Entrevista a:Tácito Fernandes [tacitofernandes]
ARTE
 | O que você faz? Como você se define? Faço cerâmica contemporânea de alta temperatura. Sou um designer que encontrou na argila a melhor forma de expressão para seu trabalho. |
 | Qual é sua mensagem? Creia no seu trabalho, ame o que faz. |
 | Sua biografia em quatro linhas Pernambucano do Recife, diretor de arte no ramo de publicidade, descobri a cerâmica em 2000 e em 2005 abri meu atelier e desde então tenho apresentado meu trabalho em importantes centros culturais no Brasil e exterior, sendo os mais significativos em Milão, Paris, Madrid, Frankfurt, Viena e São Paulo. |
 | Você publica seu trabalho na rede? Onde podemos vê-lo? |
 | Como nasce uma idéia? O que é para você a inspiração? As minhas idéias nascem da minha inspiração, e a minha inspiração é um estado de desprendimento, um instante de silêncio, um querer estar só... é um salto. |
 | Que papel tem a tecnologia em seu processo criativo? A tecnologia não interfere no meu processo criativo, mas na execução do resultado deste processo, quando programo os patamares de temperatura no computador do meu forno, quando divulgo meu trabalho pela web ou quando crio convites, folders e banners para os eventos do meu atelier. |
 | O que é arte? Não sei definir, apenas sei que é algo que me captura e me transforma a todo instante. |
 | Em que circunstancias você tem as melhores idéias? Quando não as estou buscando... elas sempre chegam como uma boa surpresa, uma visita inesperada. É quando tudo fica em silêncio, é quando meu pensamento segue numa direção, perde-se em algum lugar e se embriaga... minhas melhores idéias são frutos de um torpor. |
 | Como você corrobora se uma idéia é boa? Quando ela me inquieta, me seduz, me desafia... |
 | Três idéias criativas que você gostaria que tivessem sido suas. Penso que idéias, como frutos da inspiração, nascem de lugares tão profundos do ser criativo que fica impossível não haver nelas a identidade do seu criador... são frutos da sua visão de mundo, da sua idéia de vida, da sua forma de amar e se entregar a algo. E tendo eu a idéia criativa como algo tão individual e intransferível, não me vejo desejando ter idéias que não nasceram do meu íntimo, do meu profundo, do meu silêncio... |
 | Quando e como você começou a ver você mesmo como artista? O meu primeiro contato com a argila foi um divisor de águas na minha vida, foi um encontro comigo mesmo. À medida que eu ia construindo meus primeiros trabalhos ia também modelando o artista, e deste encontro, desta descoberta, me descobri como o artífice que nasci para ser. Hoje a argila é parte mim, é a minha melhor parte, é onde está meu coração, é por onde me expresso e é o que verdadeiramente amo. |
 | Por que tantos artistas e criadores têm personalidades voláteis? Penso que todo artista e todo ser criador é fruto de sua inspiração, que é etérea... e sendo assim o criador fruto de sua inspiração, ele precisa desta personalidade volátil para poder transitar por seus universos de inspiração, para sumir do barulho, para se libertar do peso da matéria. |
 | Você se considera pós moderno? Considero-me um artesão que exerce seu ofício movido pelo que lhe inspira e distante de regras e rótulos. |
 | Como uma obra artística deve ser avaliada? Esta questão me leva à outra: ela refere-se a uma avaliação financeira ou avaliação artística? Eu, como artesão, penso que a avaliação artística de uma obra é muito pessoal, vai muito da maneira como esta obra atinge quem a observa, se emociona ou se repudia... Para mim, uma obra que me emociona não é inestimável. |
 | O artista deve se reinventar a cada dia? O artista deve seguir sua inspiração, sua criatividade... se reinventar-se é obedecer a sua inspiração, então ele deve se reinventar a cada trabalho. |
 | Que artistas você admira e de que maneira têm influência em sua obra? Impossível enumerar os artistas que me inspiram, são tantos e de tantos lugares, de tantas épocas. |
 | Qual é sua opinião sobre os subsídios públicos para a arte? Penso que qualquer estímulo para a arte é bem vindo, principalmente em países como o Brasil, onde o acesso às escolas e à informação é tão difícil. |
 | A arte autêntica é a arte necessária? O que é arte autêntica? A saída dos grandes liceus com absoluto embasamento técnico ou aquela saída das mãos de um artesão sem qualquer estudo e que criou uma peça magnificamente elaborada? A arte autêntica é aquela que surge como um pedaço da alma do artista, seja dentro de uma grande escola, seja na oca de um índio. E a arte é necessária apenas para aqueles que a enxergam assim, como arte... |
 | Você sofre ao se desprender de uma peça que tenha vendido? Jamais! E acredito que o maior elogio ao nosso trabalho está no instante em que alguém, ao olhar para aquele objeto que o artista criou, se dispõe a pagar determinado valor para ter aquilo próximo a ele. |
 | Ao comprar a obra, estamos mais que nada comprando o artista? Não diria comprando o artista, mas um momento da vida deste artista. Penso que estaremos adquirindo aquele instante da inspiração, da execução, da expectativa, da surpresa do resultado... isto sim está sendo comprado, pois todas essas coisas ficam impressas naquele trabalho. E como o propósito do artista foi a venda da obra, estamos apenas fechando um ciclo, participando do processo que não findou com a conclusão da obra... se a adquirimos, fazemos parte dela também. |
 | Para a arte não há guia. Como você sabe qual é a próxima coisa a fazer? Nunca sei qual o próximo trabalho a ser feito, isso ocorre durante o amassar do barro, um processo que inspira, que transporta. Muitas vezes pensei em produzir determinada peça e durante esse amassar outra obra surgiu. |
 | O que você acha de que grande parte das obras de arte contemporânea que os museus exibem seja de artistas que já faleceram? O homem se vai, a obra fica... os artistas atuantes geralmente estão em galerias que comercializam suas obras, o que é necessário para a sua sobrevivência e mesmo para a divulgação do seu trabalho. Já os museus tenham talvez a função de eternizar a obra e, conseqüentemente, o artista. |
 | Que papeis jogam em sua trajetória as figuras de marchante, representante, galerista, e intermediários em geral? A maior parte do tempo que disponho está na criação dos meus trabalhos, em estudos, em compras de matéria-prima, em manutenção do atelier, portanto preciso ter alguém a quem caiba a função da comercialização dos trabalhos que crio. Geralmente trabalho com galeristas e participo de eventos de promoção e venda em espaços culturais, e foi através destes mecanismos que consegui colocar o meu trabalho no mercado. Estes profissionais, no meu caso, são uma importante ferramenta de marketing. |
 | Que tipo de encomendas você costuma receber? Não trabalho por encomendas, tenho algumas linhas de produtos que vou repondo à medida que vão sendo comercializados, e outras que são produzidas uma única vez. |
 | Qual de seus trabalhos é o que você mais gosta? Aquele que causou mais alegria e emoção a quem o adquiriu. |
 | Você coleciona algum objeto? Coleciono anjos, mas sem qualquer fundamento religioso, simplesmente gosto das figuras sacras. |
 | Que portais online de arte você freqüenta? Diversos. |
 | O que você aconselharia aos iniciantes? Estudo, perseverança e disciplina. |
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