Escreve como terapia pessoal? Os conflitos internos são uma força criadora?
Sim. Todas as pessoas que escrevem algo, tem uma força dentro de si.
No meu entender, todo o escritor beneficia com o acto da escrita. Mesmo que, à partida, não se julgue necessitado de terapia ou de uma purificação emocional. Através do processo da escrita, por detrás das máscaras que vou usando, em forma das várias identidades que crio, constantemente me (re)descubro e (re)invento. Escrever é percorrer um caminho que me leva onde eu desejo chegar e, muitas vezes, onde não suspeitava ser capaz de chegar e as palavras são o batel em que viajo para fora e dentro de mim. Atrevo-me a afirmar que, a inexistência de conflitos internos seria um campo muito árido para que a semente da escrita pudesse germinar.
Sim , sempre.
Escrever é como uma "válvula de escape". Não apenas os conflitos internos, mas aquela pessoa que existe dentro de você, apenas dentro, também auxilia na criação.
Sim, sempre. Amo escrever, aprendo escrevendo, gosto de ver as coisas no papel.
Os conflitos internos são grandes geradores de força criativa, se tivermos propensão para a Arte. Acho que quando escrevemos ou realizamos outra manifestação artística o fazemos para salvarmo-nos de nós mesmos. Somos algo intrincado, confuso, estranho, e a Arte é a vazão aceita pela Sociedade [ainda bem!] para extravasarmos um pouco da perigosa bomba atômica que mora em nosso interior. Penso que o impulso criador é como uma ejaculação colorida de algo que já não cabe mais em nós e precisa de ar!
Os conflitos internos não são necessariamente vetores para a minha escrita. São aliados sutis. Posso pegar uma dor pessoal, soprá-la ao vento e ver que reações ela desperta. A partir dessas reações, vem a possibilidade dos enredos.
Não.
Também. Escrever é doloroso e prazeroso ao mesmo tempo. É como se tatuar: sabemos que vai machucar, sangrar, cortar a pele, mas fazemos pelo prazer de deixar algo marcado, registrado em nós.
Certamente.
Na maioria das vezes sim. Meus conflitos internos podem ter personagens diferentes. Já me aconteceu de escrever uma história em que cada personagem tivesse uma característica minha. Eu posso me realizar ao escrever sobre viagens, empregos que gostaria de ter ou simplismente um amigo, com quem gostaria de compartilhar minha vida. Também uso minhas palavras no papel para desabafar meus sentimentos e coisas que tenho que guardar dentro de mim.
Sim, mas apenas no sentido de que já estou tão acostumada com o processo criativo que acabo necessitando escrever para sentir-me completamente eu. É como se já fizesse parte de quem eu sou precisar organizar palavras e histórias, e dá sentido a elas.
Os conflitos internos são sempre fonte de inspiração, mas não apenas eles. O mundo externo à mim e minhas vontade também influencia muito.
Também, as vezes o que escrevo, é na verdade o que eu gostaria que escrevessem para mim.
Totalmente. Foi o que me fez começar e é o que me matém. Sem conflitos não há sobre o quê escrever, não há vivacidade. |
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