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Entrevista a:

Margarida Carvalho [margaridacarvalho]



ESCREVER
Como você começou a escrever? Quem lia para você ao principio?
Sempre fui uma devoradora de livros, desde que comecei a aprender a juntar as letras, em casa, com a minha mãe. Paralelamente às leituras, comecei a gostar de inventar histórias e a escrita passou a fazer parte do meu quotidiano.
Qual é seu gênero favorito? Algum link onde possamos ver ou ler algo sobre sua obra recente?
Gosto muito de ficção e em especial romance. Mas também gosto de escrever crónicas, onde é possível dissertar sobre diversos assuntos, realçando pontos positivos ou negativos do mesmo, de uma forma bastante mais directa e sucinta do que seria possível num romance.
Actualmente, possuo dois blogs.
Livros da Margarida (http://livrosdamargarida.blogs.sapo.pt/) é dedicado à leitura e, lá, apresento obras que li, deixando a minha opinião sobre a mesma.
Crónicas da Margarida (http://cronicasdamargarida.blogs.sapo.pt/) é mais recente e permite-me publicar crónicas e outros textos sobre um leque variado de assuntos. Mas ambos estão escrito de uma forma muito pessoal.
Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever?
Para ser sincera, não ocorre nada. O processo de escrita é feito de uma forma natural. Normalmente, não me sento em frente ao computador propositadamente para escrever algo que já tenha em mente. O que acontece é estar a fazer outra coisa qualquer e sentir o impulso de escrever.
Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever?
Normalmente os textos que me digam algo, que estejam bem escritos, que me deixem presa à leitura. O tipo de escrita que "mexa" comigo.
Quais são para você os ingredientes básicos de uma historia?
Penso que a literatura não pode ser vista de uma forma tão linear. Isso seria diminui-la.
Em que sapatos você se encontra mais cômodo: primeira pessoa ou terceira pessoa?
Sem dúvida que na primeira pessoa, embora tenha a sensação que isso leva a que os leitores tenham tendência a associar a personagem ao autor.
Que escritores conhecidos são os que você mais admira?
A lista seria demasiado extensa, se tivesse de os colocar a todos aqui. Gosto muito de autores clássicos da literatura inglesa e norte-americana: Henry James, Jane Austen, as irmãs Bronte; D.H.Lawrence... Não posso deixar de indicar também as obras da Condessa de Ségur, que marcaram muito a minha infância e de Anne Rice, que foram a minha leitura favorita durante a adolescência. Isabel Allende é incontornável, tal como Saramago.
Todavia, o meu autor favorito é Eça de Queirós, pela forma de escrita, pela estrutura das suas obras, pela ironia sempre presente.
Você é igualmente hábil contando historias oralmente?
Quando escrevo, as palavras parecem surgir umas atrás das outras, quase sem pensar. Oralmente, acontece o oposto: as palavras fogem-me, não consigo encontrar as definições correctas para aquilo que quero descrever...
Profundamente em sua motivação, para quem você escreve?
Acima de tudo para mim, uma vez que raramento permito que alguém leia os meus escritos, excepto aqueles que publico nos blogues.
Tive uma fase em que mostrava a algumas amigas os pequenos contos que escrevia. Mas, hoje em dia, isso já não acontece. A escrita tornou-se, primeiro do que tudo, um escape para a minha criatividade.
Escreve como terapia pessoal? Os conflitos internos são uma força criadora?
Não lhe chamaria conflitos internos. Por vezes, ao observar uma situação comum do dia a dia, surge-me na mente a hipótese do: "E se em vez de ter acontecido assim, tivesse acontecido..." e isso, por vezes, é o suficiente para despoletar a base de uma história.
Outras vezes, a vontade de escrever surge apenas da necessidade de passar para palavras escritas os sentimentos que me inundam, as sensações que guardei de determinado momento ou momentos.
Você se apresenta para concursos? Você recebeu prêmios?
Já tive a tentação de me inscrever em diversos concursos de literatura, no entanto, há sempre uma razão ou outra que me impede. Ou porque o prazo é muito curto, ou porque a ocasião não o permite... Talvez seja o destino.
Que disciplina você se impõe para horários, metas, etc.?
Penso que o processo criativo não se rege por horários, metas e prazos. Ou se está inspirado ou não se está. Não tenho um interruptor de criatividade que posso ligar às 9h e desligar às 17h.
Você escreve na tela, imprime com freqüência, corrige em papel...? Como é seu processo?
Hoje em dia, estou tão habituada a escrever directamente no computador que quando escrevo à mão fico com dores no pulso. Mas sem duvida que, para fazer correcções, os textos têm de ser impressos e lidos em papel, de outra forma, falham-me diversas gralhas.

