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Entrevista a:

Dilson Costa Neves [nito] 


EDUCAÇÃO
Que matérias você ensina? Que tipo de alunos você tem?
Trabalho com várias disciplinas (Empreendedorismo, Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia) em três Escolas (Escola Estadual Pedro Teixeira; Escola Municipal Pompeu Sarmento e Escola SESI em Maceió-AL). Tenho alunos no Ensino Fundamental de 6o. ao 9o. ano (Município) e no Ensino Médio de 1 ao 3 ano (Escola SESI - matutino e no Estado - noturno). São realidades diversas de faixa etária e de condições econômicas e sociais. Atualizando: Em 2010 assumi a gestão da Escola SESI Cambona - Maceió - AL. Formamos uma equipe motivada e definimos com a participação de todos a Missão, Visão e Valores de nossa Escola. Estamos estabelecendo várias parcerias, realizando um projeto de inclusão e de responsabilidade socioambiental.
Algum link onde possamos ver que você faz ou o centro onde você trabalha?
Sim! www.dilsoncosta.pro.br http://interfilos.atspace.com (site); www.interfilos.blogspot.com pt-br.facebook.com/public/Dilson-Costa-Neves youtube (Projeto Olhe e Sonhe) CD Gente é pra Brilhar! (Voltado para a educação de crianças e adolescentes com 11 músicas criadas para projetos)
Que experiências do passado o levaram a dedicar-se a isto? Como se despertou em você a vocação educadora?
Tenho uma longa caminhada na educação! Trabalhei muito tempo com grupos de jovens; tive minha formação burilada no seminário em salvador na Congregação Religiosa Passionista. Fiz Filosofia em Salvador; Teologia (ISTA) e Ciências Sociais (UFMG) em Belo Horizonte - MG; Pedagogia (CESMAC) em Maceió e uma Especialização em processos Educativos na UnB. Sempre mantive contato com muita gente de diversas realidades e culturas. Acabei trilhando os caminhos da educação! Conclui o MBA em Gestão Empreendedora em Educação pela UFF-RJ em 2011.
Que mestre ou mestra foi mais influente em você, e por quê?
Uma professora do Primário (Prof. Socorro); Um professor de Arte na Escola Técnica Federal de Goiás; O professor Lima do curso de Meteorologia da UFAL; O professor e escritor Fernando Dolabela (O segredo de Luisa). Pedagogia Empreendedora; Meus Pais e o grande Mestre dos Mestres Jesus
Como você definiria sua filosofia docente?
Procuro seguir os passos da filosofia socrática: "só sei que nada sei". Estou sempre aprendendo e buscando novas possibilidades de interação com meus alunos (relação dialética de aprendizagem. Meus alunos me ajudam a não me estagnar e petrificar em modelos de educação). Acredito numa educação que parte da "maiêutica", pois o papel do professor é ser "parteiro" de novas idéias. Acredito e desenvolvo a Pedagogia Empreendedora. Educar é criar laços afetivos e efetivos na construção fascinante do conhecimento!
Que aspecto da profissão representa um maior desafio para você?
Trabalhar dentro de um modelo de Escola e de educação ultrapassados. Modelo que entrou em crise no século XX e que ainda tem fortes requícios e barreiras para realizar um novo paradigma de educação. Ainda utilizamos cardenetas, muito papel, uma enorme burocracia e exigências rídiculas. Centrados numa avaliação de certo e errado, que discrimina quem ousa ser criativo e repreende quem não se sujeita a esse modelo fora de contexto. Precisamos cirar um novo paradigma educacional dentro de um novo modelo social.
Que tipo de relação você estabelece com seus alunos/as?
De amizade, de escuta, de respeito e cobrança, de confiança e de busca constante pelo conhecimento.
Qual é o segredo para infundir curiosidade pelo conhecimento?
Trabalhar temas instigantes. Adotar uma pedagogia baseada mais nas perguntas e questionamentos do que nas respostas prontas e acabadas. Fazer uso de diversos intrumentos de pesquisa (internet, televisão, jornais e revistas...) Montar os trabalhos no Power point e Movie Maker. Publicá-los no youtube e apresentá-los para toda a escola em formas de peças, jograis, eventos... tornam-os mais significativos.
Qual é seu critério a respeito de pôr tarefas para a casa e sobre pontuação?
