Entrevista a:Jorge Simões [simoes]
ESCREVER
 | Como você começou a escrever? Quem lia para você ao principio? Não sei exactamente. O meu pai lia-me histórias e contava-me outras e, a partir dos 5 anos, quando aprendi a ler, eu próprio lia também. Quando era ainda pequeno, já procurava escrever poemas e recordo-me de o meu pai trazer um par deles na carteira e mostrá-los aos amigos. À parte isso, na escola sempre fui bom em composições. Lembro-me de ter escrito uma de oito páginas, sobre a evolução dos transportes, e de ter ido directamente para o quadro de honra. |
 | Qual é seu gênero favorito? Algum link onde possamos ver ou ler algo sobre sua obra recente? Serão bem vindos no blog Poesia para quem quiser, do blogger, que celebrará este ano o seu quarto aniversário e conta actualmente com cerca de 360 originais - poesia para todos os gostos! |
 | Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever? Olho. Penso: alguma imagem (por vezes, uma ideia) me serve para escrever? Depois, procuro uma frase inicial. A frase inicial é importante. Um café, um cigarro ajudam no acto da criação. A forma como a escrita se vai desenvolver, no caso presente como o poema se vai desenvolver, se vai rimar ou deixar de rimar, se o ritmo vai ser importante ou não tanto, se vai ser mais moderno ou mais clássico, é influenciado por esse primeiro momento. E não só. Antes de escrever, há que encontrar uma intenção. |
 | Quais são para você os ingredientes básicos de uma historia? Pergunta interessante porque tanto ou tão pouco variável... Intriga, sexo, poder, amor, dinheiro, política, mistério, sociedade, enfim tudo o que toca a cada um de nós enquanto seres humanos. Mas o fundamental é a capacidade de contar cada história de modo interessante. Encontrar uma boa ideia geral é fácil. Transformá-la em algo de sólido é bem mais difícil. |
 | Em que sapatos você se encontra mais cômodo: primeira pessoa ou terceira pessoa? Actualmente, escrevo pouca prosa, mas diria que talvez prefira a primeira pessoa. Na poesia, embora se possa considerar que toda ela é na primeira pessoa, pelo simples facto de se tratar do discurso de um sujeito poético, diria que nem uma nem outra especificamente. |
 | Que escritores conhecidos são os que você mais admira? Difícil de dizer porque me vou esquecer de vários... Mas cá vão alguns... Na poesia, Fernando Pessoa e heterónimos (nomeadamente, Álvaro de Campos), Manuel Bandeira, algum Carlos Drummond de Andrade, Camões (pela importância e localização temporal), poemas soltos de diversos poetas de várias nacionalidades. Na prosa, Eça, Hemingway, Amin Maalouf, Orhan Pamuk, F. Scott Fitzgerald, Sommerset Maugham, Carlos Ruiz Zafón e, porque não?, Steven Saylor e Dan Brown. Em tempos gostei de Erico Veríssimo. E chorei quando li pela primeira vez O meu pé de laranja lima. Mas José Mauro de Vasconcelos passou a repetir-se permanentemente. |
 | Você é igualmente hábil contando historias oralmente? Menos hábil, menos hábil... Mas gosto de falar. Quando não prefiro ficar em silêncio. |
 | Profundamente em sua motivação, para quem você escreve? Escrevo simultaneamente para mim mesmo e para quem gostar de me ler. |
 | Escreve como terapia pessoal? Os conflitos internos são uma força criadora? Nem por isso. Procuro escapar a essa armadilha. Mas tenho, é claro, sentimentos e sensações. Quem escreve sou eu e não outro, não se pode negá-lo por mais que nos esforcemos. Em todo o caso, sou um observador, ao que não será alheio o facto de ter sido jornalista em tempos. |
 | O feedback dos leitores serve pra você? Claro. Tenho um blog de poesia e suponho que normalmente não haja muito a discutir. Mas fico contente quando recebo comentários. O feedback do leitor é alimento para a alma. |
 | Você se apresenta para concursos? Você recebeu prêmios? Os concursos literários são para os amigos. É senso comum. |
 | Você compartilha os rascunhos de suas escrituras com alguém de confiança para ter sua opinião? Não. Enfim, geralmente não. Mas mostro os meus poemas depois de os ter publicado no meu blog. Isso não significa que não valorize as opiniões. |
 | Você acredita ter encontrado "sua voz" ou isso é algo eternamente buscado? Eternamente buscado. Encontrei a minha voz em cada momento fugaz. |
