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Entrevista a:

Matheus Mendonça [matmendonca] 



ARTE
O que você faz? Como você se define?
Eu faço sonhos, procuro as sombras, o luto e o mágico. Eu sempre olhava pro céu, ou para as flores, isso me dava a distração.
Qual é sua mensagem?
Não tenho mensagem, só quero me abrir.
Sua biografia em quatro linhas
Nasci aquariano, desde sempre tive relações com a arte muito próximas, mesmo que inconscientemente. Sempre adorei ler, por falta de opção. Me interessei pelo oculto enquanto filosofia de vida, para distrair da realidade. Depois foi fácil, as coisas aconteceram quando e como deveriam.
Você publica seu trabalho na rede? Onde podemos vê-lo?
Trabalhos plásticos não, mas sim alguma poesia que decidi colocar pra fora esse ano, um projeto bem mais intimista:

http://afrestadaporta.blogspot.com/
Como nasce uma idéia? O que é para você a inspiração?
Tudo tem seu lado permanente, então eu procuro achar esse lado, de alguma forma. Como congelar um sentimento? Como descrever uma coisa efêmera? Como transportar o sonho para o real? Isso me inspira a fazer um trabalho aonde apesar de exigir sangue e lágrimas, tudo acaba se repondo quando o trabalho está pronto.
Que papel tem a tecnologia em seu processo criativo?
Enorme. Sem ela talvez eu nunca pensasse em escrever ou fazer arte. É ótimo ilustrar um poema com uma fotografia, ou poder compartilhar aquilo gratuitamente e se promover sem compromisso com o público, se ele não gostar, pode ficar bem, porque não precisou pagar nada pela experiência.
O que é arte?
Arte é sonho, é vida, é sangue, é sexo.
Em que circunstancias você tem as melhores idéias?
Pode ser na intensidade do ressentimento, da saudade, até mesmo do ócio.
Como você corrobora se uma idéia é boa?
Eu nunca dou a atenção necessária, passei a fazer isso mais agora.
Três idéias criativas que você gostaria que tivessem sido suas.
um projeto aonde se montou uma banca de feira que vendia dança a um real, as pessoas compravam e tinham direito a assistir sapateado, ballet...

Um baralho de cartas da Carla Zaccagnini que é transparente, ela eliminou a mentira do jogo.

Todas as fotografias da Francesca Woodman.
Quando e como você começou a ver você mesmo como artista?
Eu não me vejo como artista. Me vejo como um cara normal, mas que trabalha com arte. Na arte não existe glamour, é um trabalho duro e instável, não escolhi a arte, ela me escolheu, só que eu não estou pronto ainda.
Você se considera pós moderno?
Não, me considero uma pessoa.
Qual é sua opinião sobre os subsídios públicos para a arte?
Falta muito para ser bom.
Você sofre ao se desprender de uma peça que tenha vendido?
Não vendi nada ainda.
Ao comprar a obra, estamos mais que nada comprando o artista?
Não, a arte, apesar de ser tão fulminante, é um ofício, tem que se vender peças sim e se ganhar dinheiro, ninguém vive de inspiração.
Para a arte não há guia. Como você sabe qual é a próxima coisa a fazer?
As coisas acontecem. Às vezes você acorda e quer fazer alguma coisa, ou escrever, mas nada é estável.
O que você acha de que grande parte das obras de arte contemporânea que os museus exibem seja de artistas que já faleceram?
Acho uma justa homenagem. Os vivos tem bienal a cada dois anos para mostrar seu trabalho.
Qual de seus trabalhos é o que você mais gosta?
Gosto de uma caixa que eu fiz quando era pequeno com todas as coisas que eu gostava.
O que você aconselharia aos iniciantes?
Sou iniciante, mas digo uma coisa: Se você dorme direito durante a noite, você não serve para criar, só serve quem não tem paz de espírito.
 

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Matheus Mendonça
São Paulo - Brasil


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© Matheus Mendonça
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