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Entrevista a:

Eduardo Semerjian [semerjian] 


INTERPRETAÇÃO
Como foram seus inícios na interpretação?
Um curso livre em 1990, de maneira desinteressada. Logo depois entrei para o Grupo de Arte Boi Voador, nos ensaios da peça "Um Meio em 3/Quartos.
Em que momento você chegou à convicção de que poderia se profissionalizar na interpretação?
Logo após esse curso livre eu soube que era a minha vocação.
Um endereço na Internet onde possamos ver algo sobre você?
Sim, dois links: 1 - YouTube procure no canal "Semerjian" 2 - http://edusemerjian.wix.com/edu#!home Read more: http://www.whohub.com/semerjian#ixzz0tIJLU3oL
Os trabalhos mais importantes ou definitivos em sua carreira
Não classifico nenhum como definitivo. mas tive importantes trabalhos em várias áreas e com alcances e objetivos diferentes. Em teatro, o mais importante é meu atual: Rei Cláudio, de "Hamlet", em cartaz no TUCA em SP - direção de Ron Daniels - mas outros trabalhos foram de suma importância pra mim, como "12 Homens e uma Sentença", "O Despertar da Primavera", "O Fingidor", e "Terrorismo". Em cinema, "Meu País", "Ensaio sobre a Cegueira" e "Olga". Em TV, "Maysa - quando fala o coração", pela TV Globo, onde fazia André Matarazzo; "Rei Davi", da Rede Record, onde fazia o guerreiro Eliã; e o programa "Massaroca" da produtora Massa Real, do qual fui apresentador por 2 anos, na TV Cultura de SP, foram os que mais me marcaram.
Algumas interpretações famosas que lhe serviram de referencia em sua evolução
Na verdade várias foram memoráveis, mas houve 4 interpretações que me marcaram mais e mudaram meus rumos: Kazuo Ohno em uma performance da qual não lembro o nome, mas que foi meu 1º contato efetivo com o etéreo numa interpretação, no Teatro Municipal de Santo André, em 1998. O personagem de Luis Mello, em "Vereda da Salvação", na montagem de Antunes Filho, pelo CPT. Sotiguy Kouyaté, em "Tierno Bokar", dirigido por Peter Brook; e Ricardo Blat, em "Na Solidão dos Campos de Algodão". Todos em teatro. Além dessas, outras foram memoráveis: em cinema, Dustin Hoffman, em "A morte do caixeiro viajante", e Marlon Brando em "Apocalypse Now; e na TV, nunca vi nada mais genial que Hugh Laurie, em House MD.
Três atores e três atrizes de que você goste
Meryl Streep, Julianne Moore e Naomi Watts. Daniel Day-Lewis, Harvey Keitel e Marlon Brando.
Que classe de preparação psicológica, física e emocional você faz antes de uma atuação?
Depende completamente do diretor, de como foi feito o direcionamento e de qual linguagem será trabalhada, se TV, Cinema ou Teatro. Mas anterior a tudo isso, tenho o meu próprio trabalho pessoal de crescimento como ator e mais ainda, como homem. Sou totalmente voltado para a busca espiritual através da Arte do ator.
Qual é seu critério para selecionar projetos?
Primeiro, qualidade. Segundo, o tamanho do desafio. Terceiro, as pessoas envolvidas. E quarto, dinheiro. Mas essa ordem pode variar, dependendo do caso. Uma peça que eu nem goste muito, mas que tenha bastante dinheiro, pode me convencer a fazê-la. E assim vão as variações. Não é uma decisão rígida. Só não aceito fazer de cara aquilo que odeio. Aí pode ter o dinheiro que for, as pessoas que forem, que não consigo.
Que tipo de comunicação você costuma estabelecer com os diretores?
Sempre baseada na honestidade e na generosidade. Quem manda na decisão final é o diretor, mas quem se responsabiliza pelo que acontece no momento da cena sou eu. É uma simbiose.
Qual é o arquétipo de personagem no qual tendem a encaixar você?
Normalmente algo mais clássico, ou de autoridade. Mas não gosto disso. Busco sempre personagens diferentes, como o Eliã da minisérie "Rei Davi". Um guerreiro, que comia com a mão, e matava com sua espada, sem pestanejar.
Há algum papel que haja tido uma dificuldade especial para você?
As maiores dificuldades acontecem apenas quando não há harmonia no ambiente de trabalho ou pessoas que não respeitam o que fazemos dentro dele. Fora isso, sempre é algo que traz resultados que me encantam.
Você se vê nesta mesma profissão daqui a vinte anos?
