Entrevista a:Rodrigo Teofilo (Rostev) [rostev]
FOTOGRAFIA
 | Você tem uma galeria online onde possamos ver suas fotos? Portfólio digital:
► http://www.rostev.com
Blog com notícias, tutoriais e afins:
► http://blog.rostev.com
Minha galeria de imagens mais abrangentes:
► http://www.flickr.com/photos/rostev |
 | Desde quando você faz fotografia, como começou a sua inclinação? Apesar da fotografia estar diretamente ligada ao meu trabalho (sou responsável pela editoria fotográfica e artes digitais do Jornal Regional, semanário que circula no Vale do Paraíba paulista e no Sul de Minas Gerais, sudeste do Brasil), acabou entrando em minha vida como um hobby, impulsionado principalmente pela minha avó paterna, Marilha Pereira da Silva, responsável por tradição de todas as fotos da família.
Quando garoto minha avó me presenteou com uma belíssima Olympus Trip35, ao qual considero uma das grandes ferramentas fotográficas do meu iniciar nesta área e desde então não parei mais, principalmente quando adentrei ao universo digital, me beneficiando com a redução no custeio das imagens que fazia. |
 | Sua formação como fotógrafo? Minha formação fotográfica é basicamente autodidata.
Aprendi na prática fotografando com filmes 35mm quando ganhei a Olympus Trip35 da minha avó Marilha (uma câmera rangefinder de lente fixa). Desta câmera passei para o sistema reflex com uma Zenith 12XP e posteriormente para o padrão Pentax K, com uma belíssima Phenix DC303K. Nesta época tinha apenas duas lentes, sendo uma 35-70 e uma 70-210mm e a partir delas, aliado as conversas com fotógrafos amigos que trabalhavam em fotojornalismo e coberturas sociais, comecei a caminhar na fotografia.
Depois veio o sistema digital, ao qual comecei muito acanhadamente com a recém lançada Sony H2. Parti num segundo momento para a prossumer Fuji S9100 e no meu terceiro estágio no digital comprei minha primeira dSLR, uma Nikon D50. Desde então não parei mais, me mantendo ávido consumidor de informações fotográficas, frequentando sites e fóruns sobre o assunto, de onde veio grande parte das concepções e conceitos que hoje mantenho assegurados comigo.
Participei de algumas oficinas de fotografia, bem como alguns workshops e palestras, mas a prática é quem realmente define a minha formação fotográfica. |
 | Exposições nas quais você tenha participado? Participei de algumas exposições com os grupos de fotografia ao qual faço parte. Sendo eles o Vale Foto Clube, com temáticas ligadas a alguma das cidades ao qual realizamos passeios fotográficos:
Piquete:
► http://www.flickr.com/photos/valefotoclube/sets/72157621653223720/
Pindamonhangaba:
► http://www.flickr.com/photos/valefotoclube/sets/72157621530145179/
São Bento do Sapucaí:
► http://www.flickr.com/photos/valefotoclube/sets/72157621792403792/
Também participei de uma exposição com o grupo FriendS de fotografia, chamado "Foto da Foto", sob a tutela de sua presidente, Fabíola Medeiros:
► http://www.flickr.com/photos/fabiolarebello/2728523455/ |
 | Prêmios recebidos por seus trabalhos fotográficos? Vi meu trabalho ser colocado em vitrine mundial quando minha fotografia Verde no Aquarius foi eleita campeã no Festimage 2007 - Festival Internacional da Imagem, na categoria prêmio público. Naquele ano, essa foto foi a única brasileira a figurar entre outros finalistas da Espanha e Índia:
► http://www.flickr.com/photos/rostev/1041916575/ |
 | Qual é seu tipo de fotografia preferido? Gosto de me definir como um cara que ainda busca se definir. rs.
Parece estranho, mas é exatamente como me vejo na fotografia. Estou sempre testando e buscando assuntos diferenciados e que de alguma forma me force a conseguir ângulos, perspectivas e olhares novos, mesmo que seja de um assunto que tantas vezes já fotografei.
