Entrevista a:Maurette Brandt [maurette]
JORNALISMO
 | Qual é sua especialidade? De que assuntos você trata? Tenho maior interesse no meio cultural. Em meus blogs escrevo crítica, crônicas, relatos de viagem, experiências. Sou muito ligada à dança em particular, mas aprecio literatura, ópera, cinema, artes plásticas. Tenho também interesse por idiomas, faço traduções/versões de e para o inglês, escrevo textos de comunicação de modo geral, inclusive com enfoque publicitário. Sou uma profissional versátil, fiz carreira em comuicação empresarial e atualmente sou free-lancer. |
 | Em que meios você trabalhou? Trabalhei na área de Comunicação de uma grande empresa, a Companhia Siderúrgica Nacional, durante 17 dos 30 anos em que estive na empresa. Escrevi artigos como free-lancer para jornais como O Globo e revistas, como ELE/ELA, uma publicação semanal que havia no Brasil, na década de 1980. Escrevi também o texto de relatórios anuais para diversas empresas, entre as quais a Light S.A. e a Cruzada do Menor, este ano. Fui editora de um programa de tv interna em vídeo na empresa em que trabalhei e dirigi duas edições do Festival Cinemúsica, um festival de cinema realizado em 2007 e 2008 na cidade histórica de Conservatória, no Estado do Rio de Janeiro (www.festivalcinemusica.com.br). |
 | Um endereço web onde possamos ver algo sobre você? Meus blogs:
http://jornalistico.blogspot.com
http://gentedemuitacoragem.blogspot.com
http://totjosepcarreras.blogspot.com
http://llibrellachia.blogspot.com
e no blog
http://tertulhas.blogspot.com, onde costumo fazer comentários. |
 | O que é noticia? Tudo o que acontece é notícia imediatamente, mas desvanece-se rápido. Notícia é aquilo que as pessoas querem saber, mas também o que alguém quer que todo mundo saiba. Há notícias que de fato acontecem, outras que são criadas. Hoje, com a multiplicidade de meios de divulgação, com a força da internet e da tecnologia móvel, amplia-se muito o alcance e a velocidade da informação; na mesma proporção, diminui o tempo de vida da notícia.
Mas pode haver notícias mais naturais e um pouco mais duradouras, reais, e que permanecem no imaginário de todos por mais tempo. Há diferença entre uma catástrofe que acaba de acontecer e que domina a mídia por alguns dias, depois desaparece - e outra que as pessoas não esquecem porque tem a sua própria força, como o pouso daquele avião no Rio Hudson, recentemente. Fato real que ficou presente por sua própria veracidade. |
 | O que é para você a objetividade? É a capacidade de ir direto ao ponto em qualquer comunicação, de forma eficaz e elegante. Só com elegância e ética se pode conseguir uma objetividade que não seja predatória ou ferina. |
 | Qual é a melhor manchete que você leu? Manchete lendária, para mim, é uma dos tempos da ditadura militar no Brasil: "Ora vejam só...", numa notícia que falava de arbitrariedades, e que confundiu definitivamente a censura, mas comunicou o que era preciso ao público leitor. |
 | Qual é a manchete que você gostaria de ver algum dia nos jornais? O fim da xenofobia, a era da igualdade |
 | Que jornal você compra aos domingos? Onde você o lê? Leio O Globo (Brasil) em casa. Preferiria ler o Jornal do Brasil, mas este foi vendido e transformou-se em quase nada. Na internet procuro acompanhar os principais jornais do mundo, New York Times, Los Angeles Times, Haaretz, Guardian, dentro do possível. |
 | A liberdade de expressão acaba onde começa a linha editorial da mídia? Hoje em dia cada vez mais isso é verdade, já que o jornalismo está perdendo a expressão própria e é manipulado com frequência. Mas a era dos blogs está mudando vertiginosamente esse pensamento, pois há mais editorialistas do que jamais houve: todos (ou quase todos) se expressam como querem e, felizmente, não há mais como deter isso. Nem os governos fechados estão conseguindo! |
 | O jornalismo de analise e investigação está se perdendo? Não creio nisso. Na grande imprensa a tendência é que isso deixe de ser importante, mas no mundo da internet mais e mais pessoas se empenham em investigar, divulgar e desvendar os grandes problemas da sociedade. Creio que sempre haverá espaço para os grandes analistas, pois esses profissionais existem e estão na ativa, motivando os espíritos. Exemplo disso foi, recentemente, a palestra do Gay Talese, especialista em grandes artigos de fundo, na Festa Literária Internacional de Paraty. Decoro, profissionalismo, criatividade, capacidade. Isso nunca vai morrer. |
