99694 entrevistas criadas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Entrevista a:

Laura Dantas [lauradantas] 


MUSICA
O que você faz? Qual é sua especialidade musical?
Sou licenciada em Música pela Ufba e desenvolvo alguns projetos autorais. Acabei de gravar o Mil Tons, com patrocínio do programa Conexão Vivo via Fazcultura, e já trabalho no próximo, o Noel Inédito. São dois projetos muito especiais para mim. O Mil Tons pelo fato de ser o primeiro registro depois de cinco anos de experimentos, arranjos e formações. E o Noel Inédito por se tratar de uma relíquia. São letras inéditas de Noel Rosa às quais tive acesso através do jornalista e pesquisador gaúcho Fábio Gomes, que me convidou para musicá-las.
Você trabalha individualmente ou em grupo? Sendo assim, quem mais são?
O trabalho de quem compõe muitas vezes é solitário, embora eu tenha alguns parceiros e goste de compartilhar essas criações. Considero que, no palco ou no estúdio, somos um time, então, mesmo sendo um artista solo, depende-se inteiramente da competência, do talento e da sensibilidade dos parceiros para jogar bem. Mas claro que, além da questão dos ensaios e da afinidade entre os componentes da banda, vários fatores são determinantes para um bom resultado, seja ao vivo ou não, desde a qualidade do equipamento de som até a energia das pessoas em volta. Por isso cada trabalho é único e representa, ao mesmo tempo, satisfação e desafio.
Algum endereço de internet onde possamos ouvir, ver ou ler algo sobre seu trabalho?
Sim, tenho um site [http://www.lauradantas.com.br], uma página no TramaVirtual [http://tramavirtual.uol.com.br/lauradantas] e um perfil no Myspace [http://www.myspace.com/laura-dantas]. De vez em quando uso twitter e Facebook. Hoje, qualquer profissional que deseje um mínimo de visibilidade não pode mais prescindir desses canais de comunicação. Eu tinha um blog para falar de música, que tentei reativar duas vezes, mas cheguei à conclusão de que 24 horas por dia não seriam suficientes para dar conta de administrar tanta rede social.
Como você começou a fazer música? Quem o introduziu?
Pequena, eu gostava de imitar algumas cantoras. Minha madrinha me matriculou numas aulas particulares de piano, depois fui para um conservatório, mas aí ficou difícil porque eu não tinha o instrumento. Tempos depois, ganhei um piano de minha mãe e um violão de meu pai. À essa altura, com outros interesses, como cantar e compor, fiquei com dois instrumentos e sem investir muito em nenhum deles. Acabei optando pelo violão porque achava mais adequado como suporte às minhas composições. Nesse tempo, fui fazer um curso de dicção, oferecido no mesmo conservatório, e ali conheci um grande amigo, que compunha para blocos afros. Comecei a ir com ele para as quadras que ficavam no subúrbio de Salvador e a fazer backing vocal, apesar da timidez e por muita insistência dele, durante os festivais que escolhiam as canções que seriam tocadas no carnaval do ano seguinte. Por incrível que pareça, apesar de a minha música não ter qualquer relação com carnaval, foi a partir dessa história que comecei a cogitar mais seriamente a compor e cantar.
Quando você se deu conta de que a música poderia ser um meio de vida para você?
Não sei se já me dei conta disso... Eu faço música porque dá sentido à minha vida, embora não seja simples. A batalha dos artistas - os independentes principalmente - é matar um leão por dia, primeiro para conseguir mostrar a sua arte. Depois é que ele vai pensar em sobreviver dessa arte. Mas é bem complicado. Ainda falta ao próprio artista a capacidade de ser polivalente, empreender, articular, produzir, assessorar, compor, ensaiar, tocar, tudo ao mesmo tempo agora. Os novos modelos de negócio facilitaram o acesso à produção e a difusão de muitos trabalhos, mas complicaram o gerenciamento das carreiras. Paga-se um preço por essa autonomia.
Como é seu processo criativo?
Não existe um processo apenas. As motivações para compor são muito diferentes e, às vezes, inusitadas. Tem canções relativamente complexas que se resolvem rapidamente e outras simples que demoram até ser concluídas. Tem coisas que fiz em tempos diferentes e, depois, quando fui escutar em sequência, percebi que eram partes de uma mesma canção. Enfim, não existe uma fórmula, existem tentativas. O engraçado é que, depois, as composições ganham vida própria e parece que determinam os arranjos, a instrumentação... é como se já estivesse tudo ali latente.
Como você foi descobrindo seu território criativo? Como o descreveria?
Por também ser formada em Jornalismo e ter trabalhado alguns anos como repórter em uma editoria de cultura, escrevi bastante sobre música e tive acesso a coisas que, em outras circunstâncias, dificilmente eu iria buscar. Então isso mudou, certamente, a minha perspectiva musical. Mas é inegável que tenho algumas referências fortes desde que me entendo como ouvinte. Uma delas é Elis e, por extensão, todos compositores que ela gravou, entre eles Milton, Gil, Tom, João Bosco, Natan Marques etc. Ouço muito também as canções de dois caras chamados Luís Alberto Melo e Antonio Reina. Tenho comigo até hoje uma fita-cassete, com mais ou menos 20 composições gravadas pelo Luís, só voz e violão, que continuam a me inspirar. Isso tudo, entre outras coisas, foi moldando um pouco o meu universo de criação, tanto em relação à atmosfera quanto à temática das canções.
Que parte de seu trabalho é a que você menos gosta?
Em se tratando de música, ao contrário do que se pode imaginar, o trabalho é sempre árduo, o que não significa que não seja imensamente prazeroso em muitos momentos. É uma delícia cantar e compor, mais do que lidar com toda a parte de produção propriamente dita, mas hoje, para se tocar uma carreira artística, ainda que exista toda uma infra à sua disposição, é preciso lidar não somente com a arte em si, mas com a gestão, a administração e mais uma série de outras questões burocráticas.
O que deveria ser feito para deter a pirataria?
A pirataria é um caminho sem volta. O avanço das ferramentas virtuais, as redes de compartilhamento e, antes, a permanente inacessibilidade das pessoas aos produtos culturais, promovida exatamente por uma indústria que há muito tempo se mostrou implacável e insensível aos rumos da democratização do acesso, forçaram o artista a se reinventar. Ainda não existem respostas, o que há são iniciativas de organização e articulação de uma classe que, via de regra, sempre atuou na informalidade. Acho que o caminho é fortalecer e regularizar a atuação das entidades, rever a regulamentação da profissão do músico, enfim, o artista precisa estar capacitado e com um bom suporte profissional para poder sobreviver do seu ofício. Fora isso, em vez de nos deter apenas na pirataria, vamos batalhar pela cumprimento da lei que institui a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas e pelo reconhecimento nas esferas governamentais da real representatividade da área cultural para o setor econômico do país.
 

1000 visitas

Whohub
[lauradantas]
Laura Dantas
Salvador-Brasil


[lauradantas] Laura Dantas
Faça-me uma pergunta, comentário ou peça-me opinião sobre algo:

 
 




© Laura Dantas
Endereço web desta entrevista:http://www.whohub.com/lauradantas

CONVIDA OS AMIGOS    Sobre Whohub  Normas de uso  FAQ  Sitemap  Buscar  Quem está online  EMPREGOS