Acabo dando ênfase a fotografia documental, prédios e paisagens, pois adoro buscar o casamento de perspectivas e luzes, criando imponência e estilo ao assunto fotografado. |
 | Como você escolhe seus temas? De acordo com o meu interesse e o meu estado de espírito no momento. Muitas vezes os temas caem no meu colo de mão beijada e quando vejo uma boa oportunidade para conseguir boas fotos, tento explorar isso ao máximo. Na verdade gosto de buscar a fotografia bem feita e sob um olhar diferenciado, mesmo que seja um tema já bastante retratado. Qualquer finalização bem feita nos enche de orgulho e isso acaba norteando grande parte das minhas imagens. Tenho a mesma empolgação de fotografar natureza, como prédios e projeções de sombras e contraluzes. Tudo é válido para mim, excetuando os books e retratos, que infelizmente não fazem parte do meu bom estilo de fotografar (apesar de gostar bastante dos resultados que vejo de ótimos fotógrafos desta área). |
 | Que tipo de preparação você faz antes de fotografar? O momento de captura das imagens é uma terapia que me faz bem. Gosto de ficar pensando na cena, levando vários minutos para concebê-la, pois acredito que a foto já deva estar pronta na sua mente antes de você transformá-la no quadro finalizado. A meu ver essa forma de concepção veio da minha experiência com filmes, já que a quantidade de frames é limitada em relação ao sistema digital que usamos atualmente.
Em contrapartida é extremamente válido o feeling e o momento, onde não dá para ficar pensando como gostaríamos que a foto ficasse, sob pena de perder aquilo que realmente interessa, parafraseando o “instante decisivo” que o mestre Bresson tanto propagou. |
 | Você costuma fotografar com um propósito em mente, ou se deixa levar mais pelas oportunidades que surgem? As duas coisas... Por sinal, alguém responde diferente disso? rsrs.
Claro que o interessante é você buscar a fotografia, afinal você é quem sabe a imagem que quer fazer. Contrário a isso é deixar com que comandem o seu olhar, o que não colabora em nada para o seu próprio engrandecimento.
Mas qual fotógrafo não esteve na hora certa, no lugar certo e com a câmera em mãos (melhor ainda quando já bem ajustada)?
Comigo já aconteceu e obviamente não perdi a oportunidade de fazer a foto. |
 | Canon, Nikon, Fuji, Sigma, Olympus, Sony, Pentax... em qual você aposta? Por quê? Apesar de já ter usado sistemas Sony e Fujifilm, já a algum tempo utilizo Nikon, mas honestamente não que seja por achar que essa marca é superior as outras. Quando se começa a fotografar com mais afinco e necessitamos de um equipamento mais robusto, temos que optar por uma marca, já que além do corpo, existem as lentes e acessórios proprietários. Não tem como ficar permutando marcas sem adaptadores e que muitas vezes reduzem a qualidade do produto final: a fotografia.
Na época escolhi Nikon por gostar mais da pegada do corpo, acesso ao dial de comando (velocidade/abertura) além dos menus do sistema digital que me agradaram mais do que a Canon.
Hoje não teria problema algum em utilizar Canon, já que os lançamentos mais novos me fizeram olhar para essa marca com outros olhos. Só mantenho Nikon por conta de todo o conjunto que já possuo. Nada mais, pois ambas as marcas são ótimas (por sinal, no mercado profissional e médio, Nikon e Canon dominam fortemente). |
 | Descreva seu equipamento atual. Já fui um cara muito ligado a equipamentos. Daqueles que viviam trocando de câmeras, comprando e vendendo lentes, além de outros acessórios, querendo sempre estar atualizado. Faz mais de dois anos que não troco de câmera, pois acredito que para as fotografias que tenho realizado, estou muito bem equipado. Aprendi durante os últimos anos que só devemos trocar de equipamento quando aquele que possuímos deixa de nos satisfazer. Tenho deixado a necessidade guiar os meus investimentos e não mais aquela ânsia em estar atualizado pela pura obrigação de acompanhar o mercado.
