Entrevista a:Savio Zambrotti [szambrotti]
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 | Qual é sua especialidade? Criatividade, contato, investigação...? Criatividade - Direção de criação |
 | Algumas marcas/clientes para os que você trabalhou ao longo de sua carreira Banco do Brasil, Caixa, Correios, LG, Pão de Açúcar, Ponto Frio, Correio Braziliense, CTIS, Conjunto Nacional, POUPEX |
 | Você tem um blog ou página web? www.settegraal.com.br |
 | O que seus clientes valorizam: a estratégia, a criatividade, o design, ou o ROI? Na ordem: resultado/vendas, criatividade, estratégia, design, adequação aos stakeholders. |
 | A palavra criatividade é protagonista na linguagem dos publicitários, mas a maioria dos anúncios são medíocres. Por quê? 1) Porque existe uma aversão ao risco por parte dos anunciantes;
2) Porque o Brasil é conservador e tem boa parte de sua população analfabeta funcional, exige uma linguagem simples demais;
3) Porque as agências perderam rentabilidade e são obrigadas a se submeter ao que o cliente manda;
4) Porque as verbas caíram muito, principalmente de produção, o que inviabiliza muitas idéias;
5) Porque muitas agências ou se acomodam, ou não investem nos seus profissionais, em treinamentos, etc. |
 | É possível que uma má campanha publicitária venda muito? O que é uma má campanha? Depende do julgamento. O grande varejo prova, a cada dia, que uma campanha não precisa (talvez nem possa) ser criativa para vender. A eficiência é muitas vezes criticada pelo mundinho dos criativos. Mas temos exemplos de grandes sucessos de venda que nunca ganharam prêmios. |
 | Que agencias, publicitários ou diretores você acha que são os melhores neste momento? Almap, FNazca, DM9DDB, Lew Lara. |
 | O que você responde ao clássico "adoro a idéia, mas não é o momento"? Quando for o momento, essa já não será a idéia. |
 | O que lhe satisfaz mais: quando quem gosta do seu anuncio é seu chefe, seu cliente, seus amigos ou sua mãe? Quando o meu cliente gosta da idéia e paga por ela. Só assim ela irá pra rua. |
 | Como você vê a transição entre a publicidade tradicional e a publicidade online? Não vejo como transição. Vejo como um caminho que nunca para, a evolução das formas de se comunicar e vender para os consumidores. Seja com quais mídias/ferramentas/meios forem. Pra mim, a idéia independe do meio. |
 | Os publicitários estão bem pagos demais? Os bons, não. |
 | A publicidade é spam? Poderá ser, em um mundo onde a comunicação será totalmente dirigida, one-to-one. Mas estamos longe disso, então a publicidade é a mais eficiente forma de vender idéias, conceitos, produtor e serviços para a grande população. Como em qualquer outra área do conhecimento, ocorrem excessos, exageros. Mas o próprio mercado regula isso. |
 | Você mesmo se sentiu enganado pela publicidade? Não. |
 | O que você mais gosta de trabalhar em publicidade, e o que você menos gosta? Gosto do ambiente criativo. E odeio os egos e a autopromoção. |
 | Os festivais publicitários ajudam a melhorar a indústria, ou são só uma elite fazendo homenagens? As duas coisas. Os prêmios sérios ajudam, os caça-níqueis não. E, mesmo entre os sérios, rolam as panelinhas, que muitas vezes impedem agências de "fora" da panela a receberem prêmios merecidos. |
 | Quando você seleciona um bolsista para trabalhar em publicidade, qual é a qualidade que você mais valoriza? Querer aprender e ralar muito. Mas tá difícil. |
 | As marcas como geradoras de conteúdo poucas vezes triunfaram. O mundo online é diferente nesse sentido? Com certeza. As marcas ainda não aprenderam como fazer se todo o poder – de multiplicar, disseminar, criar reputação, viralizar, consumir conteúdo, likar... – está na mão do consumidor. O mundo online tem dono. E não são as marcas. |
 | As pessoas compram a imagem do produto tanto como ou mais que o próprio produto? As pessoas não compram produtos, compram marcas. E a percepção da marca é sempre diferente da realidade. A compra tem sempre um componente emocional. |
 | Sua experiência com a investigação qualitativa lhe serviu para descobrir caminhos ou mais para matar boas idéias? Sempre para descobrir caminhos. O que pode matar a idéia é o cliente interpretar errado o resultado de uma qualitativa. Mas, se a agência é competente, ela vai dirigir essa interpretação, e ajudar o cliente a extrair as informações estratégicas. |
 | Impacto! Esse é o principal barema para julgar o trabalho de um publicitário? Não. Idéia, pertinência e adequação são mais importantes. |
 | Quais são os erros mais comuns que os clientes cometem ao julgar a criatividade? Julgar a criatividade. Esse é o erro. Eles deveriam investir em profissionais de marketing capazes de julgar se a idéia apresentada é adequada aos resultados pretendidos, e não julgar a idéia ou a cor ou o tamanho da logomarca. |
 | Um publicitário pode se comunicar bem com pessoas de outras gerações ou culturas que não são a sua? Pode não, deve. Publicidade é técnica, então cada público/geração deve ser impactado com uma comunicação atraente a ele, adequada e pertinente. |
 | Em publicidade, o que é mais eficaz: insistir ou surpreender? Depende. As duas coisas. De forma simplista, se o $ é pouco, invista em impacto, surpresa. Se o $$$$ for grande, a surpresa passa a não ser vital, e a estratégia pode ser focada na frequência também. |
 | Um candidato político é o mesmo que um produto? Quase. Com a diferença que não dá pra mudar muito a embalagem. E quase nunca o conteúdo. |
 | Como você explica que algumas marcas como ZARA tenham podido se expandir tanto e tão rápido sem publicidade? As leis do marketing estão mudando? Quem disse que a Zara cresceu sem publicidade? O PDV comunica. A marca comunica. O marketing não depende só da publicidade. Sempre teremos cases de marcas que cresceram utilizando outras ferramentas de marketing que não a publicidade. O que não faz dela menor ou menos importante. |
 | Que conselhos você daria a alguém que quer ser publicitário? Desista. Ou lute pelo que você ama. |
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