Trabalho com projetos e não com tarefas para casa. Procuro acompanhar o desenvolvimento de cada um dentro dos grupos de trabalho e vou lançando pontos de acordo com as regras estabelecidas no início de cada trabalho. (auto-avaliação; participação e envolvimento; cumprimento de metas dentro do tempo estabelecido;...)
É possível ensinar/aprender criatividade? Como?
Claro que sim!!! Em primeiro lugar não tolhendo a criatividade natural de cada criança de cada ser humano. Em segundo, trabalhando tanto com o lado direito e esquerdo de nosso cérebro (Razão e Emoção; Normas e Ousadia; Ordem e desordem criativa;...). Criando atividades que desafiem o educando, que tire dele novas formas de ver o mundo e os problemas com novas e variadas soluções. Sair das estruturas fechadas das escolas. Trazer e promover ações na comunidade local (Extensão). Utilizar das novas tecnologias e desenvolver atividades de "criação divergente". São tantas e tão variadas as possibilidades que daria para escrever um livro sobre a criatividade fluindo no espaço educativo.
Como você se faz respeitar na aula? O que você faz quando surge um problema de disciplina?
Não existe uma fórmula mágica e dependendo do nosso estado de espírito podemos resolver a questão ou agravá-la ainda mais. Procuro estabelecer uma relação de amizade e respeito com todos. Procuro fazer atividades que despertem a participação e o envolvimento do grupo. Quando estamos tensos, cansados e estressados passamos este sentimento para a turma e qualquer probleminha de "indisciplina" pode virar um problemão!!! Tento não centralizar a fala (desafio dentro do modelo educacional em que vivemos). Procuro chegar perto da pessoa ou do grupo que está provocando o problema. Dar um abraço, um sorriso, falar baixinho com aquele que está no centro das atenções talvés seja a melhor atitude. Dificilmente grito na sala pedindo silêncio!(atitude contraditória: se grito como posso querer silêncio?!). Atualmente faço acumpultura e meditação. Percebi que meu equilíbrio emocional tem forte influência na minha saúde na na maneira como resolvo e encaro os problemas.
Como você individualiza o ensino? Como você lida com os diferentes níveis dos estudantes de uma mesma aula?
Outro grande desafio para quem trabalha com 42 turmas em uma aula de 50 minutos! Não seria possível se adotasse uma avaliação pautada em provas com horários determinados. Procuro avaliar cada um e os grupos de trabalho a partir de alguns critérios (participação e envolvimento; realização das atividade e entrega com pontualidade; criatividade). Dependendo da turma faço avaliações e trabalhos diferenciados. Estimulo diversas modalidades de avaliação (individual, em grupo, debates, seminários, auto-avaliação).
Que significa para você aprendizado colaborativo? Como o põe em prática?
Parte da resposta já se encontra nas questões anteriores. Não se trata apenas de fazer um trabalho em grupo. É algo integrante de um novo paradigma educacional que não está centrado apenas na formação cognitiva e que busca desenvolver competências e habilidades tendo em vista a construção de uma nova sociedade (mais solidária, participativa, mais humana,...) É uma maneira de pensar em rede (Rede do colaboração. Onde cada um se sinta capaz e necessário! Perceba que faz parte de um todo. Uma visão holística do mundo)
O que você espera de seus supervisores? Que qualidades você valoriza na pessoa que dirige o centro?
Espero que trabalhem fazendo e se sentindo parte do processo. Que vibrem com cada projeto! Que estimulem a criatividade! Que seja fomentador de atitudes empreendedoras. Que sejam humanos e que não tenham medo de errar e se compromentam em ajudar na criação de um ambiente de confiança, solidariedade e de realizações.
Que assuntos a debate sobre ensino são de maior interesse para você?
Interdisciplinaridade; Temas da atualidade; Os desafios éticos contemporâneos; A Educação e os novos modelos de ensino provocados pelo avanço das tecnologias. Gosto de estar conectado com o mundo e suas mudanças. Tudo pode ser discutido e trabalhado na educação.
Seria bom que os professores tivessem incentivo econômico em função dos resultados escolares de seus alunos?
Não! Educação não é comércio! Será muito bom se o profissional da Educação for valorizado com salários dignos. Que tenha espaço para continuar sua formação e receber incentivos, bolsas de estudo para realizar pesquisas e envolver seus alunos em projetos que estejam voltados para uma atividade realmente significativa para a comunidade local e para toda a sociedade.
