Entrevista a:Laís Izumi [lizvacaloca]
ESTILISMO
 | Qual é sua especialidade em estilismo, a que você se dedica? Atualmente eu me dedico à criação de bolsas e acessórios voltados ao público feminino jovem. |
 | Um link onde possamos ver algo do que você faz ou do lugar onde você trabalha. |
 | Em que estilo ou tendência você se classificaria? Um estilo "mulherzinha" como classificaria meu irmão. Meus produtos são voltados a um público jovem, descolado, que nem sempre segue tendências de moda mas que sempre está antenado com o que acontece no mundo e agrega ao seu estilo, pequenos detalhes das tendências do momento. Pessoalmente, meu estilo se classifica hora como clássico, hora como street... Depende muito do dia, do momento, do que eu vou fazer. |
 | Como é sua clientela? Decidida, consumista e vaidosa. Procurando sempre aprimorar o que suas roupas mostram, incrementando o visual com um acessório bonito. |
 | Como você começou a desenvolver este talento? Vem desde sua infância? Minha vó já costurava. Minha mãe se formou em Engenharia mas entrou no mundo da dança e passou a confeccionar conjuntos de roupa completos para tal. Eu sempre gostei de moda, dança e atualidades. Quase entrei na faculdade de dança, mas acabei optando por moda. Aprendi a teoria na faculdade e aprendi também o que eu não queria fazer na vida (como vitrinismo e história da moda). Saí da faculdade totalmente sem rumo do que fazer. Trabalhei como professora infantil de dança mas ainda não era o que eu queria. Depois de muito apoio da minha família, acabei decidindo dar asas ao meu talento e começar o meu próprio negócio. Com muita paciência e dedicação eu aprendi que seguir os sonhos, por mais absurdos que sejam, acabam dando frutos (ou pelo menos um) dos quais a gente se orgulha pro resto da vida. |
 | Que importância teve a formação profissional em sua carreira? A maior contribuição da minha formação foi me fazer enxergar o que eu não iria fazer dali em diante. Todo o resto serviu de bagagem pra conseguir basear o meu sonho de ser minha própria chefe! |
 | Quando você se deu conta que podia viver disto? Na realidade esse projeto todo ainda está engatinhando. Por hora e, como experiência de vida, eu estou sentindo o momento e deixando o futuro nas mãos da vida. Se eu vou enriquecer com isso eu não sei, mas como diz o ditado: "de grão em grão a galinha enche o papo" então eu acredito que tudo pra dar certo está nas nossas mãos (no caso, nas minhas). |
 | De que pessoas ou experiências você aprendeu mais para chegar onde você está? Minha mãe. Pode parecer clichê, mas minha mãe é quem mais me deu força (e ainda dá) porque ela começou a fazer roupas para dança do ventre só pra ela e de repente todo mundo que ela conhecia queria uma roupa feita por ela e quando vimos, as senhas iam até o ano seguinte! Sempre quando a barra pesa e eu penso em desistir minha mãe é quem está lá dizendo "calma... essas coisas levam tempo para estabilizarem. Não desista agora." e acho que é isso que me fez arregaçar as mangas e pôr em prática aquilo que estava só na minha cabeça. Hoje em dia qualquer idéia que eu tenha ou algo que eu vi e que me inspirou, não fica só no papel. Já faço o protótipo e se ficar legal já jogo na rede para vender! |
 | Qual é seu conceito de beleza? Por que muda tanto de uma cultura a outra, ou de uma época a outra? Beleza pra mim é ser aquilo que você é. Independente da moda, das regras, seja você mesma e assim você será mais feliz do muita topmodel milionária por aí. A frase clássica é: A moda muda. E apesar da moda mudar constantemente, acho que as pessoas não devem perder aquilo que as faz serem elas mesmas, individuais. Acho maravilhoso a diversidade cultural dentro da moda e acho divino quem consegue mesclar essas informações sem deixar sua essência pessoal de lado. Eu já fui projeto de patricinha, pagodeira, funkeira, rockeira, gótica, street, bailarina... Hoje eu posso afirmar com toda a convicção que eu sou só eu. Conheço as atualidades da moda mas não deixo que isso se sobreponha ao meu estilo, ao meu universo particular. E acredito que todo mundo tem isso, mesmo que não transpareça tanto. |
 | Necessita-se amor pelo que você está fazendo, ou basta com profissionalismo? Amor é fundamental pra qualquer coisa na vida. E quando junta-se isso ao profissionalismo sério, "dá samba"! É necessário ser profissional, principalmente quando cria-se um negócio próprio. Mas o amor faz mover aquilo que nos faz ser bons. A dedicação, a criatividade, a curiosidade, o interesse, tudo isso é movido pelo amor. Posso dizer então que o bom profissional é aquele que ama o que faz. |
 | O que você faz com um cliente que lhe pede algo se você acredita que não vai beneficiá-lo? Uso do meu poder de "mulher"! (risos) Falando sério, eu procuro usar de argumentos que façam essa pessoa enxergar aquilo que é evidente: não vai ficar bom. Além dos argumentos existe sempre um espelho que faz essa pessoa ver, e comprovar, aquilo que eu estou tentando dizer. Se depois de tudo, eu não tiver mais armas, eu ofereço um produto parecido com o que ela quer, fazendo um comparativo, mas sabendo o que ficaria melhor na composição. Assim, geralmente, o cliente acaba cedendo e vê que realmente a escolha não era uma das melhores... |
 | Além de assessorar ao cliente, você se propõe também educá-lo? Com certeza! Dou dicas de como usar, com o que combinar, como conservar. Tudo isso faz com que o cliente fique confiante, vendo que eu entendo daquilo que estou fazendo. |
 | Não há um culto à vaidade nessas poses tão premeditadas da publicidade e a moda? Com certeza. Mas como o meu produto é voltado a um público final exclusivamente feminino, a vaidade usada como arma de propaganda e venda é fundamental. |
 | Sua definição de "glamour" É aquilo que faz a mulher ficar mais radiante, mais bonita, mais confiante de si mesma. É o ingrediente final para que uma produção não seja apenas uma produção, e sim uma marca forte que será lembrada por todos que a veem. |
 | Três personagens conhecidos quem você admira por seu look, e três que necessitam com urgência mudar de imagem. A primeiríssima: Dita Von Teese. É como se fosse um personagem, mas que ela mesma é esse personagem, sem fazer força alguma, é ela por ela mesma mas com um "quê" teatral.