 | Que disciplina você se impõe para horários, metas, etc.? Para escrever poesia não necessito de muita disciplina, salvo escrever em quantidade. Gosto de me sentar com um café e um cigarro e, mesmo que nenhuma ideia tenha ainda surgido, pensar: sobre que posso falar? Com que frase posso começar? Que tipo de poema me apetece escrever e se adapta melhor à ideia-base? Escrever em quantidade é importante para se progredir. Já no tocante à minha experiência na área da prosa, a necessidade de alguma disciplina é bastante necessária. Sempre achei incrível aqueles autores que se fecham num quarto uma semana e saem de lá com um romance pronto! |
 | De que você se rodeia em seu escritório para favorecer sua concentração? Em geral, não escrevo em escritórios e sim em cafés. Um café e um cigarro são bons ajudantes. Claro que, desde que o primeiro-ministro José Sócrates decidiu impôr medidas ultra-restritivas ao fumo em locais públicos, possivelmente por ser "moderno", torna-se mais difícil. |
 | Você escreve na tela, imprime com freqüência, corrige em papel...? Como é seu processo? Já tive fases de escrever directamente no computador. Mas a resposta é que escrevo no papel, corrijo no papel, passo para o PC e provavelmente corrijo novamente no PC. |
 | Como foi sua experiência com editoras? As editoras são casas comerciais, frequentemente dirigidas por pessoal pouco qualificado. Por outro lado, a poesia vende pouco. Acresce que é melhor conhecer-se alguém do que ser-se bom ou sequer vendável. |
BLOGGER
 | Qual é o endereço de seu blog? De que assuntos você trata? Publico regularmente no meu blog Poesia para quem quiser, em http://poemastextos.blogspot.com/. O blog vai completar o seu quarto aniversário este ano e começou com poemas do meu heterónimo Joaquim Camarinha (que viria a falecer na Venezuela, junto à foz do Orinoco). Contém ainda quatro poemas de um heterónimo feminino fugaz, Joana Semedo. Mas a maioria dos poemas (cerca de 360 entradas, presentemente) está assinada Jorge Simões. |
 | O que fez você criar seu blog? Em que data você o iniciou? Se não estou em erro, criei o blog em Setembro de 2005. Para quê? Para brincar um pouco. Para divulgar o meu trabalho. Para me levar a trabalhar. |
 | Que sistema de blog você adotou e por quê? Optei pelo blogger por ser gratuito e eficaz. |
 | Quantas visitas você recebe por dia? Que classe de comentários você recebe dos visitantes? Não faço ideia. Sei que a maioria me chega do Brasil, embora também receba visitantes de Portugal e do Chile, por exemplo. Os comentários são escassos, o que é uma pena. São sempre elogiosos, mas geralmente breves. |
 | Você criou relações com outros bloggers ou com alguns de seus leitores? Qualquer coisita. Pouco. Defeito meu, talvez. |
 | Com que freqüência você escreve nele? Representa um esforço escrever com regularidade? Por vezes, diariamente. Outras, mais espaçadamente. Tratando-se de criação poética, é naturalmente variável. |
 | O blog lhe traz alguma renda? É possível viver disso, de escrever no blog? Não sei se é possível viver de um blog... Talvez. Talvez não. Seria bom, certo? |
 | Como você promove seu blog? Ele promove-se a si mesmo. Felizmente, há muita gente que procura poesia na net. Mas tenho alguns links. E outros não recíprocos, provavelmente porque há sempre alguns "artistas" que se sentem demasiadamente especiais (ainda estou para ver)... |
 | Como você definiria seus leitores? Você tem uma audiência fiel? Gente que gosta de poesia. Gente que gosta da minha poesia. Fiel? Alguma, sim. Não disponho de dados suficientes. |
 | Há outros blogs que você segue diariamente ou com freqüência? Nem por isso. Mea culpa. |
 | Como você vê seu blog evoluindo no futuro? Hei-de encher o meu baú moderno com tantos poemas que um dia hão-de acabar a escrever livros surreais sobre mim e a chatear alunos liceais com a minha escrita! |
 | Que conselhos você daria a alguém que quer iniciar um blog? Fazer um blog é tecnicamente fácil. Se têm alguma coisa a dizer, vão em frente! Isso chama-se liberdade. Um blog pode não ser um livro, mas a verdade é que se chega a muita gente sem ter que se passar pelas aves de rapina. É verdade que não se ganha dinheiro. Mas quantos poetas ganharam? |
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