Entrevista a:Jorge Marcelo Nomura [marcelonomura]
EDUCAÇÃO
 | Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem? Sou professor na área de Comunicação Social, especialista em Publicidade e Propaganda |
 | Algum link onde possamos ver que você faz ou o centro onde você trabalha? claro que sim: http://www.uninove.br/Paginas/Home.aspx |
 | Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora? Eu nunca imaginei que um dia seria professor, sempre fui executivo de empresas, de agências de comunicação, de publicidade. Mas a partir de 1999 fui convidado para ministrar palestras, era toda semana em um local diferente, e não foi difícil receber convites para ministrar estas palestras em Universidades e depois foi um pulinho para ser professor, as portas foram se abrindo naturalmente.... |
 | Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê? Eu não tive um mestre acadêmico como referência, minha influência eram os executivos do mercado: Jack Welch, Ricardo Semler, Steve Jobs, Bill Gates, Jens Olsen, Alex Periscinoto, José Zaragoza, entre outros |
 | Como você definiria sua filosofia docente? Sou um professor em constante transformação, aprendo a cada dia, não só através de pesquisas, leituras e tendências, mas também com a experiência de cada aluno. Atualmente meu assunto de interesse são as redes sociais, que está transformando os veículos midiáticos e em breve será o principal veículo e logo as TVs serão um centro de distribuição de mídia convergendo com a Internet, videogames, músicas, filmes, shoppings, etc. Sou um apaixonado pelo assunto, estamos vivendo uma era de transformação cultural jamais vista em toda a humanidade e isso me fascina, estar fazendo parte disso é gratificante e levar isso em sala de aula um desafio.... |
 | Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você? Nos dias de hoje o maior desafio é ensinar convivendo com o Deus Google, saber que o aluno está mais preparado, capacitado e busca as informações em uma velocidade inimaginável no passado. As referências de ensino caíram por terra, velhos conceitos foram superados pela tecnologia, e ensinar neste ambiente onde a informação está disponível é desafiador. Adoro desafios e atualmente vivenciamos um acesso a Universidade menos seletivo que no passado recente, e isso modifica também a forma de ensinar, os alunos possuem menos recursos, menos repertório, menos bagagem cultural. |
 | Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as? Eu sempre me mantive acessível, um professor que se prepara muito para as aulas, me atualizo, me reciclo, e sempre acrescento algo mais. Mas também tem o outro lado, o da cobrança, das exigências nas avaliações com os alunos. Sou rigoroso sim, mas tenho moral, não sou aquele professor que fica enganando ninguém, sempre levo o melhor e minhas aulas acabam sendo disputadas, pois sempre apresentam conteúdo. Tem aluno que gosta disso, mas tem aqueles que só querem o diploma e facilidades, e isso ele não terá comigo e nas minhas aulas não. |
 | Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento? Creio que o segredo é trazer o conteúdo acadêmico e agregar ao conhecimento do aluno, somar a experiência de vida de cada um, aos dogmas, crenças e valores de cada indivíduo, aliado a exemplos práticos de como as empresas fazem e isso é fruto de leitura constante, de pesquisas, do esforço do professor. As pessoas gostam de heróis e empresas vencedoras são como heróis no mundo empresarial, superaram muitas coisas para alcançar o topo, chegar na liderança. |
 | Qual é seu critério a respeito de pôr tarefas para a casa e sobre pontuação? Em publicidade existe muito de se trabalhar em grupo e percebo que passada aquela fase da empolgação, a amizade acaba sendo colocada de lado e surgem as cobranças. O aluno precisa de se adaptar a trabalhar em grupo, a realizar tarefas em sua casa, ter o hábito da pesquisa, da leitura, pois só assim ele conseguirá desenvolver seu melhor potencial e extrair o melhor do curso. |
 | É possível ensinar/aprender criatividade? Como? Com certeza sim, na Publicidade existem técnicas para desenvolver conteúdos criativos e tudo é explorado para este objetivo, e quando assistimos um comercial na TV, podemos ter a certeza que nada é por acaso, tudo que está lá tem um objetivo, começando pela escolha do casting (dos atores), passando pelo figurino, cenários e objetos. As cores são estudadas, as imagens simbólicas, os signos, os significados de cada coisa, nada passa despercebido. Levando isso (conteúdo acadêmico) para os alunos, aplicamos nossas tecnicas para extrair criatividade deles mesmos. Ainda assim, procuro criar dinâmicas, trazer conceitos novos, passar filmes e discussão sobre eles, mostrar tendências, etc |
 | Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina? Poxa isso é muito chato, ser desrespeitado ou confrontado, mas na boa, eu raramente tenho problemas de indisciplina em minhas aulas, mas já tive que tirar provas de avaliação de alunos e dar nota zero por desrespeito as regras. O celular do aluno tocou em pleno horário de prova, atrapalhando a sala e gerando tumulto. Nem teve reclamação, ele entregou a prova e saiu cabisbaixo sabendo a nota da prova. |
 | Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula? Isso é o maior desafio para o professor em sala de aula, pois cada aluno traz na sua bagagem, os seus conhecimentos, suas crenças, seus dogmas e seus valores. O segredo é vc compartilhar e criar condições para o aprendizado, e assim podemos chamar de inteligência coletiva, onde o resultado é a apropriação do conteúdo por todos e cada indivíduo ultiliza como melhor lhe convier. |