Boa pergunta. Não sei. Se eu chegar à conclusão que não quero mais, eu vou fazer outra coisa. Mas se eu continuar amando a arte do ator da mesma forma que amo hoje, continuo.
O que você faz para matar o tempo de espera nos castings?
Sempre tem gente conhecida, então bato papo. Senão, posso ler, tratar de outros assuntos por celular etc... ou posso simplesmente ficar esperando em silencio. Mas pra falar a verdade, hoje em dia cansei de ficar esperando tanto pra casting, então simplesmente vou embora se for muito tempo parado.
Você continua se formando em aulas, seminários ou cursos, e o combina com sua atividade?
Não com cursos curriculares. Mas faço minhas atividades de crescimento pessoal, como meditação etc, e raramente faço workshops, como com Ron Daniels (diretor de teatro) em Março/2012 e Nancy Bishop (preparadora de atores e casting em cinema) em Novembro/2012.
Há algum papel fetiche que você não tenha interpretado ainda e tenha vontade de fazer algum dia?
Sim. Joseph Cartaphilus, um personagem de Jorge Luis Borges do conto "O Imortal".
Descreva o melhor e o pior, segundo sua experiência, de cada meio: cinema, teatro, televisão.
Nem preciso dividir. O pior de qualquer meio é a desarmonia no ambiente de trabalho. E o melhor são as pessoas que se conhece e o contato com coisas que eu nunca tenha feito ou passado.
Há alguma cena ou personagem que você não interpretaria nunca por questões morais, princípios ou simplesmente tabus pessoais?
Não dá pra dizer nunca pra nada, mas meu maior tabu são personagens que fumam cigarro. Evito-os desde o início da minha trajetória de ator. Só fumei uma vez em um curta-metragem e não pretendo repetir. Foi horrível, até porque fica óbvio que não fumo, nem estou gostando de fazer o que estou fazendo.
Você poderia dizer que suas ferramentas de ator pertencem a uma escola ou método concreto?
Não. E digo isso feliz da vida. Porque acredito que, ao me prender a um método específico, estou limitando minhas possibilidades.
Que diretor você gostaria que lesse esta entrevista? Que classe de papel você gostaria que ele lhe oferecesse?
Acho que a pergunta se refere a quem eu gostaria de trabalhar. Em teatro, Zé Henrique de Paula tem me chamado atenção, e gosto muito da idéia de vir a trabalhar com a Companhia dos Atores (RJ) um dia. Em cinema, Fernando Meirelles, com quem já trabalhei, e adoraria trabalhar de novo, Luis Fernando Carvalho, por quem tenho muito respeito em TV. Mas são só exemplos, pois há pessoas que não estão nessa resposta e podem ser muito legais na hora de trabalhar.
Você pensou alguma vez em deixar a profissão? Em caso afirmativo, quando? Por que motivo?
Sim, uma vez. A causa são tres faltas: de respeito ao trabalho do ator em geral, de oportunidades, e de dinheiro. Isso, na verdade, chegou a ocorrer por um ano e meio, do começo de 1995 até meio de 1996, quando fui trabalhar em um emprego fixo, no SENAC de SP. Felizmente odiei e voltei a fazer o que devia fazer.
Uma razão pela qual fazer este trabalho
Continuar em movimento.
O que você sente quando as pessoas o reconhecem pela rua?
Depende da abordagem. No fundo é mais fácil pra mim porque a frequencia com que isso acontece não é grande. Porém, quando é respeitosa, carinhosa e sem exageros, é bem legal, e sempre atendo com carinho e respeito também. Quando é exagerada, tento sair do lugar o mais rápido possível, isso quando não prefiro dizer que se enganaram, que não sou eu. Hahaha
Que conselhos você daria a alguém que quer começar na interpretação?
Não aceite conselhos em definitivo. Ouça-os, em demasia, mas sempre siga seu coração.
CINEMA-TV
Qual é sua especialidade: produção, direção...?
Sou ator.
Algum link onde possamos ver referencias de seu trabalho?
Sim, dois links: 1 - YouTube procure no canal "Semerjian" 2 - http://edusemerjian.wix.com/edu#!home
Como você começou neste trabalho? Quem o introduziu?
Ninguém me levou a ser ator. Descobri absolutamente sozinho. Justamente como comecei.
Quais foram os trabalhos mais emblemáticos de sua carreira?
Em cinema fiz 6 longa-metragens. Entre os mais conhecidos estão os filmes "Olga", de Jayme Monjardim e "Ensaio sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles, este último falado em ingles. Mas meu trabalho mais legal, acho que é no longa "Meu Pais", de André Ristum, (2011). Na TV, tenho vários trabalhos, mas os mais emblemáticos, até pela repercussão que tiveram, são Maysa - Quando fala o coração, de Jayme Monjardim, onde fiz o Conde André Matarazzo, primeiro marido da cantora e Rei Davi, minisérie da TV Record.