 | Com uma câmera em cada telefone, cada cidadão se transforma em um correspondente? Sim, é verdade! As motivações são várias, mas as oportunidades de verdades virem à tona crescem num ritmo incontrolável. É o lado bom e ruim desse tempo de privacidade zero; tanto pode servir ao bom jornalismo e à causa pública como também expor totalmente qualquer pessoa. De qualquer modo, é sempre bom que alguma coisa escape aos controles, para que o ser humano não desista de se reinventar e queira, realmente, servir a alguma causa. |
 | Como você explica o auge do jornalismo dedicado ao show business? Sintoma sério de toda uma falta de sentido e banalização das coisas. O mesmo digo dos reality shows, que empobrecem realmente a humanidade no mais baixo dos níveis. Lamentável. |
 | Qual é sua posição sobre o direito dos famosos a sua intimidade? Sou contrária à invasão de privacidade por princípio, seja de famosos, seja de pessoas comuns que têm sua correspondência violada, sua casa invadida, seus direitos cerceados. Acho que deve existir um limite de respeito à privacidade de qualquer pessoa, apesar dos tempos pouco privativos em que vivemos. Da mesma forma, considero xiita obrigar pessoas em posição de destaque a declarar preferências sexuais ou outros assuntos de foro íntimo. Sou pelo bom senso e realmente desprezo papparazzi, detetives particulares e similares. |
 | O que você pode nos ensinar sobre a arte da entrevista? Todos têm sempre algo a aprender e algo a ensinar. Posso falar sobre as ferramentas que uso: observar, observar, observar, concentrar-me no personagem, tentar captar o máximo possível em sensações que vão além do que está sendo dito. E obviamente fazer o dever de casa: informar-se antes, com toda humildade, sobre tudo o que diz respeito ao entrevistado. |
 | Pessoas famosas que você entrevistou Carlos Drummond de Andrade, José Carreras, Fernando Henrique Cardoso, Ivan Lins, Beth Carvalho, Altamiro Carrilho. |
 | O jornalismo blog está revolucionando a profissão? Sim, está. Já falei sobre isto porque me anima, mesmo, a possibilidade de tantos talentos atentíssimos e capazes terem a chance de gerar suas informações de modo independente. Há blogs de profissionais que são quase sites. Mas o melhor são os blogs de opinião dos anônimos competentes que estão mudando a cara da crônica, do conto, da reportagem. Sou adepta e das fervorosas. |
 | O jornalismo de papel desaparecerá? Não! Vale lembrar que os mundos avançados, arcaicos e pré-históricos coincidem no nosso planeta. As revoluções são paralelas. A imprensa ainda é a grande revolução herdada dos século 20! Sempre existirão jornais, livros, revistas. A tecnologia digital está revolucionando em seu terreno, mas não substituirá o cheiro de tinta nem a 'doce música mecânica', como disse Drummond das máquinas de composição, e que eu aqui transfiro para as rotativas. |
 | O que você pensa de imprensa gratuita que se distribui nas cidades? Ninguém dá valor. É de graça, é publicitário, não é preciso lugar para ter... não desmereço porque obviamente deve haver algum conteúdo de qualidade circulando incógnito por aí. Mas não funciona... só para políticos em tempos de eleição. |
 | Qual é o livro que você gostaria de escrever? Um romance memorial que venho construindo dentro de mim e hei de escrever. Fala de personagens comuns da minha vida. Drummond já dizia que é essencial escrever sobre o que a gente viveu... poderia ser na primeira pessoa, mas não é. É sobre um grande personagem que tem muitos ingredientes de verdade.
Gostaria também de escrever um romance com Enrico Caruso como personagem principal. Um recorte rocambolesco sobre sua vida não menos rocambolesca. Admiro o verdadeiro espírito da ópera... |
 | Algum lema ou principio ético esclarece suas decisões em momentos de confusão? Não tenho lema, mas pratico princípios éticos em todas as minhas decisões. Em tempos de confusão, procuro serenar a mente e rezar. Sou zen! |
 | Que conselho você dá a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão? Em primeiro lugar, ame o que pretende fazer. Em segundo, nunca use regras matemáticas para escolher a profissão que dá mais dinheiro, que tem mais espaço no mercado... isso não funciona. Seja bom naquilo que escolher e lute. Mesmo que, durante algum tempo, tenha de exercer outra para sobreviver, aquela profissão que é o amor da sua vida deve ser sempre a meta e o grande objetivo de qualquer esforço.
Isso vale para qualquer área; no jornalismo, é bom acrescentar uma curiosidade natural por tudo o que lhe caia em mãos, pois sem essa curiosidade sincera é difícil ser bom jornalista. Mas não acredite em histórias e vá à luta pelo que sente que é seu! |
|
525 visitas Whohub [maurette] Maurette Brandt Rio de Janeiro - Brasil
|