Atualmente possuo um set bastante simples e de certa forma um tanto defasado frente as novidades à disposição no mercado. Estou com uma Nikon D200 e uma D50, dois flashes (SB800 e SB600) além de algumas lentes mais modestas ainda, como as Nikkor 18-70mm, 18-105VR e 50mm f1.8. Tenho duas Sigmas 70-300mm APO Macro e o meu xodozinho, que é a 10-20mm.
Possuo ainda uma Nikon FM (35mm), com uma lente fixa Pré-AI 24mm f2.8, que de vez em quando carrego para brincar com alguns filmes diferentes e difíceis de se achar por aqui e que ainda mantenho guardados na geladeira. |
 | Que software e plug-ins você usa para retocar e administrar suas fotografias? Sou um eterno apaixonado pelo Photoshop. Tanto que até os dias de hoje não consegui me apegar ao Lightroom, software tão adorado pelos fotógrafos atuais.
Utilizo o Photoshop desde a versão 4.0 e nunca mais larguei.
Nele utilizo alguns plug-ins que considero indispensáveis, como o Tiffen Dfx (simulador de filtros fotográficos), NiK Color Efex Pro (além de filtros, simula filmes e outros efeitos), Viveza (que garante tratamento em determinados setores da imagem), além dos velhos Noiseware (redutor de ruídos) e o Portrature (para acabamento em retratos, sobretudo na parte de pele). Um outro plug-in que ajuda muito é o Shadow Illuminator Pro (que consegue revelar iluminação em fotografias bastante escuras).
Para fotografias panorâmicas, gosto do software Panorama Factory V5, que é bastante intuitivo e realiza um ótimo trabalho. |
 | Que medidas você propõe para proteger os direitos autorais dos fotógrafos frente à pirataria na internet? Não vejo muito o que se possa fazer nessa área a não ser o sentido de conscientização das pessoas que navegam neste universo da internet. As pessoas precisam ter em mente que fotografias são bens de propriedade de outras pessoas e quando você as salva no seu computador, sobretudo para utilizações públicas, está literalmente roubando um trabalho alheio.
Parece absurdo, mas muitos internautas acham que imagens e textos da web não tem propriedade ou que são de domínio público e usam e abusam sem qualquer pudor.
Em contrapartida quando você coloca seu material na internet, já deve estar ciente dos riscos de tê-los roubados. Portanto não dá para ficar chorando depois o leite derramado. Eu costumo colocar minhas imagens sempre assinadas na web, com tamanho diminutos para que atrapalhe utilizações diversas, apesar de achar que isso é mais paliativo do que propriamente eficaz. |
 | Você é um bom vendedor de si mesmo como fotógrafo? Em que você deve melhorar? Infelizmente não...
Me vejo como um amador profissional, porque o amor pela fotografia é maior do que a minha ânsia de ganhar dinheiro com ela.
A fotografia sempre esteve ligada a minha pessoa, só que nunca consegui viver somente dela e adianto que não fiz questão que isso acontecesse. Sou uma pessoa que leva tudo que faz com muito amor e intensidade e, sempre que sinto a obrigação ficar mais forte do que a paixão começo a perder interesse pelo assunto. Para mim isso é fato.
Vez ou outra faço trabalhos profissionais como fotógrafo, atuando nas mais diferentes áreas (social, documental, conceitual e institucional), mas sempre pela vontade maior de estar me reciclando e tentando ganhar “algum” que colabore com meus próprios investimentos na área. |
 | Que mestres clássicos da fotografia são os que você mais admira? Sou um verdadeiro apaixonado pelas fotografias de Henry Cartier-Bresson. Sempre me vejo maravilhado ao admirar o seu olhar, a forma como capturava as cenas e o cotidiano popular. Sem falar da limitação que ele possuía, por conta de usar uma lente fixa, fotografar em preto e branco e com uma câmera que nem fotômetro tinha. Era muito feeling e técnica para pouco equipamento (mesmo usando Leica com lente de boa ótica, existia a limitação tecnológica da época).