 | Que significa para você aprendizado colaborativo? Como o põe em prática? Nos dias de hoje é fundamental utilizarmos tais recursos, pois aquele modelo tradicional de sala de aula se esgotou (professor fala e alunos escutam...). A chegada de novas tecnologias colocaram em cheque o sistema de ensino tradicional e aponta desafios que nem professores e nem alunos ainda sabem como ficará. A Internet tem um poder de crença que é difícil de ser batido, os alunos acreditam nas pesquisas do Google e levam os resultados como uma verdade. O professor pode ser questionado em sala de aula imediatamente por uma aluno que buscou alguma dúvida no Smartphone. Mas eu acredito que estas novas tecnologias facilitem o nosso trabalho e daqui pra diante, seremos uma espécie de Guia ao conhecimento, um referencial na vida real, desvinculado do mundo virtual e particularmente na minha área de atuação (Publicidade), é um caminho sem volta, a convergência de tecnologias, habilidades e ensino se concretizando. |
 | O que você espera de seus supervisores? Que qualidades você valoriza na pessoa que dirige o centro? Nos dias de hoje, tudo acabou virando um negócio e os supervisores administram o ensino como se administrasem uma empresa qualquer que busca resultados financeiros. Mas do lado acadêmico, a ajuda e suporte dos superiores é fundamental para nos dar autonomia em sala de aula e até mesmo projetos de ensino que complementarão o aprendizado dos alunos. Eu valorizo isso, o profissional que se preocupa com as questões do dia-a-dia, que te apóia e te mostra os caminhos a seguir. É um jogo de portas abertas, uma relação de confiança, e não pode ser diferente mesmo. |
 | Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos? Esse assunto remete as empresas que buscam resultados e nada como recompensar o esforço do professor que gera resultados. Mas ainda existem muitas dúvidas nesse assunto e a principal é encontrar a melhor forma de mensuração. Fica difícil deixar a avaliação somente com os alunos, pois assim o professor que distribui boas notas, vê repentinamente a sua popularidade indo lá pra cima. Uma prova seria mais conveniente? Como fazer os alunos fazerem outra prova que não vale nota e ainda sobrecarregaria os estudos, pois ficaria fora das outras avaliações que já são obrigatórias? Eu adoraria receber um bônus sobre meus resultados, sempre tive esta recompensa na minha trajetória executiva, mas confesso que ainda não encontramos como mensurar estes resultados, e as Universidades também nem cogitam tratar desse assunto no momento. |
 | Além de mais recursos, que falta nas escolas de nosso tempo? Falta integrar melhor o mundo virtual com tantas tecnologias. Vou dar um exemplo, o MEC ainda avalia as Universidades pela quantidade de livros que ela possui em seu acervo na biblioteca, e isto acaba gerando uma pontuação que vai definir a classificação da Universidade dentro de um ranking das melhores. Na Espanha e em alguns países mais avançados, a Biblioteca virtual já entra nesse indíce de mensuração. Falta também levar em consideração o atuação dos professores no mundo executivo e não só no mundo acadêmico, o que gera muitas vezes uma dissonância cognitiva, entre formar profissionais ou formar alunos acadêmicos? Enfim, creio que exite muito a ser feito e exige a participação efetiva de todos os atores. |
 | Como é a tecnologia que você utiliza habitualmente nas aulas? Eu gostaria de ter mais recursos em sala de aula, mas utilizo muitas coisas que a tecnologia já me possibilita: exibição de filmes, as vezes audio, as vezes vídeo, aulas com recursos tecnológicos e multimídia, sempre projetado por um canhão (datashow) da Sony com definição de imagem de alta qualidade. Uso também o notebook e acesso a Internet que me auxiliam na busca de estudos de casos reais que agregam nas discussões em sala de aula. Neste mês de Junho (2010) os alunos realizaram um evento e trouxeram coisas surpreendentes que realmente impactaram pessoas de outros cursos na Universidade: realidade aumentada, softwares interativos de Israel, videogames interativos, acesso em tempo real para as redes sociais, mas o principal foi o mergulho na experiência. Saber da capacidade de realização que estava escondida dentro de cada aluno, isso sim foi surpreendente. |
 | Em frente às novas tecnologias, há que reinventar a escola, seus métodos e objetivos? Com certeza que sim, tudo precisa ser reinventado, passar por uma revitalização que também não será duradoura, pois estamos presenciando um mundo que está mudando muito rápido. A chegada de novas tecnologias está cada dia mais acelerada e ainda existem os problemas deste desenvolvimento que é maléfico ao meio ambiente, gerando uma descompensação em toda a natureza, em todo meio ambiente. Prender a atenção do aluno, levar o conhecimento nem sempre é algo fácil, mas existem muito a ser feito e este é o melhor momento. |
 | Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino? Antes de mais nada aquele velho chavão de que as pessoas só façam as coisas que realmente gostem. Se ensinar ao próximo for sua vocação, então invista na carreira, busque o conhecimento, uma pós graduação, um mestrado, um doutorado e até mesmo um pós doutorado. Recomendo paciência porque a experiência ao longo da carreira se encarrega de mostrar o melhor caminho. O mercado de ensino hoje está fantástico, o Brasil atravessa por uma fase de crescimento que certamente levará a falta de pessoas qualificadas e isso é motivador. Seremos a quinta economia no mundo e investir na educação é investir no futuro. |
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