Além de mais recursos, que falta nas escolas de nosso tempo?
Falta acreditar na educação! Falta investimento sério e continuado! Faltam projetos significativos! Falta abertura para rompermos com este modelo antigo de educação (Taylorista e Fordista) e criarmos um ou vários modelos mais conectados com nosso tempo. Falta aplicarmos melhor os recursos na educação (Exemplo: se fosse dono de escola, jamais montaria um laboratório de informática nos modelos que temos nas escolas. Compraria notbooks e equiparia a escola com sinal de internet. Em qualquer lugar o professor e sua turma poderia ter acesso a esse recurso). Estamos aplicando mal o dinheiro num modelo ultrapassado que não corresponde mais às necessidades da sociedade.
Como é a tecnologia que você utiliza habitualmente nas aulas?
Utilizo vários recursos! A internet é uma excelente ferramenta que ajuda a rompermos com os muros da escola. Atividades utilizando o Power point, o Movie Maker tornam os trabalhos mais interessantes. Publicar os trabalhos da turma e poder apresentá-los para o mundo é uma realidade mais instigante do que colocar um cartaz feito de cartolina na parede da escola. Mas não basta ter essas ferramentas e recursos nas escolas. É preciso saber utilizá-los. Que tal integrarmos os celulares com câmeras e os MP3,4,5... nas aulas! Assistir um bom programa o um video na TV, no DVD! Criar uma rádio na escola são atividades pra lá de interessantes, divertidas, criativas e educativas.
Em frente às novas tecnologias, há que reinventar a escola, seus métodos e objetivos?
Precisamos de uma nova escola ou melhor de uma gama de novos modelos de escolas. Utilizar tanto papel é um crime ecológico. Preencher cardenetas com taletas de notas (trabalho escravo sem utilidade!). Submeter nossos alunos a uma jornada de cinco horas fechados em salas de aula com disciplinas alheias e desconectadas com o mundo é uma barbaridade!!! Copiar textos no quadro, responder questões com única resposta certa! Um horror! Precisamos pensar os espaços físicos das escolas e das salas com carteiras voltadas para o quadro e para o único responsável pelo discurso... Que massacre! Neste modelo temos que aplaudir aquelas crianças que não se submetem e provocam o que chamamos de indisciplina. Novos horários,projetos interdisciplinares, professores trabalhando em conjunto, salas com mesas redondas para facilitar o trabalho de equipe. Sinal de Internet por toda a escola, utilização dos mais diferentes meios tecnológicos e valorização da criatividade e da participação!! Eis alguns ingredientes para começarmos a construir uma nova escola!
Se você pudesse criar uma escola ideal, como seria?
Não existe escola ideal! Poderemos ter várias e diferentes escolas dependendo de seus objetivos. Dei várias dicas na resposta anterior. Uma escola voltada para a formação de cidadãos comprometidos com a construção de uma nova sociedade. Uma escola menos burocrática, mais próxima da natureza, mais participativa e mais aberta às necessidades da comunidade local. Uma escola conectada com o mundo e com outras escolas...
Como você imagina que será uma escola daqui a 20 anos?
Possivelmente com poucas mudanças ou totalmente nova! Devido às suas estruturas rígidas e arcaicas a escola se encontra numa grande crise. O que pode ser muito bom! Pois é no momento de crise extrema que se constrói algo novo.
Quais são suas metas pessoais? O que você gostaria de estar fazendo daqui a cinco anos?
Fazendo e terminando um mestrado. Diminiudo esta quantidade louca de turmas. Ampliando as consultorias que faço sobre Ética, sobre a Pedagogia Empreendedora, sobre a formação de Educadores no século XXI. Com mais tempo livre para formação e pesquisa e para curtir com minha esposa e filha e os amigos.
Que qualidades você deve em alguém para aconselhar-lhe a dedicar-se ao ensino?
Curiosidade! Aprender sempre! Acreditar e gostar do que faz! Aprender com as pessoas que estão próximas (família, alunos, professores, amigos), Não se abater diante das inúmeras dificuldades apresentadas no campo educacional. Ter uma atitude empreendedora diante dos desafios e obstáculos!
 

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Dilson Costa Neves
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