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Entrevista a:

Marcelo Druyan [mdruyan] 


JORNALISMO
Qual é sua especialidade? De que assuntos você trata?
Sou formado em jornalismo pela UNI-BH, ex-FAFI-BH. Atualmente, desenvolvo um trabalho voluntário na web, no blog Bule Voador (www.bulaevoador.com.br). É um espaço voltado à divulgação do Humanismo Secular. Tratamos de assuntos relacionados aos direitos humanos, defesa das minorias, laicismo, secularismo, entre outros.
Em que meios você trabalhou?
Trabalhei em revista, jornalismo sindical, agência de publicidade, free-lance e internet.
Um endereço web onde possamos ver algo sobre você?
Bule Voador - www.bulevoador.com.br
O que é noticia?
Responderei com um exemplo clássico: "Quando um cachorro morde seu dono, isto é corriqueiro; mas quando o dono morde seu cachorro, isto é notícia".
O que é para você a objetividade?
A objetividade é a capacidade de informar sem rodeios. Eliminar toda informação que não agregue valor à notícia.
Qual é a melhor manchete que você leu?
A melhor, porque a mais cômica: "Cachorro faz mal a mulher". Era uma notícia sobre uma senhora que sentiu-se mal após comer um cachorro-quente. Mas o duplo sentido da manchete foi hilário.
Qual é a manchete que você gostaria de ver algum dia nos jornais?
Várias. Mas, neste momento: "Fim dos conflitos no Oriente Médio".
Que jornal você compra aos domingos? Onde você o lê?
Leio jornais diariamente. Em mídia impressa, apenas os de Minas Gerais: Estado de Minas e O Tempo; além das revistas semanais Veja e Época. Em mídia eletrônica: Jornal do Brasil, O Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Zero Hora e várias revistas on-line.
A liberdade de expressão acaba onde começa a linha editorial da mídia?
A questão está mal colocada. A linha editorial da mídia é uma marca da liberdade de expressão. Liberdade de expressão não é algo impalpável, abstrato. Ela se concretiza na expressão de uma opinião ou de determinado conteúdo. Existem, a meu ver, dois problemas. O primeiro diz respeito à falta de transparência de alguns véiculos de comunicação quanto às suas opções políticas e partidárias. O segundo diz respeito à dificuldade que a sociedade civil organizada encontra para construir e manter seus próprios veículos de comunicação. A internet abriu um espaço importante para a liberdade de expressão, com a proliferação dos blogs e redes sociais, a custo zero. Tanto um grande jornal quanto um pequeno blog são capazes de provocar um salseiro. E isto se deve ao poder de replicação da informação na web.
O jornalismo de analise e investigação está se perdendo?
De certa forma. Durante o último período de redemocratização, convivemos com resquícios da ditadura que foram alvo de boas matérias de análise e investigação. Atualmente, somos um sociedade mais aberta e, por incrível que pareça, são as investigações da Polícia Federal e as denúncias do Ministério Público que têm dado os maiores furos de investigação. Coube ao jornalsimo a análise destes casos.
Com uma câmera em cada telefone, cada cidadão se transforma em um correspondente?
Com certeza. E é uma tecnologia de duas pontas. Do outro lado está a internet e o poder das imagens no Youtube, por exemplo.
Como você explica o auge do jornalismo dedicado ao show business?
Ele é o subproduto do culto às celebridades.
Qual é sua posição sobre o direito dos famosos a sua intimidade?
Os "famosos" têm direito à privacidade tanto quando os "anônimos".
O que você pode nos ensinar sobre a arte da entrevista?
Saber escutar, não ficar preso ao roteiro. Muitas vezes o entrevistado deixa ganchos preciosos no ar, que o repórter precisa detectar e explorar. Uma entrevista sobre determinado assunto pode transformar-se em outra, muito mais interessante e atrativa.
Pessoas famosas que você entrevistou
Vou citar a minha primeira entrevista, nos idos de 86: Roberta Close.
O jornalismo blog está revolucionando a profissão?
Quando se trata de blogs independentes, sim. Muitos jornalistas que não têm espaço na grande mídia ou que escolhem ficar fora dela, podem exercer o blog-jornalismo.
O jornalismo de papel desaparecerá?
Não. Acredito que haverá uma convergência cada vez maior entre mídia impressa e mídia eletrônica. Isto não acabará com o jornalismo de papel, apenas irá obrigá-lo a se adaptar a novas demandas.
O que você pensa de imprensa gratuita que se distribui nas cidades?
Do ponto de vista de ser grátis, acho positivo, porque democratiza a informação. O que eu questiono, muitas vezes, é a qualidade do conteúdo.
Qual é o livro que você gostaria de escrever?
O livro que eu gostaria de escrever, já foi escrito: "Mundo assombrado pelos demônios", de Carl Sagan.
Algum lema ou principio ético esclarece suas decisões em momentos de confusão?
Sim, uma frase do escritor Albert Camus, mais ou menos assim: "Ter uma vontade é apontar paradoxos, pois tudo está ordenado de forma a nos proporcionar aquela paz envenenada, pela falta de sentir, pela falta de pensar, por renúncias fatais".
Que conselho você dá a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão?
Você está fazendo aquilo que realmente gostaria de fazer? Se estiver, siga em frente. Quando se faz aquilo que se gosta, o sucesso é mera consequência.
 

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Marcelo Druyan
Belo Horizonte


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© Marcelo Druyan
Endereço web desta entrevista:http://www.whohub.com/mdruyan

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