Fora ele, existem muitos outros mestres, sobretudo no Brasil, como é o caso de Sebastião Salgado com suas fotografias da África e Evandro Teixeira que retratou muito bem o período da repressão da ditadura brasileira.
Fora estes grandes expoêntes, buscando algo mais contemporâneo e palpável, já que são fotógrafos de formação como a minha, poderia citar:
Alberto Nogueira Júnior - pela beleza estética e bem expressa nas suas fotos. Composições muito bem estudadas (dá para sentir o quanto ele pensa para fazer), ao mesmo tempo com ótimos momentos que consegue capturar, sobretudo nos trotes de cavalos.
► http://www.flickr.com/photos/abnjunior/
Juca Filho e Janine Bergmann – Essas grandes figuras possuem um olhar muito apurado do nosso cotidiano. Suas fotos são carregadas de conceitos e idéias que nos levam a pensar sobre aquilo que estão mostrando. A meu ver é impossível passar indiferente pelas suas imagens. Extremamente favoritos.
► http://www.flickr.com/photos/jucafii/
► http://www.flickr.com/photos/janinebergmann/
Fabíola Medeiros – Para mim é uma inspiração quando se fala em retratar pessoas. Seja em fotografias externas ou estúdio, Fabíola é detentora de muita criatividade e apuração. Suas fotos além de explodirem qualidade, nos deixa curiosos pela forma como foram concebidas. Conceito, técnica e muito feeling são aquilo que consigo sentir do seu trabalho.
► http://www.flickr.com/photos/fabiolarebello/
Alexandre Grand – Esse cara é sem dúvidas um dos mais descolados na área que conheço. Quando se quer ver imagens impactantes, artísticas e com uma dramaturgia bastante puxada, é impossível não perambular pelas galerias do mestre Alê. O que mais me impressiona em seus retratos é a cara de pau dele em fazer qualquer foto que lhe dê na telha. Ele tem cara, coragem e peito para assumir qualquer desafio e quem duvida disso, só passar em seu flickr.
► http://www.flickr.com/photos/ale_grand
Paulo Magoo – De todos, acho que é o que mais se assemelha ao meu modo de fotografar, pois é do tipo “venha qualquer coisa que nós traçamos” rsrs... Seja fotografando perspectivas, luzes, arquiteturas, cotidiano; ele sempre consegue aliar ótimas técnicas ao seu feeling da mais pura paixão pelo exercício da fotografia. Outro fator interessante é o fato de usar tanto o digital quanto o analógico (assim como eu) e mesmo assim consegue se garantir em ambos os padrões.
► http://www.flickr.com/photos/94188953@N00/
► http://www.flickr.com/photos/39947092@N03/ |
 | A tecnologia e o retoque digital estão reduzindo a diferença entre profissionais e amadores? Faço parte do time que considera a fotografia um produto final e o que você faz para torná-la melhor faz parte do processo de concepção da mesma. Não tenho absolutamente nada contra puristas que consideram um absurdo a edição de fotos, mas para mim isso não funciona. O processo de edição é algo tão velho como a própria fotografia, afinal de contas a câmera é um meio de captação da cena e o seu resultado nunca é 100% fiel aquilo que estamos vendo a olho nu. Então, se a fotografia é uma interpretação de uma realidade impressa por equipamentos, porque não aplicarmos também o nosso toque pessoal no pós câmera?
Sou favorável a edição e assumo que praticamente 100% das minhas fotografias colocadas na internet passaram por algum processo de ajuste, sobretudo para adequação ao meu gosto. Quem acompanha os meus trabalhos sabem que adoro saturação e contrastes puxados e aquilo que consigo direto da câmera (mesmo afinando suas configurações) não chegam perto do que gosto de ver impresso nas fotos. É justamente ai que faço as minhas edições. Sem falar o fato de passá-las por processos artísticos como tilt-shift, cut-out, solarização, x-process (muito realizado inclusive na época das películas) high-key, low-key, etc...