A segunda: Angelina Jolie. Elegante nas horas certas, descontraída nas horas certas. Você nunca vai vê-la usando um espartilho que esmague suas costelas em plena rua num dia de verão. elas estará com uma roupa confortável, funcional, mas sem ser desleixada.
Terceira: Penélope (Mtv). Um camaleão que muda o visual o tempo todo, mas que sempre preserva aquilo que ela tem de sobra mas que nem todo mundo enxerga: a femilidade.
Mudar de imagem é com elas mesmas: Britney Spears, Maysa (apresentadora mirim) e Faustão (look batido e desfavorecedor é apelido) |
 | Rodear-se de um estilo diferente te faz sentir diferente. Pode esse feeling chegar a transformar a pessoa? O exterior sim, com certeza. mas o interior não... A não ser que seja uma pessoa totalmente sem opinião formada e sem critério algum. Mas como a esperança é a última que morre, acredito que esses feelings que façam alguém mudar da água pro vinho, em matéria de estilo, as faça crescer como pessoa. |
 | Que tendências você vê aproximando-se com força? O conforto. Calças largas, blusas básicas, bolsas que caibam o mundo dentro e bolsas que caibam só o necessário. Outro dia eu li uma boa definição pra uma tendência atual: "abra o guarda-roupa do seu namorado e use peças chave para montar um look feminino-masculino". Tem coisa mais gostosa e confortável do que deixar o seu lado "mulherzinha" de lado e se render à camiseta tamanho GG do seu namorado numa tarde gostosa na frente da TV? |
 | Faça uma predição, quanto durará a moda do piercing e as tatuagens? Pra sempre, se Deus quiser! (risos)
Os piercings e as tatuagens são tão antigos quanto andar pra frente. Nos primóridos da civilização os seres humanos já pintavam seus corpos e faziam incisões permanentes para ficarem mais bonitos. Acho que agora só está no auge porque a mídia se permitiu mostrar esse lado das pessoas. E aí quebrou-se o paradigma de que tatuagem e piercing eram coisas de marginal (eu sou tatuada com muito orgulho e muita consciência). Apesar de gostar muito de modificações corporais, afirmo que tudo isso exige muita pesquisa e muito tempo pra pensar... Uma tatuagem é pra sempre. O piercing deixa cicatrizes. Sou contra àqueles que fazem tudo por fazer, sem pensar no futuro, no que vão fazer da vida. Eu demorei 2 anos pra decidir o que fazer e afirmo que apesar do tempo e da ansiedade que eu fiquei, hoje eu vejo o quanto valeu a pena pensar tanto. |
 | Que revistas ou websites você freqüenta para manter-se ao dia? Que outra classe de inputs culturais lhe serve de inspiração? Revista de moda (quase todas da banca), sites e blogs de moda (de pessoas desconhecidas e de super conhecidas, como Gloria Kalil) além da prória rua que é a maior enciclopédia que se pode ter! Você só consegue ter noção de moda se sair pra rua e ver. Ficar vendo desfile de grife famosa e lendo matéria em revista é bom, mas tudo o que vemos, lemos e ouvimos é aplicado nas ruas. Então levante-se e vá estudar as pessoas fora de casa! |
 | Eu gostaria de ter mais critério quando compro roupa ou móveis, o que me você recomenda fazer para ir adquirindo essa cultura? Estudo, informação, contato com pessoas reais, vida social... Tudo isso tem que ser agregado à sua memória e ser usado a seu favor para construir esses critérios. Mas lembre-se: nem sempre o que é bonito é o melhor pra você. Pesquise direitinho e vai ver que nesse mundo há muita coisa bonita (e muitas vezes, barata) que pode ser aprimorado pro seu uso pessoal. |
|
370 visitas Whohub [lizvacaloca] Laís Izumi São Paulo - Brasil
|