Entrevista a:Pedro Zambarda de Araújo [pedrozambarda]
JORNALISMO
 | Qual é sua especialidade? De que assuntos você trata? Normalmente escrevo em blogs e sites especializados sobre música, tecnologia e literatura, com ênfase em rock´n´roll, videogames e ficção, respectivamente. |
 | Em que meios você trabalhou? Colaborei com meios impressos (house organ e revistas), sites e rádio na faculdade. Colaboro com a Whiplash, maior portal de heavy metal e rock´n´roll desde 1996 (http://whiplash.net) e procuro sempre espaços na web.
Profissionalmente, fui bloggeiro e assessor de imprensa de uma empresa de 3D e serviços de inovação. |
 | Um endereço web onde possamos ver algo sobre você? |
 | O que é noticia? Notícia é o fato traduzido para a linguagem jornalística. Outras abordagens geram outros tipos de conhecimentos e informações, mas a notícia é o produto mais direto do jornalismo. Ele segue ordem cronológica e se destaca por sua importância social. |
 | O que é para você a objetividade? É a subjetividade não aparente. É um resumo que, bem trabalhado, desperta pouco ou praticamente nenhum questionamento. |
 | Qual é a melhor manchete que você leu? "Broxa torra pênis na tomada". Qualquer manchete do Notícias Populares é um exercício de humor e é, sem dúvida, um título atraente.
Mas não considero o tom jocoso um parâmetro pra uma boa frase. Foi um título que me marcou, apenas. |
 | Qual é a manchete que você gostaria de ver algum dia nos jornais? Brasil abre 140 mil universidades, 240 mil escolas técnicas e 560 mil escolas municipais.
E diria que não é só uma manchete necessária aqui. Educação é necessária a todos os homens modernos. |
 | Que jornal você compra aos domingos? Onde você o lê? Estadão. Em casa. |
 | A liberdade de expressão acaba onde começa a linha editorial da mídia? A liberdade de expressão acaba na insistência de um redator brilhante em bater de frente contra um editor repressivo e na censura prévia que um editor faz sem pensar. Ambos estão errados. Ela se desenvolve com toda uma carreira profissional. |
 | O jornalismo de analise e investigação está se perdendo? Jornalismo e Investigação são redundância. Não que o jornalista seja um investigador, mas é sim um investigador de fatos.
A Análise vai sempre existir porque o ser humano é crítico e o meio jornalístico é sempre um espaço aberto pra isso, com ou sem censura. O que não pode acontecer é haver, sempre, análises sem fundamento. |
 | Com uma câmera em cada telefone, cada cidadão se transforma em um correspondente? Não. Se isso for verdade, qualquer pedreiro bom de matemática seria engenheiro. Um pintor de rua seria designer. Um dono de quitanda seria administrador de empresas. Toda enfermeira seria médica. Favor não confundir os profissionais. |
 | Como você explica o auge do jornalismo dedicado ao show business? Show Business é mídia de massas. Mídia de massas é século XX. Então penso que é um vestígio de tempos antigos. Os novos tempos hão de se consolidar. |
 | Qual é sua posição sobre o direito dos famosos a sua intimidade? Todos tem direito a intimidade. No entanto, a fofoca é a forma mais antiga de comunicação, que vem antes do próprio jornalismo.
Enquanto a sociedade estiver organizada desta maneira, abusos serão cometidos. |
 | O que você pode nos ensinar sobre a arte da entrevista? Sabedoria para saber ouvir e articular as idéias do entrevistado em suas respostas. Ousadia para acrescentar ganchos em momentos oportunos, sem atrapalhar o andamento da conversa. |
 | Pessoas famosas que você entrevistou Jornalistas em sua maioria. Heródoto Barbeiro, Eugênio Bucci e Laurindo Lalo. Entrevistei também o escritor Milton Hatoum.
Mas alguns anônimos, de longe, deram depoimentos melhores, mais criativos. |
 | O jornalismo blog está revolucionando a profissão? O blog revolucionou a internet. Não seria diferente com qualquer outra área. |
 | O jornalismo de papel desaparecerá? Se papéis podem ser reciclados, não. O ser humano tem um gosto peculiar por diferentes superfícies de leitura. |
 | O que você pensa de imprensa gratuita que se distribui nas cidades? Depende. Existem veículos gratuítos feitos por publicitários e revistas gratuítas feitas por jornalistas. Em ambos os espaços, há trabalhos satisfatórios, por mais crítica que seja feita. |
 | Qual é o livro que você gostaria de escrever? "O Estrangeiro" de Albert Camus.
Porque trata sobre o absurdo, que é um tema fascinante, e nos faz refletir sobre ser um homem de maneira jornalística, com relatos secos.
Qualquer livro, além desse, para mim, deve ser escrito. Não importa quão bom ou ruim ele for. |
 | Algum lema ou principio ético esclarece suas decisões em momentos de confusão? "Escrever se aprende escrevendo".
Vou utilizar meu direito jornalístico de não revelar essa fonte. Vale pra vida. |
 | Que conselho você dá a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão? Aprenda a se expressar de diversas maneiras. Não esqueça que, antes de jornalistas, somos comunicólogos e temos acesso a áreas distintas da nossa, como publicidade e relações públicas. O segredo é aprender sem preconceito e sem o pessimismo além da conta que muitos nos impõem na área. |
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