Quando quero fotografias em preto e branco, jamais as faço direto na câmera, apesar de conceber várias delas pensando neste tipo de apresentação. Todas as minhas fotos PB foram convertidas através de processos de edição. E olha que dou uma importância ímpar para este tipo de fotografia, porque na minha concepção, quando bem apresentadas garantem um impacto bem mais forte que as coloridas.
Em compensação existe para mim um antagonismo neste assunto. Há alguns tipos de edições que não me permito fazer como por certo capricho, como por exemplo, realizar cortes abruptos na foto além de ficar inserindo e retirando elementos presentes na composição, até porque para mim isso deixa de ser edição e passa a ser manipulação.
Nas fotografias 35mm também não me permito transformar em preto e branco imagens que foram feitas em filmes coloridos, até porque se eu quisesse-as em PB, teria utilizado um filme próprio, sobretudo porque os resultados das películas PBs são muitas vezes imbatíveis, ainda mais quando falamos em boa latitude. |
 | Você se considera mais técnico ou artista? Perfeito seria conseguir esse equilíbrio e infelizmente pouquíssimas pessoas conseguem atingi-lo na maior parte dos seus trabalhos, ao qual não acredito fazer parte. Mas também devemos pensar que esses parâmetros são muito interpretativos. Inclusive o bacana da fotografia e o que a faz ser uma forma de expressão artística é justamente o fato de podermos interpretar aquilo que estamos visualizando. O que é algo extremamente sensível para uma pessoa, acaba passando despercebido para outras e isso é muito normal.
Acredito que em algumas fotografias consigo fazer a técnica sobressair. Em outras a sensibilidade e em alguns outros tantos eu simplesmente acabei fazendo registros sem quaisquer compromissos, porque apesar de ser salutar buscar aquele “algo mais que chame atenção”, às vezes queremos apenas garantir um registro sem se preocupar em agradar os espectadores. Claro que o fazer fotos é uma ação social que existe para que outros apreciem, pois do contrário ninguém manteria portfólios online. Se você traz a público é porque quer mostrar e logicamente poderá ter suas fotos julgadas por isso. Costumo me relacionar bem com esse fato e assumo que algumas delas só agradam mesmo a mim e nem sempre pela técnica ou sensibilidade.
Para não passar direto sem julgar o meu trabalho, acredito que esteja inclinado mais para a técnica. |
 | Coisas que você aprendeu sobre a arte de enquadrar, composição Aprendi que em fotografia não existe regra.
Claro que quando se começa, é colocado para você algumas regras com o intuito de nortear o seu olhar pouco apurado, como por exemplo a regra dos terços, as relações entre velocidade de exposição com a distância focal da lente utilizada, além de outros conceitos.
Quando se vai amadurecendo nesta área, é natural que o feeling e o seu olhar comecem a conduzir as suas imagens e isso é importantíssimo para que você consiga demonstrar resultados diferenciados, pois do contrário as imagens seriam sempre iguais, presa a regras que amordacem os fotógrafos.
Aprendi que nem sempre uma imagem com luz estourada, escura, desfocada ou com cores desbotadas são ruins. Pelo contrário, dependendo da ideia a ser passada, esses elementos que num primeiro momento caracterizavam erros, se tornam uma delicada forma de melhorar a sua plástica e impacto.
Fotografia é interpretação e para tanto tudo é válido. |
 | Como se desenvolve o instinto para saber quando se deve apertar o botão? Com prática e muita perseverança, apesar de achar que este é um caminho que qualquer fotógrafo terá sempre que trilhar e mesmo com toda a sua experiência, jamais chegará aos 100%.
É uma busca constante no aperfeiçoamento da sua prática, além da sensibilidade de conseguir descontinuar o seu olhar, criando novas formas de enxergar uma velha realidade.