JORNALISMO
Qual é sua especialidade? De que assuntos você trata?
Não nasci para ser jornalista e nunca tive esse objectivo enquanto cresci. Todavia, após terminar o curso de Línguas e Literaturas Modernas, surgiu a oportunidade de trabalhar para uma revista.
No início foi complicado, pois não tinha qualquer experiência na área, mas aprendi depressa e adaptei-me a um género de escrita diferente daquele a que estava habituada.
Não desenvolvi uma especialidade, uma vez que se trata da profissão que tenho e não de uma vocação inata que procuro desenvolver. Escrevo sobre o que é preciso, no momento. Já escrevi artigos e fiz entrevistas sobre os mais diversos assuntos, desde moda, decoração, eventos sociais, segurança, astrologia, cinema, solidariedade... É uma lista extensa.
Em que meios você trabalhou?
Estive sempre ligada à imprensa escrita, uma vez que o meu objectivo e aquilo que sei fazer melhor é precisamente escrever.
A liberdade de expressão acaba onde começa a linha editorial da mídia?
Sem dúvida. Já vi muitos dos meus textos serem alterados porque algo não convinha aparecer, na medida em que poderia perturbar alguns dos leitores ou mesmo os anunciantes da publicação.
Com uma câmera em cada telefone, cada cidadão se transforma em um correspondente?
Há uns anos atrás seria impensável fazer de uma fotografia de péssima qualidade, tirada por telemóvel, a capa de uma revista. Hoje em dia isso é possível e ninguém se surpreende, nomeadamente se se tratar de um meio de comunicação dedicado à vida social. A evolução dos meios tecnológicos veio transmitir a ideia de que qualquer pessoa pode relatar uma notícia, fotografar ou filmar um evento mas, se por um lado isso permite que a comunicação seja mais imediata, até que ponto compensará a qualidade e isenção de um profissional?
O que você pode nos ensinar sobre a arte da entrevista?
Acima de tudo, acho que é importante que o entrevistado se sinta à vontade.
Já entrevistei pessoas que estavam bastante nervosas ao verem o gravador ligado e quase não desevolviam as respostas às minhas perguntas, mas mal desligava o aparelho, começavam a falar e diziam-me coisas muito mais interessantes do que as que tinham dito durante a entrevista. Isso acaba por ser um pouco frustrante.
Penso que o ideal é tentar que a entrevista vá fluindo como uma conversa informal. Logo, também não nos devemos restringir às perguntas que preparamos, até porque, muitas vezes, é ao ouvirmos as respostas do entrevistado que nos surgem as melhores perguntas!
Pessoas famosas que você entrevistou
Já entrevistei centenas de pessoas, mas famosas, muito poucas. Assim, de repente, recordo-me de ter entrevistado a fadista Mariza, a manequim Raquel Loureiro, os grupos de boysband que estavam no auge, na altura, os D'Arrasar e os Millenium, de que hoje em dia poucas pessoas se recordam. Mas a pessoa mais importante que entrevistei e que mais gostei de entrevistar foi Fernando Nobre, Presidente da AMI - Assistência Médica Internacional.
O jornalismo blog está revolucionando a profissão?
Não direi revolucionar. Está a criar uma nova faceta do jornalismo.
Qual é o livro que você gostaria de escrever?
Gosto de biografias. Gostava de escrever biografias sobre pessoas interessantes. A de Oprah Winfrey seria um best-seller!
Que conselho você dá a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão?
Que envie muitos curriculos! :-)
 

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Margarida Carvalho
Lisboa

[margaridacarvalho] Margarida Carvalho
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© Margarida Carvalho
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