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos?
Já vi isso acontecer. Para muitos pode até parecer bom, pelo dinheiro e tudo mais, mas não acho que estes incentivos por si só melhorem a educação e os resultados escolares dos alunos. É preciso investir de verdade na educação, com melhores condições para todos. Formação ainda continua sendo um investimento melhor do que dar bônus para os professores. Investir em uma formação de qualidade e é claro que valorizar os profissionais com um salário justo, que não os force a dar aulas em várias escolas para completar o orçamento é a melhor opção.
Além de mais recursos, que falta nas escolas de nosso tempo?
Falta segurança! Falta política pública decente!
Como é a tecnologia que você utiliza habitualmente nas aulas?
A internet tem sido a tecnologia mais utilizada por mim e acredito por muitos outros professores, que estão descobrindo no www muitas ferramentas úteis para usar e diversificar suas aulas.
Em frente às novas tecnologias, há que reinventar a escola, seus métodos e objetivos?
A escola se reinventa a cada dia. É claro que mudanças levam muito tempo e muitas vezes este rítmo acelerado com que as novas tecnologias se apresentam, há a necessidade de um aceleramento também por parte da escola. Mas não adianta colocar computadores novos, tecnologia sem fio, internet banda larga e tudo o mais, se as pessoas não estão prontas para usar. Mais uma vez bato na tecla da Formação! É preciso formar as pessoas, prepará-las (tanto os profissionais da educação, quantos os alunos e toda a comunidade) para usufruirem de todos os recursos e facilidades que a tecnologia pode oferecer.
Se você pudesse criar uma escola ideal, como seria?
Seria um lugar onde todos gostariam de estar: alunos, professores e demais funcionários. Ninguém estaria ali por obrigação. A família seria mais participativa e ajudaria a cada dia a melhorar esta escola. Diretor e coordenador todos os dias passariam pelas salas para participar das aulas. Professores e alunos teriam uma relação amigável e de respeito mútuo. Nada de violência ou vandalismo. O lanche, não seria lanhce, seria uma refeição de verdade! Chega de salsicha todo santo dia!
Como você imagina que será uma escola daqui a 20 anos?
Não acredito que em vinte anos a escola avance muito, como já disse antes, as mudanças são lentas. Mas acredito que as pessoas terão mais maturidade para usar as novas tecnologias e estarão mais preparadas. Falo isso porque só aprendi a usar um computador mesmo quando tinha 20 anos e hoje, meu filho de 6 anos vira, mexe e remexe em tudo sem qualquer dificuldade e mesmo sem saber ler ou escrever. Acho isso incrível.
Quais são suas metas pessoais? O que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos?
Daqui a cinco anos quero ser Coordenadora Pedagógica em um Centro de Educação Infantil. Gosto deste trabalho e estou estudando para isso. Adoro dar aulas, mas ajudar outros professores através do mundo virtual estimulou este desejo em mim. Também quero um carro novo e estar morando em minha própria casa, com minha família...rsrsrs
Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino?
Para dedicar-se ao ensino, a própria pergunta diz: dedicação! Mas só dedicação não basta, precisa também amar ou aprender a amar o que faz.
 

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Cátia Sousa
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