Você trabalha para um cliente, para a audiência, ou para sua própria aventura criativa?
Trabalho com a idéia de fazer uma triangulação, na verdade. É importante ter um motivo pessoal e interno, assim como também importa fazer direcionado pra alguém, no caso o público que me vê. Quanto a fazer para um cliente, é necessário hoje em dia fazer meu trabalho também com um olho em quem me contrata, já que são eles que costumam pagar. De qualquer maneira, é importante me manter ao máximo, fiel ao que acredito.
O que deve ter um bom roteiro para que lhe interesse?
É possível qualquer coisa dentro do meu interesse, mas o mais importante é que ele tenha um apelo adequado ao foco a que se destina. Pode ser que um roteiro me interesse pela sua qualidade, ou por motivos externos a ele, mesmo quando a qualidade não salta tanto aos olhos. E claro, o desafio de fazer algo diferente do que já fiz é sempre animador.
Três diretores ou produtores contemporâneos que você admire
Fernando Meirelles, Woody Allen e Hugh Laurie (hoje também produtor da série de TV House)
Filmes ou series de TV que lhe inspiram para se dedicar a isto?
Hoje em dia, House MD é minha maior inspiração em TV, mas também gosto muito de Nip Tuck, da série 24 Horas e o seriado Law & Order. Em cinema, os diretores Ingmar Bergman, Woody Allen, François Truffaut, e filmes como Magnolia e Apocalypse Now são meus preferidos.
O ator ou atriz recita o roteiro, mas não resulta crível: como o orienta?
Fazendo-o buscar o roteiro em sua própria verdade pessoal. Fazendo-o dar uma opinião pessoal sobre o que está lendo.
Algum ator ou atriz com quem você adoraria trabalhar, e que tipo de personagem lhe propõe como desafio?
Adoraria trabalhar um dia com Hugh Laurie, que acho sensacional. Quanto a personagens, qualquer um que traga uma opção diferente do que eu já fiz é um possível interesse meu.
Você é dos que sentem uma flechada quando acaba de fazer a tomada boa ou dos que fazem outras três para se cobrir?
Como ator, gosto de ter sempre outra no mesmo nível de uma ótima tomada.
Que tipo de indicações você costuma dar ao diretor de fotografia?
Na verdade, ele é quem me dá!
Despertam seu muito interesse as tecnologias da imagem como câmeras robotizadas, efeitos especiais, etc.?
Gosto de gente, de atores, de pessoas. E meu foco principal sempre será este.
Qual foi sua experiência quando se produzem conflitos entre direção e produção?
Nunca tive problemas do tipo em cinema e TV, felizmente.
Que revistas ou websites do setor você segue regularmente?
http://www.imdb.com
O melhor filme que você viu no ultimo ano, e porque você achou especialmente bom?
Dúvida, de John Patrick Shanley! O tema da peça pode parecer pedofilia, mas na verdade fala sobre as escolhas que cada um de nós temos que fazer e a relação entre verdade e mentira. O que é um e o que é outro. Isso sempre me interessou. Além disso, Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman fazem duas das mais belas interpretações que já vi.
Você come pipoca no cinema?
Não. São caríssimas e cheias de colesterol.
O que você acha dos subsídios ao cinema com dinheiro público?
Acho necessário, mas não-suficiente. Mas a mentalidade corporativa do empresário brasileiro ainda é primitiva nesse sentido. Então o dinheiro público ainda é a melhor maneira de se fazer algo.
Que respeito você dá ao fenômeno reality? Que experiências você teve neste gênero?
Reality? Se vc diz respeito a Reality shows, eu respondo: lixo!
O que funciona melhor para você na hora de selecionar um ator: una audição, ver alguns de seus trabalhos anteriores ou tendo uma longa conversa a sós?
Os tres em conjunto, sempre.
Grandes orçamentos ou pequenas produções independentes: de que você mais gosta?
Há espaço pra ambos. Os independentes costumam ser mais livres pra se trabalhar, mas os grandes orçamentos nos sustentam e podem ser espetaculares também, porque não?
O futuro do cinema está na Internet? Está nos móveis?
Sinceramente não sei. Mas ainda acredito nas telonas que nas telinhas da Web.
O que você recomendaria a alguém que quiser abrir seu caminho na indústria?
Não tenho como recomendar isso. Cada um tem seu caminho. E talvez isso seja uma recomendação.
 

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