A verbalização das minhas ideias, em forma de escrita, deixa de ser um começo mas sim o desfecho de um percurso, iniciado num momento atemporal, na esfera do meu pensamento, único lugar onde existo despida dos atavios com que me enfeito e os que me são oferecidos pelos olhares dos outros. É no pensamento que residem as palavras sem embuste. A seguir, há uma viagem que se inicia após a visualização das primeiras frases a desenharem imagens e a construírem uma história. É uma viagem que constantemente me surpreende por me levar a percorrer caminhos e a chegar a destinos insuspeitados. Quando escrevo poesia, pode ser uma determinada imagem, uma sensação e até um pedaço de memória de um instante vivido e guardado, que se materializam no primeiro verso e a partir daí construo o poema. Não sou uma escritora disciplinada, não sinto a obrigação de escrever todos os dias e quando estou a escrever um romance não sigo um plano rígido mas, se não escrevo, sinto uma falha, como uma urgência a que tenho de atender.   | | |
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