Se alguém tiver essa fórmula pronta, pode colocar para vender, porque será um sucesso. rsrs. |
 | Quando filme e quando digital? A fotografia analógica é uma paixão que não consigo me desvencilhar, mesmo com toda as vantagens e constante melhora do sistema digital. Na realidade sou adepto dos dois formatos, mas o "conceber clássico" da fotografia de película ainda me cativa muito. Como já havia mencionado, o meu pensar fotográfico foi lapidado em cima deste formato e como boa escola, trago esse padrão para as minhas atuações no digital.
Existe todo um romantismo em fotografar com filme, pois os resultados são bastante diferenciados de acordo com a película que se está usando. A fotografia analógica ao meu ver cobra mais do nosso conhecimento, porque exige que você conheça características dos filmes para ser implementado de acordo com a utilização. Cores, saturações, latitudes, velocidades, granulações, compensações de exposição/revelação, entre outros fatores são determinantes para garantir uma boa foto.
No digital é tudo muito mais fácil... Você determina sensibilidades diferentes para cada tipo de foto. Te da oportunidade de ver os resultados na hora e no analógico não. Você precisa saber o que vai fotografar e usar o filme certo. Sem falar naquela expectativa toda de esperar o filme ser revelado. As surpresas são muito maiores, assim como as decepções (uma eterna faca de dois gumes). Enfim, a fotografia analógica me ajuda a buscar um conhecimento maior, ao mesmo tempo que me obriga a ser certeiro em um ou dois shots, afinal não dá para ficar clicando a esmo com quantidades limitadas de frames.
Vale salientar que para volumes de trabalho atualmente, deixou em muito de ser vantajoso a utilização das películas, tornando o digital imbatível, sem falar na constante melhoria tecnológica deste sistema. Na minha opinião não vale mais a pena fotografar cromos e com alguns negativos coloridos. O digital suplanta isso muito bem. Agora na fotografia preto e branca, a minha adoração pelos filmes ainda é enorme.
Infelizmente tenho estado muito afastado da fotografia por conta de vários compromissos pessoais e por este motivo não tenho mais conseguido dedicar tempo a minha paixão a fotografia de filme, ainda mais porque eu mesmo digitalizo as minhas fotos. Me consome tempo, dinheiro para o filme/revelação e mesmo assim não deixo de gostar. Saudosismo que alimento com muito amor. |
 | A fotografia tem o reconhecimento que merece nos museus de arte contemporânea? Infelizmente moro em uma cidade de interior e o único museu da minha cidade está caindo aos pedaços. Não tenho muitas chances de visitar exposições em museus, a não ser quando estou em grandes capitais (fato um tanto raro), mas acredito que a fotografia é arte justamente por trabalhar com conceitos que dependem de interpretações. O que é uma grande imagem para um, não será para outro. Depende da sensibilidade de cada pessoa, além é claro daquela que o fotógrafo consegue expressar.
Gostaria de ver mais trabalhos fotográficos expostos em museu de artes, sobretudo ao fato de serem relegadas a exposições afastadas destes grandes centros de cultura, pois acabam sempre sendo colocadas em mostras particulares, a margem do mesmo espaço que dedicam as pinturas.
Acredito que poderíamos usufruir de um entrelaçamento muito interessante entre ambos os formatos. |
 | Que paginas online de fotografia você freqüenta? ► http://digiforum.com.br/
► http://www.clicio.com.br/
► http://www.mesadeluz.org/
► http://www.fotoclubef508.com/ |
 | Alguma técnica particular que você possa compartilhar? Efeito Tilt-Shift nas suas fotografias:
► http://blog.rostev.com/2010/07/tilt-shift.html
Dry Box: ótima forma de guardar equipamentos:
► http://blog.rostev.com/2009/08/dry-box.html
Escolhendo sua câmera fotográfica:
► http://blog.rostev.com/2010/03/escolhendo-camera-parte-i.html
► http://blog.rostev.com/2010/04/escolhendo-camera-parte-ii.html
► http://blog.rostev.com/2010/05/escolhendo-camera-parte-iii.html
ENTREVISTA REALIZADA EM 03/11/2010 |
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